Lula participa de entrevista a podcast 'Desce a Letra Show'. Reprodução/ TV Globo O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que não pode ser responsabilizado pelas indicações dos ministros Alexandre de Moraes, Kássio Nunes Marques e André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que não estava na Presidência da República quando eles foram nomeados.

Ao comentar críticas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, Lula declarou que a responsabilidade pelas indicações é de quem estava no cargo à época e defendeu que qualquer pessoa que tenha cometido irregularidades seja investigada e julgada. Essa é a primeira vez que Lula fala nominalmente dos ministros desde o julgamento no Supremo nesta terça (15) sobre a abertura ou não de uma investigação contra Moraes.

Um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a análise antes mesmo de o STF entrar no mérito, ou seja, no conteúdo principal do processo. Desde o início da crise no STF, no começo deste mês, Lula evitava fazer afirmações contundentes sobre o caso. Segundo interlocutores, a estratégia se deu para tentar descolar sua campanha à reeleição do cenário turbulento entre os ministros da Corte.

"Eu não era presidente quando o ministro Alexandre de Moraes foi indicado para a Suprema Corte, ele [Flávio] era senador, ele deve ter votado pelo Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kássio, ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça, portanto ele era culpado, e não eu", afirmou.

Miriam Leitão: Não decisão no STF impacta eleição Alexandre de Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer em fevereiro de 2017. Naquela época, Flávio Bolsonaro, agora adversário de Lula na concorrência à Presidência da República, exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro (na Alerj). Ele só foi eleito para o Senado Federal nas eleições de 2018, assumindo uma cadeira de senador em janeiro de 2019.

Direito de defesa Lula também disse defender que todos tenham direito à ampla defesa e a um julgamento justo, mas ressaltou que eventuais crimes devem ser punidos, independentemente de quem seja o investigado. "Todo mundo que cometeu erro tem que ser julgado. Eu defendo julgamento justo, direito de defesa, mas, se cometeu delito, tem que pagar.

Vale para mim, vale para o Fachin, vale para o Moraes. Essa é a minha tese", declarou. Lula afirmou que adversários políticos tentam associá-lo à atuação de Alexandre de Moraes e atribuiu as críticas ao ministro às decisões tomadas em investigações conduzidas pelo STF.

"Ontem [terça] meu adversário disse que eu sou responsável pelo Moraes. Mas a raiva dele [Flávio Bolsonaro] é porque o Moraes mandou prender quem matou Marielle. E porque prendeu o pai dele e golpistas.

Esse é o pavor dele", afirmou. Lula também declarou que a Justiça deve apurar os fatos e identificar os responsáveis por eventuais irregularidades. "A Corte vai descobrir quem está metido nisso", disse.

Elogios a Moraes Na mesma entrevista, o presidente elogiou a atuação de Alexandre de Moraes na condução da Justiça Eleitoral durante as eleições de 2022. Segundo Lula, o ministro teve papel importante na defesa do sistema eleitoral diante dos questionamentos feitos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas. "Eu acho que o Moraes prestou um serviço à democracia.

Ele foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na eleição em que eu ganhei e sabe da tentativa que o Bolsonaro fez de destruir a credibilidade da urna eletrônica", disse. Lula voltou a defender a segurança do sistema de votação brasileiro e afirmou que as urnas eletrônicas brasileiras são confiáveis. "A urna é séria.

Ela não está subordinada à internet", declarou. O presidente também afirmou estar tranquilo em relação às críticas e disse considerar importante rebater versões que, segundo ele, distorcem os fatos. "Temos que mostrar a narrativa correta.

E eu estou tranquilo quanto a isso", concluiu. As declarações foram dadas no canal e podcast "Desce a Letra Show". Presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, cumpre agenda em Brasília Jornal Nacional/ Reprodução