Prêmio Nobel de Física vai para cientista que criou obsevatório de "partículas-fantasma" O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve receber o Nobel da Paz deste ano já que mantém seu país em guerra contra o Irã. Mas a influência dele ainda deve pesar sobre o comitê responsável por escolher o vencedor, segundo especialistas ouvidos pela Reuters. A edição de 2025 do prêmio, concedida à opositora venezuelana María Corina Machado, foi considerada um caso único nos 125 anos de história da premiação.
A escolha ocorreu após uma intensa campanha de Trump pelo Nobel. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Semanas depois, Machado entregou sua medalha de ouro a Trump, numa tentativa de obter apoio do presidente americano para seus esforços de mudar o regime na Venezuela. Neste ano, o comitê formado por cinco integrantes deverá levar em conta a possibilidade de que o vencedor seja alvo das pressões de Trump, segundo Haakon Gjerloew, diretor interino do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo.
Segundo ele, os integrantes também devem avaliar se a escolha poderia produzir mais efeitos negativos do que positivos. "Os acontecimentos do ano passado em torno do Nobel da Paz, com María Corina Machado entregando o prêmio posteriormente a Trump, vão afetar algumas das considerações que eles farão", disse.
Entre os possíveis vencedores estão o papa Leão XIV, o Tribunal Penal Internacional (TPI), a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, segundo especialistas. O vencedor será anunciado na próxima sexta-feira (9). Trump diz ter recebido medalha do Nobel da Paz como 'presente' de María Corina Machado Reprodução: X Papa Leão XIV Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão XIV afirmou que continuará se manifestando contra guerras.
Trump o chamou de "fraco" após críticas do pontífice ao conflito entre os EUA e o Irã. Especialistas apontam que a encíclica do papa sobre inteligência artificial, sua defesa do diálogo e da solução pacífica de conflitos, além de sua atuação em defesa de migrantes e em ações humanitárias, poderiam justificar a premiação. "O papa representa mais do que apenas uma figura religiosa.
Ele surgiu como um dos principais pensadores", afirmou Karim Haggag, diretor do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo, à Reuters. Francesca Albanese A italiana Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, também é apontada como possível vencedora. Ela vem sendo criticada pelos governos dos EUA e de Israel por suas declarações contra a atuação israelense na guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza e contra a ocupação da Cisjordânia.
Comitê pode optar por escolha menos controversa Os acontecimentos do ano passado também podem levar o comitê a seguir por outro caminho, segundo especialistas. Uma possibilidade seria escolher uma organização ou pessoa menos controversa e menos propensa a entrar em conflito com Trump. O presidente americano já criticou a Noruega, país onde o Nobel da Paz é decidido, por não ter recebido o prêmio na edição anterior.
Entre as possibilidades estão as Salas de Resposta de Emergência do Sudão, uma rede de grupos comunitários que presta assistência à população durante a guerra civil no país, e a organização não governamental Save the Children, pelo trabalho de ajuda a crianças afetadas por conflitos. Mas o comitê também sofre pressão para responder aos ataques de Trump contra a ordem internacional, segundo Oeivind Stenersen, historiador que escreveu sobre o Nobel da Paz.
"Eles têm uma certa pressão para serem firmes contra Trump", disse Stenersen à Reuters. "Neste cenário internacional grave, este ano exige um Nobel da Paz em defesa da democracia liberal, do direito internacional e dos direitos humanos", afirmou. Tribunal Penal Internacional pode ser premiado Uma das possibilidades seria conceder o Nobel ao Tribunal Penal Internacional, em um momento em que Washington se prepara para ampliar as sanções contra a corte, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
Outra opção seria a Corte Internacional de Justiça. A premiação reforçaria princípios como o respeito à soberania dos Estados e a resolução pacífica de disputas entre países. Trump teria sido indicado ao Nobel pelos líderes do Camboja, de Israel e do Paquistão.
Para Gjerloew, no entanto, as chances de o presidente americano vencer são "bastante baixas". A pressão exercida por Trump sobre o comitê norueguês surpreendeu até vencedores anteriores do Nobel. Maria Ressa, jornalista filipino-americana e vencedora do prêmio da Paz, afirmou que acompanhou os acontecimentos do ano passado "com horror".
"Os valentões não governam o mundo. Existem padrões pelos quais vivemos. O poder não torna algo certo", disse Ressa à Reuters durante uma visita a Oslo em setembro.
