Nora diz que matou sogra após marido ameaçar deixá-la e se arrepende A Justiça de Mato Grosso negou o pedido de perícia psiquiátrica para Alessandra do Nascimento Gonçalves, investigada pela morte da sogra Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, em Porto Alegre do Norte, a 1.125 km de Cuiabá. Na decisão, o juiz Nelson Luiz Pereira Júnior afirmou não haver elementos concretos que levantem dúvidas sobre a sanidade mental da mulher.
A defesa havia solicitado a abertura de um incidente de insanidade mental, alegando dúvidas sobre a condição psicológica de Alessandra tanto no momento do crime quanto atualmente. Em depoimento à Polícia Civil, Alessandra disse que o marido ameaçava terminar o relacionamento. Segundo ela, acreditava que, se algo acontecesse com a sogra enquanto ela estivesse ao lado do marido, demonstrando apoio, ele não terminaria o relacionamento.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp A Defensoria também citou relatos de testemunhas sobre consultas psicológicas e psiquiátricas anteriores e episódios de descontrole emocional no ambiente doméstico. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) se manifestou contra a realização da perícia. Para o órgão, não havia elementos suficientes que colocassem em dúvida a sanidade da investigada.
O MP também apontou que não foram apresentados documentos médicos que comprovassem histórico de transtorno mental. Na decisão, o juiz afirmou que não encontrou elementos concretos que justificassem a realização do exame. Conforme o magistrado, Alessandra declarou nunca ter sido internada em clínicas ou hospitais psiquiátricos e, durante a audiência de custódia, não foram identificados sinais aparentes de transtorno mental ou deficiência psicossocial que comprometessem sua capacidade de comunicação e compreensão.
O juiz também considerou o relato apresentado pela investigada durante o interrogatório policial. Segundo a decisão, a narrativa descreve uma sequência de ações planejadas, desde a preparação até a execução do crime, sem indícios aparentes de perda do juízo crítico. Conforme o relato registrado no inquérito, Alessandra teria ido voluntariamente até a casa da vítima, levando uma chave de acesso e um objeto utilizado para cometer o ataque.
Ela teria permanecido no local aguardando o momento para agir. Para o magistrado, a motivação apresentada pela investigada, relacionada ao medo de perder o companheiro e à tentativa de mantê-lo por meio do luto, não demonstra, por si só, a existência de um transtorno mental que tenha retirado sua capacidade de compreender a ilegalidade dos atos.
A Justiça também considerou que as referências a consultas psicológicas anteriores e a episódios de descontrole emocional não são suficientes, isoladamente, para justificar uma perícia psiquiátrica. Com isso, o pedido da Defensoria foi negado. O juiz, no entanto, deixou aberta a possibilidade de uma nova análise caso sejam apresentados documentos médicos ou outros elementos concretos que indiquem dúvidas sobre a sanidade mental de Alessandra.
Entenda o caso Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, foi encontrada morta dentro de uma casa em Confresa (MT) Reprodução/Redes Sociais Maria Aparecida foi morta por volta das 6h35 do último sábado (22). Vizinhos acionaram a Polícia Militar após ouvirem gritos de socorro vindos da casa onde ela morava. Segundo a Polícia Civil, quando os militares chegaram ao endereço, encontraram o portão trancado.
A equipe tentou contato com os moradores, mas não teve resposta e subiu no muro para verificar o que estava acontecendo. Ao perceber a presença dos policiais, Alessandra abriu o portão e disse que havia ocorrido uma "tragédia" com a sogra. Dentro da casa, os policiais encontraram Maria caída no chão, com grande quantidade de sangue ao redor do corpo.
Conforme a polícia, ela estava com um fio de extensão elétrica no pescoço e apresentava ferimentos provocados por um objeto contundente. Um pedaço de madeira com sinais de sangue foi apreendido no local. A causa da morte de Maria Aparecida foi estrangulamento, segundo conclusão da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Maria Aparecida era ex-servidora pública municipal. Após a morte, a Prefeitura de Confresa decretou luto oficial de três dias e publicou uma nota destacando os anos em que ela trabalhou no serviço público. Alessandra do Nascimento Gonçalves, de 29 anos, durante depoimento Reprodução
