Ator hostilizado por look volta ao Rock in Rio e se esbalda em show do Barão Vermelho O ator João Victor Gonçalves, que interpreta Mau Mau na novela “Quem Ama Cuida”, apareceu se divertindo e cantando durante o show do Barão Vermelho, no Rock in Rio, neste domingo (6). Ele voltou ao festival dois dias após ser hostilizado pelo look escolhido na sexta-feira (4). "Mais um dia de @rockinrio - Bora viver!", escreveu o ator ao exibir o look escolhido para curtir a programação deste domingo.
João Victor Gonçalves voltou ao festival neste domingo (6). Divulgação Relembre o caso João acusou um streamer de homofobia após ser abordado durante o Rock in Rio, na noite desta sexta-feira (4). O episódio aconteceu no entorno da Cidade do Rock, no Rio de Janeiro, e foi transmitido ao vivo pela plataforma Kick, concorrente da Twitch.
Na transmissão, o streamer GH Rell RJ aparece acompanhado de amigos enquanto se aproxima do ator. Em determinado momento, eles fazem comentários sobre a roupa usada por João Victor. “Caralho, que é isso.
Cara horroroso. Cara meteu um tomate”, dizem. O grupo ainda aparece seguindo o ator por alguns segundos.
O trecho da transmissão foi posteriormente recortado e publicado nas redes sociais, onde passou a circular com críticas à "abordagem". Durante a live, não fica claro se o streamer e os amigos sabiam que o homem era o artista João Victor Gonçalves. Ator diz que foi alvo de homofobia Agora no g1 Após a repercussão do vídeo, o ator se manifestou nas redes sociais e classificou o episódio como homofobia.
“Somos mais fortes que qualquer coisa... Impunes não vão ficar, homofobia é crime. Isso é um retrato.
Meu medo de ser roubado era maior. Homofobia não é entretenimento”, disse emocionado. Initial plugin text João Victor traçou ainda um paralelo entre o que viveu e a história de seu personagem em “Quem Ama Cuida”.
Na trama, Mau Mau é um jovem em processo de descoberta da própria sexualidade que enfrenta a homofobia dentro de casa, principalmente nas relações com o avô, Otoniel (Tony Ramos). Em seus stories, o ator afirmou que o episódio no Rock in Rio era “o retrato de tudo que a gente mostra” na novela. “O Mau Mau é um personagem forte, valente, que encara essa homofobia estrutural que vive dentro de casa de uma forma muito corajosa.
Ele engole e segue”, escreveu. 'Me dei mal', diz streamer GH Rell RJ também se pronunciou sobre o episódio e afirmou que costuma fazer transmissões com abordagens e situações inusitadas nas ruas. Segundo ele, o trecho foi retirado do contexto da live e acabou gerando uma onda de críticas nas redes sociais.
“Tava numa live aqui, mano, e eu fico fazendo um monte de entretenimento no meio da rua, tipo doideira com maluquice. Tava fazendo entretenimento com um cara que tava passando na rua e me dei mal. Sabe por quê?
Cliparam, postaram lá no Twitter e eu tô recebendo um monte de hate. Se eu errei, eu peço desculpas porque nós é ser humano e nós erra”, afirmou. Advogados de João Victor se posicionam Na noite deste sábado, a defesa do ator João Victor publicou uma nota repudiando o caso e afirmando que ele está apenas na posição de vítima.
Veja a nota completa: Diante dos fatos amplamente noticiados ocorridos na madrugada de 05/09, nas imediações do Rock in Rio, os advogados que representam João Victor Gonçalves vêm a público esclarecer: João Victor Gonçalves foi vítima de hostilização motivada por suas vestimentas, em clara relação à discriminação por sua orientação sexual, ao ser abordado e seguido por um grupo de quatro indivíduos que zombaram publicamente da vestimenta, interpretada como de cunho feminino pelo agressores, mas utilizada por um homem, tendo o episódio sido transmitido ao vivo, em tempo real, ao público do autor da hostilização, através de seu canal pessoal na internet.
O deboche público motivado pela não conformidade da vestimenta com padrões normativos de gênero, exposto e amplificado por meio de transmissão ao vivo, constitui ato discriminatório grave, independentemente do uso de termos pejorativos diretos.
Em manifestação posterior, o próprio autor da hostilização admitiu que sua conduta teve como finalidade "movimentar" seu canal pessoal, evidenciando que o ato discriminatório foi praticado deliberadamente como estratégia de engajamento e geração de conteúdo, em benefício próprio e às custas da exposição pública não consentida da vítima. Tal confissão afasta qualquer alegação de espontaneidade ou de ausência de intenção, reforçando o caráter deliberado da conduta.
Quanto à declaração de João Victor Gonçalves, ofendido, na qual relatou temor de ser assaltado, esclarece-se que tal manifestação não possui qualquer conotação discriminatória. Trata-se de reação legítima de autoproteção, plenamente justificável diante do contexto fático: ausência de segurança no local, superioridade numérica dos agressores (quatro contra um) e a natureza intimidatória da abordagem. Não há nexo entre o receio manifestado e qualquer elemento de cunho racial.
Registra-se que o autor da hostilização, em manifestação posterior, imputou ao próprio ofendido a prática de racismo, alegação que não encontra qualquer amparo nos fatos ou nas declarações efetivamente proferidas por João Victor Gonçalves. Eventuais manifestações de terceiros — inclusive de cunho racista feitas por seguidores do ofendido contra o autor da hostilização — não podem ser a ele atribuídas, tampouco desviam a análise da conduta originalmente praticada contra a vítima.
Reafirma-se que João Victor Gonçalves figura, nestes fatos, exclusivamente na condição de vítima.
