Fim da escala 6x1: quando começa a valer e quais são as profissões impactadas A emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, promulgada pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16), dividiu a opinião de sindicatos da região de Piracicaba (SP). Se por um lado as entidades que representam os trabalhadores celebraram a mudança, por outro, os sindicatos das indústrias alertaram para riscos. O fim da escala 6x1 garante aos trabalhadores dois dias de repouso remunerado por semana, sem redução salarial.
É a primeira mudança na jornada de trabalho em 38 anos, desde a Constituição de 1988. ➡️A mudança reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram As novas regras, no entanto, não têm efeito imediato.
A emenda foi publicada no Diário Oficial da União da tarde desta sexta. A partir da publicação, começa a contar o prazo de dois meses para a primeira etapa da transição, quando a jornada máxima passa de 44 para 42 horas semanais e os trabalhadores passam a ter direito aos dois dias de repouso remunerado. Doze meses depois da primeira redução, o limite passará definitivamente a 40 horas semanais, sem redução salarial.
Fim da escala 6x1: empresas antecipam mudanças na jornada de trabalho Reprodução/EPTV 🏭 O que pensam as empresas e o comércio Para o Sindicato Patronal das Indústrias do Setor Metalmecânico de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi), a redução na jornada provocou preocupação entre os empresários.
"O Simespi considera que a medida poderá elevar os custos de produção, comprometer a competitividade das empresas e trazer novos desafios à geração e manutenção de empregos." O Simespi também aponta a preocupação com as dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira, especialmente pelo setor de máquinas e equipamentos, afetado pelas tarifas comerciais impostas pelo governo dos Estados Unidos.
O sindicato ressaltou que reconhece a importância da qualidade de vida e do descanso dos trabalhadores, mas defendeu que eventuais mudanças na jornada sejam acompanhadas de políticas voltadas ao aumento da produtividade, à qualificação profissional e à modernização dos processos industriais. Na visão da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acipi), a aprovação da medida impacta setores como hospitais, shoppings center e negócios com funcionamento permanente.
De acordo com a Acipi, a mudança exigirá adaptações, diálogo e renegociações coletivas, além de planejamento financeiro. "Sem dúvida, o momento exige um olhar para esse processo com cautela, reconhecendo as dificuldades de cada negócio e os possíveis impactos sobre os custos operacionais, a organização das equipes e a manutenção dos empregos", complementou.
Já para o Sindicato do Comércio Varejista de Piracicaba e Região (Sincomércio), a redução da jornada de trabalho é uma discussão legítima, mas a aprovação exige uma análise mais aprofundada dos impactos econômicos e sociais. "O comércio possui particularidades que precisam ser respeitadas, especialmente em relação aos horários de atendimento e à organização das equipes.
Para os pequenos negócios, que já enfrentam desafios financeiros e operacionais, a mudança poderá representar aumento de custos, pressão sobre os preços ao consumidor e dificuldades para a manutenção dos empregos formais." 👷 O que pensam os trabalhadores O Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba (Sincomerciários) entende que para o trabalhador, será de "grande valia" a escala 5x2, porque a "maioria dos trabalhadores é formada por mulheres que têm dupla jornada".
Segundo o Sincomerciários, a medida irá colaborar na contratação de mais funcionários para diversos seguimentos, devido ao dia a mais de folga. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Piracicaba (Sinticompi), por sua vez, afirmou que trabalhadores de uma empresa com mais de 150 colaboradores vibraram com a novidade. "A gente tem certeza que foi uma vitória considerável e que o futuro vai mostrar para a gente.
Essa preocupação do patrão em não ter o mesmo retorno, porque continuam pagando o salário, e a jornada vai ser menor? Tem uma solução para tudo isso, que é: ofereça um salário melhor, que o sacrifício nosso nunca foi pouco", citou o presidente do sindicato, Milton Costa. VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba
