Como funcionários do aeroporto de Guarulhos facilitaram a entrada de drogas para o cime organizado Uma perseguição sobre o telhado do aeroporto de Guarulhos terminou com a prisão de um funcionário e a apreensão de 33 quilos de cocaína. O flagrante é apenas uma das operações que revelam como organizações criminosas têm usado empregados com acesso a áreas restritas para movimentar drogas dentro do maior aeroporto do Brasil. Veja reportagem completa no vídeo acima.
Funcionários do aeroporto de Guarulhos participam de esquema que facilita entrada e saída de drogas Recrutamento de funcionários Segundo a Polícia Federal, os grupos recrutam trabalhadores de diferentes setores para garantir que a droga chegue aos aviões sem levantar suspeitas. Em um dos casos investigados, um funcionário foi preso após tentar esconder-se no telhado do terminal. Com ele, os agentes encontraram uma mala carregada de cocaína.
Os agentes também registraram a participação de trabalhadores da limpeza, auxiliares de transporte e outros funcionários que tinham acesso a áreas estratégicas do aeroporto. "Esses funcionários recrutados então façam com que a droga chegue até os aviões que vão seguir do Brasil com destino ao local apontado por essa grande organização criminosa internacional que aguarda a chegada no país de destino", detalha o delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações, Ivo Silva.
Uma logística que passa longe dos passageiros As investigações mostram que a movimentação da droga ocorre por caminhos invisíveis para quem embarca ou desembarca. Em outro flagrante, um funcionário colocou malas em um contêiner que seguiria para Lisboa e chegou a fotografar a carga antes de ser abordado. A bagagem foi interceptada pelos policiais, que encontraram cocaína no interior das malas.
As imagens do circuito de segurança mostram que as rotas de entrada da droga no aeroporto incluem diferentes métodos: Veículos de serviço: Na fuga que terminou no telhado, o transporte dos entorpecentes foi feito na caçamba de uma viatura da própria concessionária até a casa de máquinas; Vestiários sem câmeras: Auxiliares de transporte entraram com mochilas por portões de serviço e as repassaram a um funcionário da limpeza dentro de um vestiário; o material foi colocado em sacos de lixo para furar o raio-x e entregue a um passageiro na porta do banheiro do saguão de embarque; Cortes na cerca: Em outro ponto do perímetro, o gradil externo foi rompido para transferir pacotes diretamente para os carrinhos que movimentam as bagagens até as aeronaves.
Segundo a PF, a estrutura permite que a droga atravesse setores monitorados sem chamar atenção. Malas clonadas Além da tradicional exportação de cocaína para a Europa, a Polícia Federal identificou uma nova dinâmica criminosa: a remessa de substâncias a partir da Ásia, Europa e América do Norte em direção ao Brasil, modalidade chamada de "tráfico reverso". Uma das vítimas da rota foi a brasileira Gabriele Amador Silva, que viajou a lazer em maio com o namorado para os Estados Unidos e o Canadá.
Em um voo entre os dois países, a bagagem de Gabriele foi extraviada e devolvida apenas 18 dias depois no aeroporto de Toronto. Após retornar ao Brasil com a mala recuperada, a jovem foi surpreendida por uma intimação policial. "Então, foi enviado uma mala com drogas em meu nome no aeroporto de Guarulhos, sem com que eu tivesse conhecimento", relatou Gabriele.
A PF localizou duas malas abandonadas na esteira do aeroporto Guarulhos com 25 quilos de haxixe em cada uma. O método de troca de etiquetas repete o que ocorreu em março de 2023, quando duas brasileiras permaneceram presas por 38 dias na Alemanha após terem etiquetas transferidas para malas com 40 quilos de cocaína, caso que terminou com o reconhecimento da inocência delas e pagamento de indenização pelo governo alemão.
Quase 5 toneladas apreendidas Somente em 2026, quase cinco toneladas de drogas foram apreendidas em Guarulhos. Ainda faltando mais de dois meses para o fim do ano, o volume já é o maior da história do aeroporto. No mesmo período, 274 pessoas foram presas por tráfico, incluindo funcionários que tinham acesso às áreas restritas dos terminais.
A Polícia Federal afirma que, além de prender os trabalhadores envolvidos, busca atingir os integrantes das organizações criminosas responsáveis por coordenar a logística internacional do tráfico. "Sabemos que só a repressão não é suficiente. É imprescindível que a gente também faça um trabalho em relação à prevenção", destacou o delegado da PF.
O que dizem as defesas e autoridades A defesa do funcionário preso no telhado nega o envolvimento dele com o tráfico de drogas e afirmou que a mala apreendida não estava sob a posse dele no momento da abordagem. Os advogados dos demais acusados não se pronunciaram. Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que estuda a viabilidade de novos investimentos para reforçar a segurança em Guarulhos.
A concessionária GRU Airport declarou que provê a estrutura de vigilância e busca aprimorá-la em estreita cooperação com os órgãos de segurança pública.
Funcionários do aeroporto de Guarulhos participam de esquema que facilita entrada e saída de drogas Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito.
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