Beber café muito quente pode aumentar em até três vezes o risco de câncer Adobe Stock Uma xícara de chá tomada assim que sai do bule pode custar mais caro à saúde do que parece. Um estudo da Universidade de Oxford identificou que beber líquidos muito quentes está associado a um risco até três vezes maior de câncer de esôfago, em comparação com bebidas mornas.

A ligação foi observada na maior pesquisa já realizada sobre o tema, com dados de 977 mil homens e mulheres de meia idade — o equivalente a quase 1 milhão de pessoas. Apesar do salto no risco relativo, os pesquisadores fazem uma ressalva importante: as chances gerais de desenvolver esse tipo de câncer continuam baixas. O problema está no trajeto que a bebida percorre.

Ao descer muito quente, o líquido agride o revestimento celular do esôfago no caminho até o estômago — e é essa lesão repetida que, segundo o estudo, pode abrir caminho para o desenvolvimento do tumor. Pré-treino de cafeína funciona mesmo? O que a pesquisa analisou A pesquisa, publicada no International Journal of Cancer, define como "muito quente" toda bebida servida a 65°C ou mais.

Beber seis ou mais dessas bebidas por dia também aumenta as chances de desenvolver a doença, segundo o levantamento. Na prática das xícaras, essa temperatura é atingida com facilidade. A água fervida chega a 100°C, e o chá preparado com ela ainda sai a cerca de 90°C ou 95°C — bem acima do limiar apontado pelo estudo.

Esperar alguns minutos antes de beber é suficiente para a temperatura cair a um patamar mais seguro. A pesquisadora principal do estudo, Keren Papier, afirmou que a associação não é inédita: pesquisas conduzidas na América do Sul, região onde o consumo do mate — bebida quente à base de erva — é generalizado, já haviam apontado uma ligação semelhante entre bebidas quentes e câncer de esôfago.

O que fazer para evitar o risco A recomendação prática é simples: evitar tomar chá ou café assim que ficam prontos e esperar até que atinjam uma temperatura morna, mais confortável ao paladar. Vale, porém, uma ressalva: a tolerância ao calor varia de pessoa para pessoa, o que torna a sensação de "temperatura ideal" um guia menos confiável do que parece.