Áudios de secretário incentivam PMs a prender petistas no Maranhão O sargento da Polícia Militar James Mota, afastado do cargo de secretário de Segurança de Barra do Corda, no Maranhão, afirmou que os áudios em que defende a prisão de apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) foram gravados em um grupo fechado de policiais militares, onde, segundo ele, eram comuns "brincadeiras" e provocações políticas.

A declaração foi feita em nota de esclarecimento divulgada nesta sexta-feira (23), após a repercussão do caso, que resultou no afastamento de James do cargo de secretário e levou o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) a acionar a Polícia Federal (PF). 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Segundo James Mota, o grupo reúne policiais com diferentes posicionamentos políticos, inclusive eleitores do PT, e as provocações aconteciam de forma recíproca.

Ele afirmou que também era alvo de brincadeiras e apelidos por apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. "Da mesma maneira que, em determinadas conversas, utilizei expressões mais fortes, também era alvo de brincadeiras, apelidos e comentários por conta da minha posição política e por votar em Bolsonaro. Essa era a dinâmica de interação entre os integrantes, que faziam provocações uns aos outros, sem que isso representasse, necessariamente, uma intenção real de ofender ou desrespeitar", afirmou.

O sargento reconheceu ter utilizado expressões fortes, como "ladrões", mas negou que tivesse a intenção de ofender todos os eleitores de um partido. Segundo ele, os áudios foram divulgados isoladamente, sem o contexto das conversas. "Essas brincadeiras e provocações políticas aconteciam de forma recíproca dentro do grupo", declarou.

Na nota, o sargento afirmou que as referências a compra de votos, boca de urna, fiscais e delegados estavam relacionadas à preocupação com a lisura do processo eleitoral. Segundo ele, a intenção era incentivar policiais militares da reserva e aposentados a contribuir com a fiscalização das eleições, independentemente de partido ou candidato. James Mota também negou que tenha utilizado ou que utilizaria o cargo público ou sua condição de policial militar para favorecer ou prejudicar qualquer grupo político.

"Jamais utilizaria o cargo que ocupo no município ou minha condição de policial militar para beneficiar ou prejudicar qualquer lado político. Todos conhecem minha postura como secretário e sabem do compromisso que tenho com minhas responsabilidades. Jamais permitiria que preferências políticas interferissem no exercício da minha função pública, que exige responsabilidade, equilíbrio e respeito à lei", afirmou.

O sargento declarou ainda que a divulgação dos áudios fora do contexto pode transmitir uma impressão diferente da dinâmica de convivência no grupo. Ele reafirmou seu compromisso com a imparcialidade, a legalidade e o respeito à democracia (veja, ao final da matéria, a nota de James Mota na íntegra).

Entenda o caso Governador determina afastamento de sargento que atua em Barra do Corda O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão comunicou à Polícia Federala divulgação, nas redes sociais, de áudios do sargento James Mota. Em uma das gravações, ele pede a prisão de apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT). O prefeito do município, Rigo Teles (MDB), afastou o secretário nessa quinta-feira (22), após a repercussão dos áudios.

A informação sobre a comunicação à PF foi divulgada nesta sexta-feira (23) pelo corregedor eleitoral Sebastião Bonfim, em entrevista à TV Mirante. Nas redes sociais, o governador Carlos Brandão (MDB) também anunciou o afastamento do sargento, que é um policial militar cedido à Prefeitura de Barra do Corda, e determinou uma investigação sobre as declarações.

O que dizem os áudios Secretário de Barra do Corda, James Mota, pede que PMs prendam petistas na eleição Divulgação/Prefeitura de Barra do Corda Em um dos áudios do secretário, ele defende a prisão de apoiadores do PT e afirma que a medida poderia intimidar outros eleitores do partido. "Bora botar esses petistas no lugar deles. Bora prender.

O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo. Tem a forma de prender legalmente. Bora prender quem tiver que prender, esses vagabundos." Em outro trecho, ele afirma que "quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade".

Ele também incentiva policiais da ativa e aposentados a agir contra apoiadores do partido e menciona a possibilidade de atuar como fiscal ou delegado durante as eleições. Na mesma gravação, relata ter encontrado apoiadores do PT distribuindo santinhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, em frente a escolas de Barra do Corda durante o primeiro turno. Segundo ele, chegou a abordar alguns deles.

"No primeiro turno tinha uns petistas dando santinho do Lula lá na frente do Dom Marcelino, na frente de outras escolas, e eu fui para cima de alguns. Bora ficar só dentro de casa também não. Só reclamando, só colocando culpa em Alexandre de Moraes, em Lula.

Bora para cima, meu filho", afirma. As gravações incluem ainda a fala de uma pessoa não identificada, que se dirige ao secretário e pede que ele mobilize a Guarda Municipal para realizar prisões. Federação apresenta notícia-crime O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), informou que a Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral contra James Mota.

No documento, a federação pede a abertura de uma investigação para apurar possíveis crimes eleitorais relacionados às declarações do secretário, incluindo suspeitas de intimidação e constrangimento de eleitores. A representação solicita ainda a análise técnica dos áudios, a identificação dos participantes das conversas e a apuração de possíveis abordagens ou detenções relacionadas à campanha eleitoral.

NOTA DA PREFEITURA DE BARRA DO CORDA "A Prefeitura Municipal de Barra do Corda, diante da repercussão da divulgação de áudios atribuídos ao Secretário Municipal de Segurança, vem a público esclarecer: A Prefeitura Municipal e o Prefeito Rigo Teles reprovam qualquer manifestação ou ação contrária à democracia, ao livre exercício do voto e à normalidade do processo eleitoral.

A Administração Municipal está empenhando todos os esforços para colaborar com a Justiça Eleitoral, com o objetivo de assegurar a todos os cidadãos barracordenses o direito constitucional ao voto, livre e seguro. Como medida imediata, o Prefeito determinou o afastamento do Secretário Municipal de Segurança até o final do pleito eleitoral. A Prefeitura reafirma que todos os eleitores, independentemente do candidato de sua preferência, podem sair de casa com total tranquilidade para votar.

O voto é livre, secreto e deve ser respeitado. Gabinete do Prefeito Municipal de Barra do Corda, Estado do Maranhão, aos dias vinte e dois de outubro de dois mil e vinte e seis." O que diz o sargento James Mota "NOTA DE ESCLARECIMENTO Venho esclarecer a repercussão dos áudios gravados por mim em um grupo fechado de policiais militares, cujo conteúdo acabou vazando. Nesse grupo, são comuns brincadeiras, comentários e provocações de cunho político, inclusive com a participação de policiais que são eleitores do PT.

É uma forma de interação que já faz parte da convivência entre os integrantes, que possuem diferentes posicionamentos políticos. Reconheço que, nos áudios, utilizei expressões fortes, como “ladrões”, no contexto das críticas políticas e das discussões que ocorrem habitualmente no grupo. Também fiz referências a questões de corrupção envolvendo figuras públicas, assunto amplamente debatido no cenário político nacional.

Isso, porém, não significa que eu esteja ofendendo indiscriminadamente todos os eleitores de um partido, muito menos atribuindo a eles a responsabilidade por atos de terceiros. Quando mencionei compra de votos, boca de urna, fiscais e delegados, minha preocupação era com a lisura do processo eleitoral. Essa preocupação vale para os dois lados, sem distinção de partido ou candidato.

A intenção, inclusive, era incentivar policiais militares da reserva e aposentados a se prontificarem para contribuir com a fiscalização e a legalidade do pleito. Jamais utilizaria o cargo que ocupo no município ou minha condição de policial militar para beneficiar ou prejudicar qualquer lado político. Todos conhecem minha postura como secretário e sabem do compromisso que tenho com minhas responsabilidades.

Jamais permitiria que preferências políticas interferissem no exercício da minha função pública, que exige responsabilidade, equilíbrio e respeito à lei. Tentar transformar uma conversa de um grupo fechado, dentro de um contexto conhecido por seus participantes, em uma suposta utilização do cargo público para fins políticos é desconsiderar as circunstâncias em que as manifestações ocorreram.

Divergências políticas fazem parte da democracia, mas devem ser tratadas com responsabilidade, sem distorções ou generalizações. Reafirmo meu respeito a todos os cidadãos, independentemente de suas escolhas políticas, e meu compromisso com a imparcialidade, a legalidade e o respeito à democracia. Meu trabalho continuará sendo pautado pela responsabilidade e pelo cumprimento dos meus deveres, sem favorecimento ou perseguição a qualquer partido, candidato ou eleitor.

Vale ressaltar que essas brincadeiras e provocações políticas aconteciam de forma recíproca dentro do grupo. Da mesma maneira que, em determinadas conversas, utilizei expressões mais fortes, também era alvo de brincadeiras, apelidos e comentários por conta da minha posição política e por votar em Bolsonaro. Essa era a dinâmica de interação entre os integrantes, que faziam provocações uns aos outros, sem que isso representasse, necessariamente, uma intenção real de ofender ou desrespeitar.

O que considero importante esclarecer é que os áudios, ao serem divulgados isoladamente, sem o conhecimento dessa convivência e do contexto das conversas, podem transmitir uma impressão diferente do que realmente acontecia naquele ambiente. Atenciosamente, James Mota."