Caso Master: operador financeiro de Vorcaro será ouvido por Mendonça na próxima terça-feira O gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), vai ouvir, na próxima terça-feira, o empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Freixo é apontado como um dos operadores financeiros de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A audiência faz parte do processo de análise da homologação do acordo. Nesta etapa, a Justiça verifica, entre outros requisitos, se a decisão de colaborar foi tomada de forma voluntária. Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.
Reprodução/Evaristo SA/AFP Freixo é dono da Entre Investimentos e Participações e foi CEO do grupo Entrepay. Segundo as investigações, empresas do grupo teriam sido usadas para intermediar repasses de recursos de Vorcaro destinados à produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A expectativa é que Freixo detalhe aos investigadores justamente o caminho percorrido por esse dinheiro.
O que Freixo pode esclarecer A delação de Freixo é considerada relevante principalmente porque o empresário pode ajudar a reconstruir o fluxo dos recursos que saíram da estrutura ligada a Vorcaro, passaram por empresas do Grupo Entre e chegaram aos Estados Unidos. A investigação busca determinar quanto foi efetivamente utilizado para financiar “Dark Horse”, quanto permaneceu no exterior e qual foi o destino final desses recursos.
A colaboração também pode fornecer documentos e outras provas que permitam aos investigadores confrontar o relato de Freixo com as movimentações financeiras já identificadas no caso. Dinheiro passou por fundo nos Estados Unidos Os recursos teriam saído da estrutura ligada ao grupo de Freixo e sido enviados ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo administrava valores destinados ao projeto e fazia repasses à Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”.
O Havengate tem entre seus administradores Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Um dos pontos que as autoridades querem esclarecer é o destino final do dinheiro. A investigação busca saber se todos os recursos enviados aos Estados Unidos foram efetivamente aplicados na produção do filme ou se parte deles teve outro destino.
A apuração sobre os valores que permaneceram nos Estados Unidos também depende da cooperação com autoridades americanas. A EntrePay, que integrava o grupo de Freixo e tinha autorização do Banco Central para atuar como instituição de pagamento, acabou liquidada pelo BC neste ano.
Novos repasses ao filme Nesta semana, a imprensa revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez um adicional de repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato a presidente, cobrar parcelas que estavam atrasadas. Ele se soma a outros seis repasses — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão —, realizados até maio de 2025, que já haviam sido noticiados em maio deste ano pelo site The Intercept Brasil, totalizando R$ 61 milhões.
PGR tem dois acordos de delação no caso Master Quase dez meses depois de o escândalo do Banco Master vir à tona, a PGR fechou dois acordos de delação premiada relacionados ao caso. Os dois ainda dependem da homologação da Justiça para produzir os efeitos previstos nos acordos. Além de Freixo, também fechou acordo com a PGR o empresário João Carlos Mansur, ex-presidente do Conselho de Administração do grupo Reag.
Mansur deve detalhar o esquema investigado envolvendo a criação e utilização de fundos que teriam sido usados para lavagem de dinheiro. Ele também promete indicar o caminho para a localização de R$ 20 bilhões. No caso da colaboração de Mansur, o STF já realizou a audiência necessária para analisar a homologação.
A decisão ainda não foi publicada. Os dois possíveis colaboradores do caso Master respondem em liberdade. Vorcaro tentou fechar delação duas vezes Daniel Vorcaro também tentou fechar um acordo de delação premiada em duas ocasiões, mas as propostas não avançaram.
Segundo as autoridades, Vorcaro não apresentou provas novas nem fatos inéditos que pudessem contribuir para as investigações. Na semana passada, Vorcaro prestou depoimento a um juiz auxiliar do ministro André Mendonça. Na ocasião, afirmou ter se sentido coagido em relação a uma possível colaboração com a Polícia Federal.
Vorcaro também alegou que não havia interesse da PF em fechar um acordo de delação com ele. Segundo o relato apresentado à Justiça, porém, ele não apresentou provas para sustentar essa afirmação. A situação é diferente da dos outros dois investigados: a PGR aceitou fechar acordos de colaboração com Freixo e Mansur, que agora passam pelo processo de homologação no Supremo.
