Jorge Marra é acusado de matar a tiros o vereador Cássio Remis em Patrocínio Patrocínio Online/Divulgação O novo júri popular do ex-secretário de municipal de Obras de Patrocínio, Jorge Moreira Marra, está marcado para março de 2027 em Belo Horizonte. A nova data foi definida, nesta terça-feira (3), após o julgamento ser transferido de Patrocínio, no Alto Paranaíba, para a comarca de Belo Horizonte, a pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e pelos advogados da família Remis.

Jorge Marra é acusado da morte do ex-vereador Cássio Remis, em 2020. Naquele ano, Marra era secretário de Obras na cidade. Ele também é irmão de Deiró Marra, que era prefeito de Patrocínio na época.

Já Remis foi vereador na cidade entre 2009 e 2016 e era candidato novamente a uma cadeira no Legislativo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Jorge Marra chegou a ser absolvido do crime em júri popular em 2022. Mas a decisão foi anulada em 2024 e a anulação foi mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2025, além de determinada a realização de um novo julgamento.

Na época, a defesa já analisava pedir o novo julgamento em outra cidade. Nova data e novo local de julgamento A data para o novo julgamento de Jorge Marra é 17 de março de 2027, conforme a determinação do juiz Marco Antônio Silva, da comarca de Belo Horizonte. O agendamento foi realizado após a decisão da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em julho deste ano, pelo desaforamento do júri popular, ou seja, a realização do julgamento em outra cidade.

O pedido para que o novo júri seja realizado fora de Patrocínio foi protocolado pelo MPMG e pelos advogados da família Remis. Conforme o documento, a solicitação foi para que ocorresse em cidade de maior porte, "distante da influência do réu, para que seja garantida a imparcialidade do julgamento".

Os advogados da família Remis destacaram a repercussão local do caso, "aliada ao ambiente hostil e à realização anterior de julgamento imparcial, havendo pressões populares, ameaças veladas e discussões políticas, o que tornam inviável a realização do novo julgamento na Comarca [de Patrocínio]". A equipe de acusação acrescentou, ainda, que diversos jurados solicitaram a dispensa do julgamento anterior.

Por sua vez, o Ministério Público, sustentou que o primeiro julgamento já foi anulado por a decisão dos jurados ter sido "manifestamente contrária à prova dos autos", o que reforça a preocupação com a imparcialidade da sentença. Demonstrou o viés político que envolve o delito, já que Jorge Marra exercia o cargo de secretário de Obras e é irmão do então prefeito, que buscava a reeleição, e a vítima era vereador e pré-candidato de oposição, o que causou intensa polarização na comunidade local.

Já a defesa de Marra se manifestou contrária a transferência do julgamento de Patrocínio. Na decisão, os desembargadores da 8ª Câmara Criminal do TJMG concordaram com o relatório de que o desaforamento, embora medida excepcional, assegura um "corpo de jurados distante dos fatos e preservado de eventuais temores e intimidações".

"Verifica-se pelos documentos acostados, a preocupação com a influência no ânimo dos jurados, sendo certo que a realização do júri na Comarca de Patrocínio poderá constranger e influenciar os jurados sorteados", afirma a decisão. O documento ressalta que Jorge Marra a família são pessoas muito influentes em Patrocínio e que os fatos da anulação do primeiro julgamento deixam dúvidas quanto à imparcialidade dos jurados.

"Considerando o expresso pedido ministerial, de que o julgamento seja realizado em cidade de maior porte, a fim de se proteger a segurança das partes diante do envolvimento de facções, entendo que a Comarca de Belo Horizonte atende às necessidades do caso.

Diante do exposto, deve ser desaforado o julgamento do feito da Comarca de Patrocínio para essa Capital do Estado, onde o acusado será submetido a um corpo de jurados imparcial." LEIA TAMBÉM: Cássio Remis morre após ser atacado durante live; autor é irmão do prefeito, diz polícia Mãe de ex-vereador morto por Jorge Marra lamenta resultado do júri: 'Calaram a voz do meu filho e o assassino saiu em liberdade' Relembre o caso Cássio Remis morreu em 24 de setembro de 2020, após ser baleado pelo então secretário de Obras, Jorge Marra.

Antes de morrer, a vítima estava na Avenida João Alves do Nascimento mostrando o processo de revitalização da via, quando alegou na transmissão ao vivo que funcionários da Prefeitura eram usados para fazer serviços particulares em frente a uma casa que seria o comitê de campanha do prefeito Deiró Moreira Marra (veja o vídeo abaixo). Pré-candidato a vereador em Patrocínio é atacado durante live Durante a transmissão, Jorge Marra saiu de um veículo, tomou o aparelho da vítima e voltou ao carro.

Em seguida, Remis foi atrás do secretário, que se dirigiu à Secretaria de Obras. Na porta do local, o candidato tentou pegar o telefone de volta, mas Marra atirou e fugiu. Toda ação foi registrada pelo circuito interno de monitoramento (veja no vídeo abaixo).

Vídeo mostra momento em que Cássio Remis foi baleado em Patrocínio No dia do crime, a arma usada para matar a vítima e a caminhonete usada na fuga foram encontradas em Perdizes. No dia 27 de setembro de 2020, ele se entregou na delegacia de Polícia Civil. Segundo a investigação, Jorge Marra se apresentou de forma espontânea após um acordo feito com sua defesa e "cooperou com 99% das perguntas".

Depois de depor, o acusado foi encaminhado para um presídio. Depois, foi transferido para o Presídio Sebastião Satiro, em Patos de Minas. Em outubro de 2020, ele foi transferido para Penitenciária de Patrocínio I.

Em dezembro do mesmo ano, a defesa de Marra tentou soltura por meio de habeas corpus, mas o pedido foi negado. Investigação O inquérito que investigava o caso foi concluído em outubro de 2020, sendo que Jorge Marra foi indiciado por homicídio, porte ilegal de arma de fogo e pelo roubo do celular. Em novembro, as testemunhas do crime foram ouvidas e alguns dias depois, o acusado permaneceu em silêncio durante a segunda audiência de instrução.

À época, a delegada de Homicídios, Ana Beatriz de Oliveira Brugnara, também indiciou o motorista e outro funcionário por favorecimento, ao facilitar a fuga do autor do crime. O primeiro julgamento e absolvição Em outubro de 2022, o ex-secretário de Obras foi absolvido do crime de homicídio duplamente qualificado após 16 horas de julgamento. Ele foi julgado por homicídio qualificado, motivo torpe e uso de meio que impossibilitou a defesa da vítima, que o júri entendeu como "legítima defesa".

Jorge Marra, porém, foi condenado a dois anos e 10 dias, por porte de arma. Como ele estava preso desde setembro de 2020, a pena foi dada como cumprida. “Desde o início dos fatos eu sempre disse que a defesa confiava na sociedade de Patrocínio.

Sempre disse que eu queria que o processo fosse julgado pela sociedade de Patrocínio e hoje, a sociedade de Patrocínio julgou, e fez Justiça no caso concreto, absolvendo o seu Jorge Moreira Marra”, comentou o advogado de defesa, Sérgio Leonardo, após o julgamento. "Infelizmente, neste caso específico, a lei não foi o limite.

Jorge Marra, contrariando todas as provas do processo, o conselho de sentença entendeu por absorver pelo crime de homicídio e condená-lo apenas no porte de arma", contestou o advogado assistente da acusação, Márcio Grossi, à época. Decisão que absolve réu é anulada Em abril de 2024, o júri popular que absolveu Jorge Moreira Marra foi anulado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). No entanto, as partes envolvidas ainda podiam recorrer da decisão.

Já em maio de 2025, a decisão da ministra Cármen Lúcia do STF manteve a decisão do TJMG, que negou pedido de recurso da defesa de Marra para a manutenção do resultado do júri que o inocentou. Segundo a ministra, a Corte mineira foi soberana na análise de fatos e provas e concluiu que o Tribunal do Júri é contrária às provas apresentadas. Com a decisão, foi determinada a realização de um novo julgamento.

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