Multas de sinal vermelho sobem 35% em São Paulo As multas por avanço de sinal vermelho cresceram 34,7% na cidade de São Paulo entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo os dados mais recentes disponíveis no Observatório Mobilidade Segura, da Prefeitura de São Paulo. Nos cinco primeiros meses de 2026, foram aplicadas 124.282 multas, contra 92.233 entre janeiro e maio de 2025. São 32.049 autuações a mais neste ano.

Os números consideram tanto as multas registradas por fiscalização eletrônica quanto as aplicadas manualmente pelos agentes de trânsito. De acordo com a CET, São Paulo mantém a mesma quantidade de pontos de fiscalização eletrônica desde 2014. Agora no g1 Maior parte das multas é fora da madrugada Os dados mostram também que a maior parte das autuações por avanço de sinal vermelho não acontece durante a madrugada e sim durante o dia.

Em maio, mês mais recente disponível no levantamento, foram aplicadas 23.125 multas na capital por avanço do sinal vermelho. Das 6h às 17h59, foram 11.159 autuações, o equivalente a 48,3% de todas as multas do mês. No período entre 18h e 23h59, foram outras 4.859 multas (21% do total).

A faixa entre 6h e 23h59 representa, portanto, 69,3% do total de autuações. Já durante a madrugada, entre 0h e 5h59, foram registradas 7.107 multas (30,7%). A CET reforça que a fiscalização ocorre de forma ininterrupta, todos os dias da semana, independentemente da faixa horária.

Agentes da CET aplicam multa em motoristas na cidade de São Paulo. Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo Veja a evolução das multas Em janeiro de 2026, foram registradas 23.617 multas por avanço de sinal vermelho na capital. O número subiu para 24.355 em fevereiro e chegou a 27.979 em março, o maior patamar dos cinco primeiros meses do ano.

Em abril, foram 25.206 autuações. Em maio, o número recuou para 23.125. No mesmo período de 2025, os registros foram menores em todos os meses: 19.865 em janeiro, 17.987 em fevereiro, 17.841 em março, 17.297 em abril e 19.243 em maio.

Em todo o ano, a soma chega a 257.081 multas. Consolação e Paulista lideram ranking Cruzamento da Rua da Consolação com a Avenida Paulista está entre os pontos com mais infrações por avançar o sinal vermelho Reprodução/Google Street View O cruzamento da Rua da Consolação (sentido bairro) com a Avenida Paulista aparece como o ponto com mais infrações registradas em maio de 2026, segundo os dados do levantamento.

Na sequência aparecem a Avenida Queiroz Filho, na altura do número 1.700, e o cruzamento da Avenida Pedroso de Morais com a Rua Teodoro Sampaio.

Veja os 15 pontos listados com mais infrações em maio: Rua da Consolação (sentido bairro) x Avenida Paulista; Avenida Queiroz Filho, 1700 (sentido bairro); Avenida Pedroso de Morais (sentido Itaim) x Rua Teodoro Sampaio; Avenida Jorge João Saad (sentido Centro) x Avenida Professor Francisco Morato; Avenida José Pinheiro Borges (sentido bairro) x Rua Santana do Agreste; Avenida Pompéia (sentido Barra Funda) x Rua Nestor Vitor; Rua dos Pinheiros (sentido Centro) x Rua Dr.

Virgílio de Carvalho Pinto; Avenida Marechal Tito, 5946 (sentido Centro); Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, 2001 (sentido Centro); Estrada das Lágrimas x Rua Visconde de Magé (sentido Centro); Rua Catumbi, 318 (sentido bairro); Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1134 (sentido Itaim); Avenida José Pinheiro Borges (sentido Centro) x Rua Santana do Agreste; Avenida Engenheiro Caetano Álvares (sentido Centro) x Rua Baía Formosa; Rua da Consolação, 927 (sentido Centro).

Infração é gravíssima e rende sete pontos na CNH De acordo com o artigo 208 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), avançar o sinal vermelho do semáforo é infração gravíssima. A penalidade é de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A CET informou que São Paulo tem 180 radares que fiscalizam essa infração, de um total de 879 equipamentos.

A companhia afirma ainda contar com 1.700 agentes de trânsito, todos aptos a autuar motoristas. A fiscalização funciona continuamente, segundo a CET, inclusive no período entre meia-noite e 5h59. De acordo com a companhia, o número de multas seria, inclusive, maior, se não fosse o fato de que alguns motociclistas ocultam a placa com os pés, mochilas, mãos ou outros objetos que impedem a identificação do veículo.

Muito risco para pouca economia de tempo O professor do Departamento de Engenharia de Transportes da Poli-USP Cassiano Isler publicou em setembro deste ano uma pesquisa sobre comportamento de condutores, velocidade em áreas urbanas e segurança viária.

O levantamento, realizado em cooperação entre Poli-USP, Fundação Mapfre, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), busca entender como os motoristas percebem os limites de velocidade e quais fatores influenciam suas atitudes nas vias. Embora a pesquisa trate especificamente do comportamento em relação à velocidade, ela aponta que a percepção de ganho de tempo pode levar motoristas a adotar condutas de risco no trânsito.

“Ninguém sai de casa com a intenção deliberada de cometer infrações ou adotar condutas arriscadas. Contudo, apesar da aparente obviedade dessa constatação, é indispensável compreender o que de fato induz a esse comportamento”, afirma Isler. “A pesquisa revela um paradoxo: mais de 90% dos entrevistados associam o cumprimento das normas a valores como cidadania e preservação da vida.

No entanto, para um terço deles, essa disposição cede diante de atrasos, urgências cotidianas e da pressão exercida pelo fluxo dos demais veículos.” O estudo também fez uma revisão bibliográfica e de dados de tráfego para avaliar o suposto ganho de tempo ao dirigir mais rápido. As evidências analisadas mostram que essa economia é ínfima. Em Curitiba, trafegar acima do limite reduziu o tempo de viagem, em média, em apenas 7,81 segundos por quilômetro, ou entre 46 e 55 segundos no percurso completo.

Em Fortaleza, a redução do limite de 60 km/h para 50 km/h acrescentou somente 6,08 segundos por quilômetro, reforçando a conclusão de que aumentar a velocidade traz pouco benefício no tempo total da viagem e que eventuais ganhos podem ser anulados pelos semáforos e pelo próprio fluxo das vias.