As reservas estratégicas são estoques de petróleo mantidos pelos países para serem usados em situações de emergência, como interrupções no fornecimento de energia. REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração Os países-membros da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) já liberaram cerca de 325 milhões de barris de petróleo e produtos derivados de suas reservas estratégicas desde março, informou a entidade neste sábado (3).

O volume corresponde a 80% dos 400 milhões de barris que os países haviam prometido disponibilizar em março, em uma ação coordenada para aumentar a oferta de petróleo e derivados no mercado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ➡️ As reservas estratégicas são estoques de petróleo mantidos pelos países para serem usados em situações de emergência, como interrupções repentinas no fornecimento de energia.

A atualização foi divulgada um dia depois de os países do G7 anunciarem a liberação imediata de mais 100 milhões de barris de petróleo bruto e diesel, em conjunto com a AIE. A medida é uma tentativa de aumentar a oferta no mercado e conter a alta dos preços dos combustíveis. Agora no g1 Por que o preço do diesel subiu A pressão sobre o mercado de diesel está relacionada à redução do fluxo de petróleo e derivados no comércio internacional.

De um lado, as exportações de petróleo e outros combustíveis dos países do Golfo foram afetadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em meio ao conflito com os Estados Unidos e Israel. O estreito é uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e derivados. De outro, instalações de energia da Rússia passaram a ser alvo de ataques da Ucrânia, em uma tentativa de Kiev de dificultar as operações militares de Moscou.

Mesmo com refinarias de outras regiões operando em plena capacidade, os preços dos combustíveis subiram fortemente em diversos mercados, incluindo o dos EUA, que é exportador líquido de petróleo e derivados. O impacto já chegou aos postos de combustíveis. No Reino Unido, o preço do diesel subiu 40% desde o início da guerra entre EUA e Irã e atingiu nesta sexta-feira (2) o equivalente a duas libras por litro, cerca de R$ 14.

A alta não afeta apenas motoristas. O diesel é usado no transporte de cargas e na produção agrícola, por exemplo, e o aumento do custo pode ser repassado para outros produtos e serviços. G7 decide liberar reservas O G7, grupo que reúne Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido, convocou uma reunião de emergência para discutir a crise no mercado de energia.

Os países decidiram liberar, de forma coordenada e com apoio da AIE, 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto de suas reservas estratégicas. Segundo o gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron, a liberação será imediata, com uma quantidade maior sendo disponibilizada nos primeiros 20 dias. A medida deve durar quatro meses.

O anúncio ocorreu em meio à pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, para que países europeus também liberassem parte de suas reservas. Trump vinha ameaçando reduzir as exportações americanas caso os aliados não aumentassem sua contribuição para ampliar a oferta de combustíveis. A União Europeia criticou a possibilidade de redução das exportações americanas.

Segundo o bloco, uma medida desse tipo poderia prejudicar o mercado internacional. Trump comemorou nas redes sociais o anúncio do G7. Os 100 milhões de barris são adicionais?

O G7 não informou se os 100 milhões de barris anunciados na sexta-feira (2) incluem os 75 milhões que ainda faltavam para cumprir o compromisso de 400 milhões de barris assumido em março ou se representam um volume adicional. A dúvida é relevante porque, até agora, os países já liberaram cerca de 325 milhões de barris, segundo a AIE. Se os 100 milhões de barris forem adicionais ao compromisso anterior, o volume total disponibilizado poderá chegar a 500 milhões de barris.

Se eles incluírem os 75 milhões que ainda faltavam, o total ficará em 400 milhões de barris, conforme o compromisso anunciado em março. Em março, a AIE informou que seus países-membros tinham mais de 1,2 bilhão de barris em reservas de emergência, além de cerca de 600 milhões de barris armazenados pela indústria para cumprir exigências dos governos.

As reservas estratégicas existem desde 1974, após a crise energética provocada pela Guerra do Yom Kippur, e têm como objetivo permitir uma resposta a interrupções repentinas no abastecimento de petróleo. *Com informações da AFP