'Minas são muitas': série do MG1 mostra os desejos dos eleitores de Serra da Saudade Depois de passar por Divinópolis, a equipe de reportagem da TV Integração seguiu viagem para Serra da Saudade, o município menos populoso do Brasil, no Centro-Oeste do estado. O repórter Gabriel Landim ouviu diferentes histórias, em Serra da Saudade, para compreender as preocupações com o presente e com o futuro, e o que define os votos dos eleitores.

A cidade começou como um povoado, que cresceu com a construção da ferrovia que ligava Belo Horizonte à Paracatu. Muitos viajantes paravam na estação ferroviária da localidade, levando materiais para a construção de Brasília. Mas a BR-262 redesenhou os caminhos da região, os trens foram retirados de circulação no trecho e a cidade de Serra da Saudade foi se tornando um refúgio de calma em um mundo cada vez mais acelerado.

Serra da Saudade (MG) Jornalismo TV Integração O palhaço de circo que encontrou segurança na terra natal e o jovem que sonha com mais oportunidades José Antônio, morador de Serra da Saudade (MG) Jornalismo TV Integração O aposentado José Antônio foi embora de Serra da Saudade de trem, quando os trilhos ainda existiam na região. Depois de rodar o Brasil como palhaço de circo, decidiu voltar para a menor cidade do país, onde encontrou a segurança e a tranquilidade com as quais sonhava.

"Aqui tudo é saudade, a gente conhece todo mundo, todo mundo acolhedor. Aqui nós somos uma família. Já fui palhaço de circo, járodei o Brasil inteiro.

O lugar que eu quero ficar é aqui, o meu lugar é aqui. Aqui não tem roubo. Quem dera se o mundo inteiro fosse igual aqui", afirmou o aposentado.

A cidade de 12 ruas tem cerca de 13 estabelecimentos, entre eles uma padaria, uma lotérica, uma mercearia, um mercado; e não tem posto de gasolina. A prefeitura emprega grande parte dos habitantes. "O que me incomoda aqui é a falta de recursos: aqui não tem uma farmácia, uma barbearia, um hotel, um posto de gasolina, isso faz muita falta em uma cidade", afirmou José Antônio.

A falta de oportunidades em uma cidade tão pequena também é um desafio para o Guilherme, que aos 18 anos de idade, trabalha no único mercado do município. "Aqui a gente joga um futebol na quadra, sai pra jogar em outra cidade. Não tem violência, não tem criminalidade, drogas, aqui você não encontra isso.

O lado ruim é que não tem oportunidade, se você quer evoluir, fazer uma faculdade, um concurso público, aqui infelizmente não é o lugar", disse Guilherme. A mãe que enfrentou dificuldades para estudar os filhos e a educadora que conquistou a habilitação para transportar pacientes do SUS Foi em Serra da Saudade, uma cidade que não tem faculdades ou cursos de capacitação, nem mesmo autoescola, que a Cristiane Araújo realizou o sonho de ser motorista.

Cristiane trabalhou como educadora infantil, mas sempre sonhou em dirigir. Mais do que isso: em fazer a diferença na vida das pessoas. Depois de ajudar no aprendizado de crianças, conseguiu tirar a habilitação, em outro município, e atualmente transporta pacientes do SUS para cidades da região.

"Eu trabalhava com crianças na creche, adorava trabalhar lá, e eu tinha um sonho de ser motorista. Eu fui atrás desse sonho, hoje trabalho na área e sou motorista da área da saúde. Foram 16 anos na educação infantil.

Corri atrás da carteira D e tenho vontade de tirar a E. A gente tem que correr atrás do sonho da gente e não deixar morrer", disse a motorista. Cristiane destacou ainda um outro sonho: o fim das filas do SUS, uma realidade com a qual convive todos os dias no trabalho, como motorista de pacientes.

"O sofrimento das pessoas na fila de espera por uma consulta dói, isso tinha que melhorar, muita gente morre esperando", completou a motorista. Se o sonho da Cristiane é mais saúde, o da Maria das Graças Amaral, aos 74 anos de idade, é o acesso à educação para os netos, sobretudo depois de enfrentar dificuldades para que os filhos fizessem faculdade.

"Estudei meu filho, minha filha e todos estão em um emprego bom, mas para estudar os filhos foi difícil, passei até necessidade, as vezes deixava de comer minha carne para dar pra eles, mas hoje me sinto vitoriosa. Meu sonho é ver os netos se formarem. Lutei, mas tudo valeu a pena", disse dona Amaral, como é conhecida na cidade.

Na terra da saudade, o voto que dá esperança para o futuro Gabriel Landim, repórter da TV Integração em Serra da Saudade Jornalismo TV Integração O município com pouco mais de 800 mil habitantes tem 1.287 eleitores: é a população inteira e mais metade dela votando. Um lugar de onde muitos saem, mas para onde sempre voltam, inclusive para votar. A cidade tem uma alta participação nas eleições: na última, 98 pessoas faltaram.

A abstenção municipal foi de 7%, enquanto a do Brasil foi de 23%. "Eu gosto de votar, tem que ajudar, votar em branco não vai ajudar. E a gente espera um candidato que vai ajudar a cidade, a população", afirmou Salvador Messias.

"Não sou obrigada a votar, mas eu gosto de ir lá: eu acredito que tem gente boa por aí, e eu sei que tem gente boa por aí", disse a aposentada. Conhecemos, em Serra da Saudade, uma Minas de afeto. Gabriel Landim, e o repórter cinematográfico Philippe Wolfgang e mais a produtora de jornalismo Michele Pereira contornaram a serra que dá nome à cidade em busca de novas histórias no próximo destino da séria Minas são muitas: Araxá.