Meteoro da chuva Orionídeas cruza o céu em registro feito em outubro de 2007. Brocken Inaglory/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0). Moradores das regiões de Ribeirão Preto (SP) e Franca (SP) poderão observar, entre a noite desta quarta-feira (21) e a madrugada de quinta-feira (22), a chuva de meteoros Orionídeas, formada por fragmentos deixados pelo cometa Halley em passagens pelo Sistema Solar.
O fenômeno poderá ser visto a olho nu, sem a necessidade de telescópios ou binóculos. O período mais favorável para a observação será depois da meia-noite, principalmente após a Lua se pôr, quando o brilho dela deixará de interferir na visualização dos meteoros. Em Ribeirão Preto, a Lua deve se pôr por volta das 3h, segundo dados do Time and Date, site norueguês especializado em informações astronômicas.
A partir deste horário, haverá uma janela de pouco mais de uma hora com o céu mais escuro, antes do início do clarear do dia. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Segundo o Observatório Dietrich Schiel, da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), áreas rurais, chácaras e fazendas afastadas dos centros urbanos são os locais mais indicados, desde que tenham pouca iluminação artificial e uma visão ampla do céu.
Agora no g1 A chuva de meteoros pode produzir cerca de 20 rastros luminosos por hora em condições ideais. No entanto, dentro das cidades, a quantidade visível tende a ser menor por causa da iluminação artificial e da claridade da Lua. De acordo com André Luiz da Silva, astrônomo do Observatório Dietrich Schiel, o principal desafio para observar a chuva de meteoros na região é a poluição luminosa, provocada pela iluminação das ruas, prédios e outros espaços urbanos.
LEIA TAMBÉM Detritos do cometa Halley vão riscar o céu nesta noite; veja como observar Em Ribeirão Preto, a concentração de luzes pode dificultar a visualização dos meteoros menos brilhantes. Por isso, a recomendação é procurar locais afastados do centro urbano, com pouca iluminação e sem obstáculos, como prédios e árvores, que prejudiquem a visão do céu. "A cidade dificulta, ainda mais que Ribeirão é uma cidade grande.
Então, tem mais poluição luminosa, o que também agrega uma dificuldade adicional a esse tipo de observação. Teria que ter um horizonte um pouco mais desobstruído e sem poluição luminosa ou com um mínimo de poluição luminosa", explica. Apesar disso, não é necessário sair da cidade para tentar acompanhar o fenômeno.
Segundo André, os meteoros também poderão ser vistos de quintais, varandas e sacadas de apartamentos, desde que exista uma boa visão do céu. "Dá para observar em um quintal da casa, ou mesmo do apartamento, de uma sacada ou de uma varanda, desde que essa varanda esteja voltada para o lado do leste." A direção leste serve como referência porque é por onde aparece a constelação de Órion, que abriga as conhecidas Três Marias.
É dessa região que os meteoros parecem surgir, embora os rastros luminosos possam aparecer em diferentes partes do céu. A presença de nuvens também pode prejudicar a observação, mesmo em locais com pouca iluminação. Neblina encobre prédios e muda a paisagem de Ribeirão Preto (SP) na manhã deste sábado (14) Joel Silva Qual é o melhor horário para observar?
O período mais indicado para observar a chuva de meteoros é durante a madrugada, depois da meia-noite e antes do amanhecer. Ainda segundo André, isso acontece porque, neste horário, o observador está voltado para a direção em que a Terra se desloca em sua órbita, o que aumenta a possibilidade de encontrar os fragmentos espalhados pelo espaço. O especialista compara a situação a uma viagem de carro: antes da meia-noite, seria como observar o movimento pelo retrovisor.
Depois desse horário, seria como olhar pelo para-brisa, na direção em que o veículo está seguindo. "Depois da meia-noite a gente está olhando para onde a Terra está se dirigindo. Então, na verdade, a gente está indo ao encontro deles.
É mais fácil desses objetos entrarem na atmosfera terrestre." Outro fator que influencia a observação é a Lua, que estará bastante iluminada e próxima da fase cheia. Mas o brilho dela pode ofuscar os meteoros mais fracos e reduzir a quantidade de rastros visíveis. "Esse tipo de fase também atrapalha porque a Lua termina jogando no céu, na atmosfera, uma poluição luminosa natural, no caso, mas é uma poluição luminosa que ofusca alguns dos meteoros.
E isso também reduz a quantidade de meteoros que a gente observaria se a Lua não estivesse presente." Por isso, na região de Ribeirão Preto, a recomendação é aproveitar o período depois que a Lua desaparecer no horizonte, por volta das 3h de quinta-feira (22), até o céu começar a clarear. Em Franca e nas cidades vizinhas, o período mais favorável também será durante a madrugada. O cometa Halley fotografado em 8 de março de 1986, na Ilha de Páscoa, no Chile.
NASA/W. Liller Como observar a chuva de meteoros? Ao contrário do que muita gente imagina, a chuva de meteoros não exige equipamentos especiais.
Segundo André, telescópios e binóculos podem até atrapalhar a observação, porque limitam a área do céu que a pessoa consegue enxergar. A orientação é procurar um local seguro e com pouca iluminação, acomodar-se em uma cadeira ou outro lugar confortável e observar o céu por, pelo menos, uma hora. "A gente nunca sabe exatamente onde vai aparecer o meteoro.
Então, quanto mais céu você observar ao mesmo tempo, melhor. A pessoa, na verdade, precisa sentar numa cadeira de praia e ficar olhando para cima, assim, distraidamente. [...] Tem que ficar olhando pelo menos uma hora, uma hora e meia." O especialista também alerta que, apesar do nome, a chuva de meteoros não significa que dezenas de riscos luminosos aparecerão simultaneamente.
"Quando a gente usa a palavra chuva, dá a impressão que [...] está caindo meteoro que não acaba mais, como se fossem gotas de chuva. E não é bem assim na prática." Mesmo durante o pico das Orionídeas, os meteoros aparecem de maneira espaçada. Por isso, é necessário ter paciência e permanecer algum tempo observando o céu.
Um meteoro passa pelas estrelas no céu noturno acima da necrópole de Smrike durante a chuva de meteoros Perseida em Novi Travnik, Bósnia e Herzegovina, na quinta-feira (13) Dado Ruvic/Reuters Veja as principais orientações para acompanhar o fenômeno: Procure um local escuro, afastado da iluminação das cidades e com uma visão ampla do céu; Prefira o período depois da meia-noite, principalmente após a Lua se pôr; Use as Três Marias, na constelação de Órion, como referência, mas observe também outras partes do céu; Não utilize telescópios ou binóculos; Reserve pelo menos uma hora para a observação; Escolha um local seguro e verifique se o céu estará sem nuvens.
O que o cometa Halley tem a ver com a chuva de meteoros? As Orionídeas acontecem todos os anos, quando a Terra atravessa uma região do espaço que contém poeira e pequenos fragmentos deixados pelo cometa Halley. Ao entrarem na atmosfera terrestre em alta velocidade, essas partículas produzem rastros luminosos conhecidos popularmente como estrelas cadentes.
"O que a gente vê é o rastro que ele produz. Esse rastro é chamado de meteoro." Os fragmentos podem atingir velocidades de aproximadamente 66 quilômetros por segundo, o equivalente a mais de 237 mil quilômetros por hora. Apesar do brilho observado no céu, os objetos são muito pequenos, muitos deles semelhantes a grãos de areia ou pequenas pedras.
Quem não conseguir acompanhar as Orionídeas nesta madrugada ainda terá outras oportunidades. A chuva continua ativa até o início de novembro, embora a quantidade de meteoros diminua gradualmente depois do pico. Segundo André, isso acontece porque a Terra atravessa uma extensa nuvem de partículas, cuja concentração é maior em determinados pontos.
"Depois disso, a pessoa pode observar? Pode, mas o número diminui e com ela, claro, a probabilidade de você ver os meteoros dessa chuva". Vídeo em 360 graus mostra momento em que meteoro de alta magnitude cruza o céu de Porto Alegre Observatório Espacial Heller & Jung *Sob a supervisão de Flávia Santucci Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
