Ponto de compra e venda de drogas se consolida na entrada de Porto Alegre Um ponto de venda e compra de drogas se consolidou na entrada de Porto Alegre, a 100 metros da Estação Rodoviária. Na região da Rua Voluntários da Pátria, usuários e traficantes circulam diariamente em meio ao movimento de quem chega à capital. A concentração de usuários e traficantes também tem reflexos na Estação Rodoviária.

Comerciantes relatam furtos, arrombamentos e roubos de fios, enquanto dependentes químicos circulam pelo terminal em busca de dinheiro para sustentar o vício. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Durante uma semana, a reportagem da RBS TV acompanhou a movimentação na região e registrou cenas de venda e consumo de drogas. A área está a cerca de 300 metros de uma delegacia da Polícia Civil e próxima a um posto da Guarda Municipal, que realiza operações no local.

Um dependente químico que frequentou a região descreveu como funciona a estrutura de venda do crack. “Tem o laranja, né? O cabeça de lata ali que vende, que é o petequeiro.

E tem o gerente que passa recolhendo, que é uma pessoa que não tem muito como ver quem é. Passa só recolhendo, essa pessoa já ganha um pouquinho mais, ganha em cima dos malotes", disse. Imagens registradas pela reportagem mostram pessoas negociando drogas, consumidores utilizando crack e suspeitos escondendo entorpecentes em um bueiro para dificultar a ação policial.

Em determinado momento, policiais militares fazem uma abordagem e colocam várias pessoas contra a parede. Ex-frequentadores do local afirmam que usuários também assumem funções na venda de drogas para conseguir dinheiro e manter o próprio consumo. Segundo esses relatos, uma facção criminosa controla a região e mantém um “gerente” para recolher, diariamente, o dinheiro do comércio de entorpecentes.

O tráfico não se limita às calçadas da Voluntários da Pátria. A reportagem flagrou negociações na fila de um restaurante popular localizado na Rua Garibaldi, onde são distribuídas refeições gratuitas a moradores de rua e pessoas de baixa renda. Um dependente químico disse que traficantes aproveitam a presença de usuários e a movimentação provocada pela distribuição de comida.

"Quando a polícia aproxima ali, eles vão pra fila do bandejão, né? Fila do almoço, até passar. Sempre passam ali as viaturas, passa a caminhonete também da polícia.

Mas a polícia também sabe quem é quem ali, né? Mas eles se infiltram no meio das pessoas de bem que estão indo pra almoçar ali, que não têm condições de pagar o almoço. E também vendem drogas pra essas pessoas que estão na fila.

Todo mundo sabe ali quem vai comprar, quem é quem", descreve. A doutora em ciências sociais Marlene Spaniol, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica por que o tráfico se aproveita de locais como esse. "Eles não perdem nenhuma oportunidade.

E como ali no local tem um restaurante popular, onde as pessoas de baixa renda vão e se alimentam, eles veem nisso uma oportunidade de explorar, de vender a sua droga, até porque muitos usuários também frequentam o restaurante. Então junta a oportunidade com a vontade deles de explorar o local, infelizmente", afirma. Uma comerciante com loja na Estação Rodoviária contou que teve o estabelecimento arrombado.

"Levou chocolate, bala, salgadinho, rapadura, barras de chocolate, as barrinhas menores, grande quantidade de coisa pequena", relata. "Já roubaram fios, entraram numa loja, arrombaram cadeado também. Inclusive a loja um dia ficou sem luz.

Aqui no estacionamento lateral eles estacionaram o carro, vieram só para fazer um lanche. E aí, quando voltaram a acionar os porteiros aqui, para ver, tinham roubado uma bolsa também", lamenta. Frequentadores do local também circulam pelo terminal em busca de dinheiro.

Durante a reportagem, uma mulher foi abordada e confirmou ser usuária de drogas. E que estava à procura de dinheiro para sustentar o vício. Outra estratégia observada foi pedir comida sob o argumento de que seria destinada à família.

Em um dos casos, um homem afirmou que a esposa e o filho estavam com fome. Acreditando no argumento do morador de rua, a reportagem comprou refrigerante e bolachas por R$ 22. O homem levou a sacola, atravessou a rua e, minutos depois, retornou e vendeu os alimentos por R$ 12 a um taxista.

Na sequência, ele foi acompanhado até o ponto de venda de drogas. Depois de negociar com um traficante, atravessou a rua e consumiu a droga na calçada, junto com outros usuários. Para quem trabalha com recuperação de dependentes químicos, a região passou a fazer parte da trajetória de muitos usuários que procuram tratamento.

O responsável por um centro de reabilitação de dependentes químicos em Porto Alegre afirma que a área aparece com frequência nos relatos dos pacientes. "É difícil hoje uma pessoa que chegue aqui procurando ajuda que não tenha passado por aquela região ali. Digamos que hoje virou a cracolândia de Porto Alegre e eles chegam aqui e a gente acaba escutando histórias absurdas sobre a região.

A gente acaba nem entendendo assim por que tanta gente num local de pequeno espaço, perto de policiamento, perto das coisas, e a gente vê que às vezes não é resolvido", declara. Segundo o Coronel Fabrício Rocha da Silveira, comandante do 9º BPM de Porto Alegre, são realizadas tanto ações de patrulhamento ostensivo, quanto a ação de abordagens qualificadas.

"Justamente no sentido de identificação das pessoas, identificação de possíveis contraventores, indivíduos ligados a organizações criminosas, indivíduos com mandado de prisão e no intuito, então, de fazer a prisão e a captura desses indivíduos", disse. Ponto de compra e venda de drogas se consolida na entrada de Porto Alegre perto da rodoviária, posto da polícia e guarda municipal Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS