Dentro da estratégia de trabalhar pela normalização das relações entre Brasil e Argentina, a equipe do presidente Lula já recebeu contatos e vai marcar encontros com parlamentares do país vizinho na próxima semana. Integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da Secretaria de Relações Institucionais vão receber em Brasília na um grupo de cerca de 10 deputados argentinos que fazem oposição ao governo de Javier Milei para discutir as relações entre os dois países.

Segundo assessores presidenciais, o Brasil está disposto a conversar tanto com a oposição como com a equipe de Milei para deixar para trás os atritos recentes. Eles destacam que, apesar do rebaixamento das relações diplomáticas, nada foi alterado na convivência entre os dois países. "Está tudo seguindo o ritmo normal", diz um assessor de Lula.

Agora no g1 Aliados históricos e principais parceiros econômicos na região, Brasil e Argentina vivem um momento de tensão entre os presidentes Lula e Milei e de rebaixamento nas relações diplomáticas entre o Itamaraty e a chancelaria argentina em razão dos ataques do presidente do país vizinho a Lula, que foi chamado de “ladrão”, “corrupto” e "presidiário". Milei, por sua vez, foi chamado pelos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) de "palhaço" e "caricatura patética".

Segundo apurou a GloboNews, as agendas e temas ainda estão sendo definidos, ou seja, quem vai receber os parlamentares e o que deve ser dito a eles. Em declarações públicas, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, tem tido que as relações diplomáticas permanecerão rebaixadas ao nível de encarregados de negócios (em vez de embaixadores) até que os ataques de Milei a Lula acabem.

Até o chanceler argentino, Pablo Quirno, que em um primeiro momento tentou reduzir a temperatura da crise afirmando que o país não levaria as divergências entre Lula e Milei para o campo institucional, passou a dizer que a região passa por uma mudança ideológica e que ele espera que isso aconteça no Brasil também – em referência às eleições de outubro. Milei apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

Os deputados argentinos que articulam as conversas com o Itamaraty são, por exemplo, Nicolás Massot e Martin Lousteau. Nas redes sociais, eles têm dito que o objetivo do encontro é "abrir um canal de diplomacia parlamentar e contribuir para recompor um vínculo que nunca deveria ter sido afetado". Os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Lula, do Brasil REUTERS