Debate com candidatos ao governo do Maranhão no Grupo Mirante Hudson Souza/Grupo Mirante O Grupo Mirante, em São Luís, realizou nesta quinta-feira (3) o debate entre os candidatos ao governo do Maranhão nas Eleições 2026. O encontro, promovido pelo Imirante/Mirante News, reuniu os concorrentes do primeiro turno das eleições para apresentação de propostas, perguntas entre os candidatos e discussão de temas de interesse da população maranhense.

Ao todo, os oito candidatos que disputam o governo do Maranhão foram convidados para participar do debate. Os nomes dos participantes foram confirmados para a disputa eleitoral e o encontro teve como objetivo apresentar ao eleitor as propostas e posicionamentos dos candidatos sobre temas relevantes para o estado. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Apenas três dos oito candidatos convidados participaram do debate: André Luís (Missão), Felipe Camarão (PT) e Saulo Arcangeli (PSTU).

Eduardo Braide (PSD), Dimas Cassimiro (PCO), Orleans Brandão (MDB), Reginaldo Lima (PCB) e Roberto Rocha (PRTB) não compareceram ao encontro. O debate teve duração aproximada de duas horas e foi transmitido ao vivo pelo Imirante.com, pelo canal do portal no YouTube e pela Rádio Mirante News FM 104,1. A mediação ficou sob responsabilidade da jornalista Carla Lima.

A ordem de apresentação dos candidatos foi definida por sorteio realizado momentos antes do início do encontro. O debate foi dividido em quatro blocos. 1º bloco: os candidatos fizeram uma apresentação pessoal e participaram de perguntas entre si com tema livre.

Por ordem de sorteio, cada participante escolheu um adversário para questionar. A dinâmica contou com pergunta, resposta, réplica e tréplica. 2º bloco: os candidatos responderam perguntas sobre temas definidos por sorteio.

Entre os assuntos abordados estavam segurança pública, saúde, esporte, educação, saneamento básico, meio ambiente, infraestrutura, cultura, mobilidade urbana, turismo, desenvolvimento social, desenvolvimento econômico e administração pública. 3º bloco: os candidatos novamente fizeram perguntas entre si, com tema livre. A dinâmica seguiu o formato de pergunta, resposta, réplica e tréplica.

4º bloco: os candidatos fizeram suas considerações finais. Nos blocos de perguntas e respostas, os candidatos tiveram 30 segundos para formular as perguntas, 1 minuto e 30 segundos para as respostas, 1 minuto para a réplica e 1 minuto para a tréplica. Primeiro bloco O primeiro bloco do debate entre os candidatos ao governo do Maranhão foi marcado por críticas às gestões anteriores, além de discussões sobre segurança pública, direitos trabalhistas, geração de emprego, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Felipe Camarão questionou Saulo Arcangeli sobre denúncias envolvendo a gestão estadual e a segurança pública no Maranhão. “Saulo, foi classificada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo Poder Judiciário um ecossistema criminoso. Não foi uma facção, não foi uma organização criminosa, foi um ecossistema criminoso instalado no Maranhão, a ponto de um secretário de Estado estar afastado e preso, de um dos sobrinhos do governador, primo do candidato, estar afastado das suas funções.

Como é que você acha que este governo e a sucessão de um sobrinho pode combater essa insegurança pública?”, perguntou Camarão. “Então, Felipe, nós temos realmente um ecossistema criminoso. Infelizmente, você fez parte desse governo.

Você rompeu há pouco tempo. A gente tem que combater esse esquema criminoso que gerou, inclusive, decisões de afastamento do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão, que é sobrinho do governador, porque eles têm uma oligarquia montada e esse esquema tem que ser esclarecido”, respondeu Saulo. Saulo Arcangeli questionou André Luís sobre propostas relacionadas aos direitos trabalhistas e à escala 6x1.

“André, o seu partido é pelo fim da Justiça do Trabalho. E a gente sabe, mesmo com todos os seus problemas, é o local onde os trabalhadores ainda conseguem reivindicar seus direitos, suas rescisões, seus salários. Você defende mesmo essas ideias, inclusive ser contra o fim da escala 6x1, que foi a vitória dos trabalhadores e trabalhadoras?”, perguntou Saulo.

“Sim, Saulo, nós defendemos sim o fim da Justiça trabalhista, porque para nós a justiça que tem que defender o trabalhador é a mesma justiça comum. A Justiça trabalhista é uma justiça muito cara e eu quero evidenciar os motivos da nossa defesa. O trabalhador está migrando, saindo do Brasil em busca de viver em outros países que a lei trabalhista simplesmente não existe, uma justiça trabalhista simplesmente não existe.

Eles trabalham por hora”, respondeu André Luís. André Luís questionou Felipe Camarão sobre a situação das pontes de acesso a São Luís e os problemas de infraestrutura no Maranhão. “A gente está um pouco assustado com a questão das pontes, a ponte dos Mosquitos está na iminência de cair.

Lembrando para você que nos vê do interior do estado, São Luís tem um acesso terrestre por duas pistas, uma ponte com duas pistas, e as duas, uma já estava em manutenção e a outra começou também a dar sinais de ruptura. Qual a sua proposta para a solução disso?”, perguntou André.

“A gente tem a alegria de ter anunciado aqui na minha apresentação que o presidente Lula já fez a ordem de serviço, começa no dia 10 de setembro, a obra da ponte do Estreito dos Mosquitos, que de fato ficou muito tempo sem manutenção”, respondeu Camarão. Segundo bloco O segundo bloco do debate entre os candidatos ao governo do Maranhão foi marcado por discussões sobre educação, segurança pública, turismo e mobilidade urbana.

Os candidatos apresentaram propostas para áreas consideradas estratégicas e trocaram críticas sobre a situação do estado. Felipe Camarão questionou André Luís sobre propostas para a educação maranhense. “André, nós sabemos que nacionalmente o seu partido defende homeschooling, militarização de escolas, entre tantas outras absurdas.

Mas me diz assim, com muita objetividade, sem ser resposta de chat: qual é a tua proposta para resolver a educação maranhense?”, perguntou Camarão. “A resposta é tecnologia, acesso para que os nossos jovens tenham possibilidade de passar no Enem sem precisar recorrer a universidades que não entregam um aluno pronto para o mercado de trabalho. Nós queremos focar muito em fazer com que a educação no estado seja uma educação técnica.

Foi isso que fez com que a Alemanha conseguisse atingir altos números de desenvolvimento econômico, colocando os jovens para sair prontos para o mercado de trabalho logo depois do ensino médio”, respondeu André Luís. André Luís questionou Felipe Camarão sobre segurança pública, citando o aumento da criminalidade e um caso recente de violência registrado em São Luís. “Lamentavelmente, nós estamos assustados mais uma vez com a criminalidade no estado do Maranhão.

Eu quero me colocar ao lado da família de Edemir Otávio, que foi baleado na saída de uma academia recentemente e passou por uma via-crúcis para conseguir atendimento. Qual a sua proposta para resolver esse problema da segurança pública?”, perguntou André. “Tenho o maior respeito pelas forças policiais do estado do Maranhão e sei o que elas têm passado com o atual governo.

As forças policiais do Maranhão ganham o terceiro pior salário do país. Nós temos que fazer a valorização das forças policiais, integração e inteligência entre as forças de segurança, além de investir em equipamentos e cuidar da saúde mental dos policiais”, respondeu Camarão. Saulo Arcangeli questionou Felipe Camarão sobre as políticas para o turismo no Maranhão e a integração do setor com outras áreas da administração pública.

“Nós sabemos que temos manifestações culturais muito importantes e vários locais onde podemos implementar e fortalecer o turismo, gerando trabalho e renda para a população. Infelizmente, você tem um modelo de desenvolvimento que não prioriza o turismo e tem problemas de saneamento e infraestrutura. Qual é a sua proposta para o turismo?”, perguntou Saulo.

“A primeira coisa é integrar turismo e cultura. O Maranhão tem coisas únicas, como o Bumba Meu Boi, o Tambor de Crioula, o Centro Histórico de São Luís, os Lençóis Maranhenses, a Floresta dos Guarás e a Chapada das Mesas. Precisamos fazer o turista chegar e gastar dinheiro no estado.

Para isso, temos que agregar serviços, investir em infraestrutura, segurança, saneamento e em um calendário permanente de cultura”, respondeu Camarão. André Luís questionou Saulo Arcangeli sobre mobilidade urbana e a situação do transporte público da Grande São Luís. “Recentemente nós tivemos a oportunidade de falar sobre a falta de solução para o transporte público na principal cidade do nosso estado.

Janeiro se aproxima e você fala muito que é a favor dos trabalhadores. Qual a sua proposta para os trabalhadores rodoviários, para que isso não aconteça novamente e eles consigam o seu reajuste sem precisar ir para as ruas?”, perguntou André. “O prefeito Eduardo Braide não resolveu o problema do transporte público de São Luís.

Nós defendemos que o transporte público seja estatal, com uma companhia de transporte que possa integrar os modais rodoviário, aquaviário e ferroviário. Não vamos conseguir isso entregando o serviço para empresas privadas”, respondeu Saulo. Terceiro bloco O terceiro bloco do debate foi realizado com temas livres e teve como principais assuntos saúde pública, desenvolvimento econômico, programas sociais e meio ambiente.

Felipe Camarão questionou Saulo Arcangeli sobre a situação da saúde pública no Maranhão e o atendimento aos pacientes. “Nós temos uma triste notícia para os pacientes oncológicos do Maranhão. O governo Brandão suspendeu serviços de tratamento para o câncer em Caxias e também aqui no Hospital do Câncer.

A saúde do Maranhão está colapsada, com filas intermináveis. Quais são suas propostas para melhorar a saúde pública do nosso estado?”, perguntou Camarão. “Temos que mudar esse modelo.

A Secretaria de Saúde precisa garantir concurso público. É um absurdo que há mais de dez anos não existam concursos estaduais na área. Precisamos estruturar os hospitais e garantir condições dignas para a população que depende da saúde pública”, respondeu Saulo.

Saulo Arcangeli questionou André Luís sobre desenvolvimento econômico, agronegócio e os impactos do Matopiba no Maranhão. “André, nós temos um modelo de desenvolvimento desde a década de 1970 com grandes empreendimentos ligados ao agronegócio, à mineração e à produção de energia. Eu pergunto: você é favorável ao Matopiba?

Você é favorável ao Plano Safra do governo federal?”, perguntou Saulo. “Sim, sou favorável ao Matopiba e mais que isso. Sou favorável a trazer para o Maranhão um modelo que tem dado certo no Mato Grosso.

Queremos que esses produtos que passam pelas nossas estradas comecem a gerar renda e trabalho no nosso estado, por meio da indústria, criando oportunidades de emprego e desenvolvimento econômico”, respondeu André Luís. André Luís questionou Felipe Camarão sobre a relação entre seu plano de governo e as políticas implementadas pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva. “Eu quero voltar ao nosso último encontro, quando você falou que ia fazer no Maranhão o que o Lula tem feito no Brasil inteiro.

Como as pessoas podem entender como uma coisa boa um governo que tem mais de 50% de rejeição?”, perguntou André. “Quero reafirmar para você que quero fazer pelo Maranhão o que o Lula faz pelo Brasil. Quero juntar o programa Pé-de-Meia com o Escola Digna, ampliar o ensino integral, fortalecer programas de habitação, saúde e assistência social, além de gerar emprego, trabalho e renda com o apoio do governo federal”, respondeu Camarão.

Ao final do bloco, a mediadora fez uma pergunta a Saulo Arcangeli sobre meio ambiente, saneamento e a balneabilidade das praias de São Luís. “Aqui já se falou um pouco sobre esgoto. Eu pergunto ao senhor, para a vulnerabilidade das nossas praias e para que realmente o problema seja resolvido: primeiro, tem solução?

E, se tiver solução, qual é? E mais: tem recursos para isso?”, questionou a jornalista. “Tem recursos.

O problema é a prioridade. O Maranhão investe muito pouco em saneamento. Precisamos valorizar a Caema, ampliar os investimentos, realizar concursos públicos e enfrentar problemas como a poluição dos rios, das praias e o uso excessivo de agrotóxicos”, respondeu Saulo.

Considerações finais Nas considerações finais, Felipe Camarão agradeceu ao Grupo Mirante pela realização do debate e aos candidatos que participaram do confronto de ideias. O candidato do PT destacou sua trajetória como procurador federal, ex-policial civil, professor universitário e ex-secretário de Estado, afirmando ter obras nos 217 municípios maranhenses.

Camarão também reforçou a parceria com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, defendeu programas nas áreas de educação, habitação, saúde e assistência social e afirmou que sua candidatura representa uma alternativa tanto à atual gestão estadual quanto aos projetos que classificou como de extrema direita e extrema esquerda. Saulo Arcangeli afirmou que o debate reuniu três projetos políticos distintos e criticou adversários que, segundo ele, fazem parte de grupos oligárquicos que governam o Maranhão há décadas.

O candidato do PSTU defendeu uma candidatura ligada à esquerda e apresentou propostas voltadas para obras públicas, saneamento básico, fortalecimento da Caema, agricultura familiar, pesca e agroindústria. Também destacou pautas ambientais, fez críticas ao avanço do agronegócio e à exploração de petróleo na Margem Equatorial e defendeu a distribuição de riqueza em favor dos trabalhadores.

André Luís agradeceu a oportunidade de participar do debate e afirmou representar uma alternativa à política tradicional do Maranhão. O candidato do Partido Missão destacou o combate à corrupção como principal bandeira da legenda e fez críticas aos grupos políticos que, segundo ele, dominam o estado.

André também defendeu propostas voltadas à industrialização, à interiorização da atividade econômica e à geração de emprego e renda, argumentando que o Maranhão precisa aproveitar melhor suas riquezas para promover desenvolvimento econômico.

Cinco candidatos faltam ao debate promovido pelo Grupo Mirante Cinco candidatos faltam ao debate promovido pelo Grupo Mirante Reprodução/Grupo Mirante Cinco dos oito candidatos convidados para o debate ao governo do Maranhão não participaram do encontro promovido pelo Grupo Mirante. Roberto Rocha (PRTB) informou, por meio de sua assessoria, que não compareceu por estar cumprindo compromissos de campanha fora do estado. Reginaldo Lima (PCB) comunicou que não participou do debate por questões de saúde.

A assessoria de Eduardo Braide (PSD) informou por telefone que o candidato não compareceria ao debate, mas não apresentou justificativa para a ausência. Orleans Brandão (MDB) também não compareceu. Apesar de a assessoria ter enviado anteriormente informações indicando sua participação, não foi informado o motivo da ausência.

Já Dimas Cassimiro (PCO) havia confirmado presença, mas não compareceu ao debate e não teve justificativa divulgada pela organização.