Inquérito aponta homicídio planejado por família para obter bens de idoso em Bandeirantes A investigação da Polícia Civil (PC-PR) concluiu que José Teixeira da Silva, de 77 anos, foi morto porque a esposa, o amante dela e a filha queriam ter acesso ao patrimônio dele. O crime aconteceu em Bandeirantes, no Norte do Paraná. Na madrugada do dia 22 de agosto, o idoso foi assassinado enquanto estava deitado, de fraldas, na cama da casa dele.
Inicialmente, a morte foi comunicada pela própria esposa como um latrocínio. Entretanto, os policiais perceberam inconsistências nas versões e identificaram que tratava-se de um homicídio planejado. O inquérito policial foi concluído nesta segunda-feira (31), com o indiciamento de Valquíria Sandoval (esposa), Anderson Justino Estevão (amante de Valquíria) e Amanda Sandoval Teixeira da Silva (filha).
✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp O g1 entrou em contato com a defesa dos suspeitos e não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Clique aqui para ler a manifestação do advogado enviada no dia 24 de agosto. Da esquerda para a direita, Valquíria, Anderson e Amanda.
Reprodução Quando foram confrontadas no decorrer da investigação e prestaram depoimentos ao delegado, Valquíria e Amanda tentaram justificar o crime ao dizer que sofreram maus-tratos ao longo da convivência com José. A esposa também disse que o idoso havia negado dinheiro para custear o tratamento da filha. Essas versões apresentadas não foram comprovadas pela polícia e foram desconsideradas.
Ao final, ficou concluído que havia apenas interesse nos bens da vítima. Leia abaixo: "A motivação do crime baseou-se em motivos estritamente patrimoniais e no relacionamento extraconjugal clandestino das partes, desconstituindo-se em absoluto a alegação de maus-tratos ou recusa de assistência médica a Amanda. Conforme declaração de familiares, a vítima sempre proporcionou condições de vida extremamente confortáveis e custeou integralmente o tratamento de esclerose múltipla de sua filha", diz o documento.
Valquíria e Anderson foram indiciados por homicídio qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima), fraude processual qualificada pela simulação da cena de roubo, comunicação falsa de crime e posse irregular de arma de fogo. Amanda, além do homicídio qualificado, também foi indiciada por fraude processual qualificada (por ter apagado histórico de conversas do celular).
O inquérito ressaltou que ela teve participação ao apresentar "omissão dolosa frente ao dever legal de agir". José Teixeira da Silva, de 77 anos. Reprodução Entenda o caso em sete pontos: Como foi o primeiro registro do crime Contradições identificadas pela polícia Dinâmica do crime, segundo a polícia Defesa dos suspeitos Como foi o primeiro registro do crime Perícia realizada na casa do casal.
Reprodução No início da madrugada do dia 22 de agosto, a Polícia Militar (PM-PR) foi acionada para atender a uma situação de disparo de arma de fogo. No local, constatou-se a morte de José e também o roubo do carro dele. Valquíria relatou aos policiais militares que havia levantado da cama para beber água e, então, ouviu o disparo.
Quando escutou o barulho, disse ter ido ao quintal para prender o cachorro e, ao voltar para casa, viu dois homens saindo com o carro. A mulher também afirmou ter corrido para a rua para pedir ajuda, e os vizinhos que saíram para socorrê-la viram José baleado em cima da cama. Por fim, a esposa disse que, além de cometerem o homicídio e roubarem o carro, os homens também teriam levado R$ 15 mil.
As portas e janelas da casa estavam abertas, mas Valquíria afirmou aos policiais que era um costume não trancá-las porque o bairro é tranquilo. Contradições identificadas pela polícia No inquérito, a polícia identificou diversas inconsistências nas declarações de Valquíria: depois de dizer ter visto os suspeitos fugindo, ela mudou o relato e falou não ter flagrado a ação; priorizou prender um cão no momento do crime; mudou a quantia de dinheiro roubada, de R$ 10 mil para R$ 15 mil.
Além disso, José estava acamado naquele dia, o que não era compatível com um roubo "barulhento" como o que foi narrado. "Embora a capitulação inicial seja latrocínio, a dinâmica fática e o comportamento da testemunha sugerem a simulação de um crime patrimonial para encobrir uma execução", consta no documento. Dinâmica do crime, segundo apuração da polícia Para a polícia, Valquíria iniciou o plano para assassinar José há um mês, com a ajuda de Anderson.
O homem foi à casa da vítima entre o fim da noite do dia 21 de agosto e o início da madrugada do dia 22. A esposa trancou os cachorros, abriu o portão, entregou a arma e foi para o fundo do imóvel. Depois de atirar contra o idoso, Anderson fugiu com o carro dele e o abandonou em uma área de vegetação da cidade.
A filha, segundo a polícia, foi avisada sobre o plano e não impediu ou denunciou a mãe. No dia, ela viajou a Londrina e soube que o crime havia sido cometido. "A autoria é inequívoca e recai sobre os três indiciados, cujas condutas coordenadas viabilizaram a consumação do homicídio", diz o documento.
Defesa dos suspeitos Os advogados Sivaldo Pires Bento e Bruno Cesar Carlota dos Santos disseram, em nota enviada ao g1 no dia 24 de agosto, que acompanham o caso. Leia na íntegra: "A defesa esclarece que as investigações acerca dos fatos ocorridos em Bandeirantes permanecem em curso, não sendo possível tratar como definitivas as conclusões apresentadas até o momento.
As declarações prestadas na fase policial, apresentadas como 'confissões' são expressamente questionadas pela defesa quanto à sua voluntariedade, diante das circunstâncias em que foram obtidas, incluindo a proibição de contactarem seus advogados, a forte pressão psicológica e privação de alimentação e água por aproximadamente 7 horas de interrogatório. A própria manifestação do Ministério Público reconhece que tais circunstâncias ainda poderão ser melhor apuradas no decorrer da investigação.
Até o momento não há decisão judicial sobre o direito dos investigados responderem o processo em liberdade. Seguiremos colaborando com a Justiça para o completo esclarecimento dos fatos, sem, contudo, abrir mão dos direitos e garantias fundamentais assegurados pela Constituição, especialmente o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência." VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Norte e Noroeste.
