O petróleo voltou a ultrapassar os US$ 100 nesta quarta-feira (9), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Essa é a primeira vez em mais de um mês que a commodity alcança esse patamar. Perto das 8h20, o petróleo do tipo Brent, referência internacional, subia 2,65%, cotado a US$ 100,51 por barril.

Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, tinha alta de 2,14% no mesmo horário, a US$ 95,02 o barril. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O avanço dos preços da commodity no mercado internacional acompanham o aumento das preocupações com o fluxo de petróleo na Oriente Médio.

O conflito entre os EUA e o Irã já dura seis meses. Nesta semana, ataques dos Houthis, apoiados pelo Irã, a instalações de energia sauditas incendiaram instalações petrolíferas. Agora no g1 Os ataques Houthis podem ameaçar os embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, que tem sido uma rota alternativa fundamental ao crucial Estreito de Ormuz — rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo e que teve o fluxo severamente reduzido desde o início da guerra.

Após os ataques, um porta-voz militar dos Houthis afirmou que o grupo anunciará uma ampla operação militar em território saudita, sinalizando uma possível escalada do conflito. De acordo com o Ministério da Energia da Arábia Saudita, algumas instalações no sul do país foram atingidas e tiveram as atividades suspensas. Equipes de bombeiros e de emergência foram mobilizadas para controlar os incêndios e avaliar os danos.

"As autoridades competentes estão lidando com as repercussões dos ataques", afirmou o ministério em comunicado. Segundo a pasta, serão adotadas medidas para garantir a segurança dos trabalhadores e a continuidade das operações. Já na véspera, vários navios petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária foram atacados pelos EUA.

A ofensiva teria sido uma retaliação a uma tentativa do Irã de atingir um navio da Marinha americana. Segundo o Comando Central dos EUA, cinco embarcações foram destruídas. Com o aumento das tensões, um número crescente de bancos, incluindo o Goldman Sachs, o Bank of America e o HSBC, tem elevado suas previsões para o preço do petróleo bruto.

Caso essa estimativa de confirme, a expectativa é que o avanço nos preços da commodity tragam novos impactos aos preços de energia e na inflação global, trazendo, possivelmente, novas altas das taxas de juros em diversos países pelo mundo.

Na semana anterior à retomada dos combates, em 30 de agosto, cerca de 8 a 9 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) haviam passado pelo Estreito de Ormuz, o dobro do volume da semana anterior, segundo o economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti, informou a Reuters. Mais recentemente, esse volume caiu para menos de 2 milhões de bpd.

Embora os produtores de petróleo fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), incluindo EUA, Canadá e Guiana, tenham aumentado a produção, a Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou no mês passado que esperava que a oferta global de petróleo caísse este ano em 4,3 milhões de bpd, ou cerca de 4%.