Gestão, cultura e impacto social são discutidos em encontro de administradores em Manaus Foto: João Paulo Oliveira/Fundação Rede Amazônica A relação entre gestão, cultura e impacto social foi tema de debate nesta quarta-feira (16), no Teatro Manauara, em Manaus.
A discussão marcou o encerramento do 24º Encontro de Administração do Amazonas (ENADAM), durante o Debate Qualificado “Cultura, Inclusão e Desenvolvimento”, que reuniu estudantes de Administração, profissionais da área, professores universitários, empreendedores e representantes de diferentes setores.
Participaram da mesa Mariane Cavalcante, diretora-executiva da Fundação Rede Amazônica; Cândido Jeremias, diretor-presidente da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC); e Rafa Militão, DJ, rapper e produtora cultural. A conversa foi mediada pelo administrador Inácio Guedes, presidente do Instituto Amazônico de Mediação e Administração Empresarial (IAME Amazônia).
Ao apresentar experiências da Fundação Rede Amazônica, Mariane destacou que projetos desenvolvidos na região precisam considerar as características de cada território. Para ela, iniciativas planejadas para uma realidade não podem ser simplesmente replicadas em outra comunidade. “Acho que nenhuma equidade nasce sem respeitar as diferenças.
A gente vive numa região com dimensões continentais, com peculiaridades, com povo e cultura diferentes, com manifestações locais. Então, a gente não pode chegar lá com o projeto pronto e entender que o projeto aqui de Manaus vai ser o mesmo projeto que vai ser realizado lá em Macapá.” 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A necessidade de adaptar as iniciativas às condições de cada localidade também foi abordada por Cândido Jeremias.
Segundo ele, questões como distância, logística e custos precisam fazer parte do planejamento de projetos culturais na região. Agora no g1 “O valor amazônico pra eu desenvolver um projeto lá em São Gabriel da Cachoeira não pode ser o mesmo valor pra eu executar um projeto lá em São Paulo, Rio de Janeiro.” Nesse contexto, Mariane explicou que o primeiro passo para desenvolver uma iniciativa é entender as características do território e o público que será alcançado.
“Quando a gente vai desenvolver esses projetos, eu acho que é fundamental a realização de um diagnóstico, pra entender de fato o que aquele território precisa, quem são as pessoas, aonde a gente quer impactar.” Cândido também chamou atenção para a presença da produção cultural em diferentes espaços da Amazônia, das comunidades ribeirinhas às periferias e municípios do interior. Para ele, o poder público tem papel importante na criação de condições para que essas manifestações possam se desenvolver.
“O artista, a cultura, ela tá em qualquer comunidade, seja ribeirinha, seja na periferia, seja interior que for. O poder público tem um dever muito grande de potencializar essa cultura.” Pipoca em Cena como case Entre os exemplos apresentados durante o debate esteve o Pipoca em Cena, projeto da Fundação Rede Amazônica que utiliza o audiovisual como ferramenta de educação e protagonismo para estudantes de escolas públicas.
Os participantes desenvolvem histórias, roteiros e curtas-metragens a partir do olhar sobre os próprios territórios. Para Mariane, a experiência mostra que a cultura pode desempenhar uma função que vai além do entretenimento. “A cultura, muita gente pensa que cultura é evento, é festa, e não é.
A cultura é muito mais do que entretenimento. Ela também é desenvolvimento, mas você desenvolve ali, você promove o desenvolvimento das pessoas.” Cândido destacou que o projeto também proporciona aos estudantes contato com diferentes etapas da produção audiovisual, incluindo a criação de roteiros e a dramaturgia. “Não é só um produto de audiovisual, um cinema.
A gente traz oportunidade pros estudantes que estão nas escolas públicas terem a oportunidade de criar roteiros, escrever roteiros, textos, trabalhar a parte da dramaturgia.” A experiência também foi utilizada para discutir o acompanhamento dos resultados de projetos sociais e culturais. Mariane explicou que os indicadores permitem verificar os efeitos das ações e identificar quando é necessário mudar os caminhos planejados. “Você precisa mensurar resultados.
Você precisa saber de fato se o que você desenhou tá realmente impactando aquelas pessoas e tá deixando um legado.” A discussão também chegou à realidade de quem atua diretamente no setor cultural. Rafa Militão falou sobre a necessidade de administrar a própria carreira e desenvolver uma visão profissional sobre a atividade artística. “Eu já comecei a me entender como empresa.
Já comecei a me entender como uma marca.” Com o tema “Gestão & Cultura – Conectando Mercados, Comunidades e Inovação”, o 24º ENADAM foi realizado nos dias 15 e 16 de setembro, no Teatro Manauara. Ao longo dos dois dias, o encontro abordou temas relacionados à gestão, economia criativa, inovação, sustentabilidade, marketing e negócios culturais.
