Fernando Haddad (esq.) e Tarcísio de Freitas (dir.) durante sabatina no SP1 Reprodução Os candidatos ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) foram entrevistados pelo SP1 nesta semana. Conduzidas pelo jornalista Alan Severiano, as conversas sobre os principais temas do estado foram exibidas ao vivo no telejornal.
✅ Siga o canal de Fato ou Fake no WhatsApp O público pôde acompanhar a transmissão pela TV Globo e pelo g1, que depois disponibilizou a íntegra, assim como o Globoplay. Foram convidados os dois candidatos mais bem colocados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 8 de setembro. Um sorteio, com a presença de representantes dos partidos, definiu a ordem das entrevistas.
Segunda-feira (14) - Fernando Haddad (PT) – leia mais sobre a sabatina Terça-feira (15) - Tarcísio de Freitas (Republicanos) – leia mais sobre a sabatina A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações dos candidatos. Leia: Fernando Haddad (PT) "Eu não vou aceitar, depois da privatização [da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM)], aumentar 27% das falhas, como a imprensa está noticiando."
g1 A declaração #É FATO. Veja por quê: O número de falhas nos trens e metrôs de São Paulo cresceu 27% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da produção da TV Globo, que sistematiza diariamente esses dados. De janeiro a junho, foram registradas 205 falhas, contra 161 ocorrências no mesmo período de 2025.
O levantamento considera falhas técnicas e mecânicas, como problemas nos trilhos, maquinário e rede aérea, além de descarrilamentos. Não entram na contagem ocorrências provocadas por suicídios, atropelamentos, acidentes no vão entre o trem e a plataforma e alagamentos. As linhas privatizadas foram as que registraram o maior crescimento no número de falhas no primeiro semestre de 2026.
Foram 89 ocorrências nos seis primeiros meses deste ano, contra 57 no mesmo período de 2025 — alta de 56%. Na Linha 7-Rubi, operada pela TIC Trens, o aumento foi de 600%: foram registradas 21 falhas no primeiro semestre de 2026, contra três no mesmo período de 2025. A TIC Trens assumiu a operação da Linha 7-Rubi em 26 de novembro de 2025.
Portanto, no primeiro semestre de 2025, o trecho ainda era operado pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Na Linha 4-Amarela, operada pela ViaQuatro, também houve aumento. Foram cinco falhas no primeiro semestre de 2025 e 16 no mesmo período deste ano — alta de 220%.
"Você sabia que menos do que 5% dos crimes cometidos no estado de São Paulo são esclarecidos, segundo dados do próprio governo?"
g1 #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa de Fernando Haddad afirmou que o percentual mencionado na entrevista consta do plano de governo de Tarcísio de Freitas de 2022. O documento reproduz uma reportagem publicada pela Jovem Pan com dados de 2018.
O cálculo considerava apenas cinco tipos de crimes registrados entre janeiro e outubro daquele ano: homicídios, estupros, latrocínios, roubos e furtos. De 788.405 ocorrências, 32.150 teriam sido esclarecidas — menos de 4%. O indicador, portanto, não corresponde ao total de crimes cometidos no estado de São Paulo nem permite afirmar que menos de 5% de todos os crimes são esclarecidos.
Trata-se de um levantamento de 2018, com números defasados. A assessoria do candidato também informou ter solicitado à Secretaria da Segurança Pública (SSP), via Lei de Acesso à Informação (LAI), registros de crimes esclarecidos, mas não obteve resposta. A base de dados abertos da SSP, por sua vez, não divulga no site oficial o número total de crimes esclarecidos no estado.
A pasta disponibiliza apenas estatísticas criminais e indicadores de produtividade, como número de prisões e apreensões de drogas e armas, mas não um percentual geral de esclarecimento de todos os crimes. Um levantamento lançado em junho de 2026 pelo Instituto Sou da Paz, intitulado "Diagnóstico sobre a investigação de homicídios no Brasil", analisou a taxa de esclarecimento de homicídios dolosos (com intenção de matar) no Brasil entre 2020 e 2023.
No estado de São Paulo, a média de esclarecimento no período foi de 40% (quatro em cada dez). Segundo a pesquisa, a média nacional também ficou em torno de 40%. O material foi elaborado a partir de dados oficiais sistematizados pelo Instituto Sou da Paz e obtidos junto aos Ministérios Públicos e Tribunais de Justiça dos estados.
"Ele [Tarcísio de Freitas] pagou mais ou menos alguma coisa em torno de R$ 7 bilhões de indenização para as concessionárias. R$ 3,5 bilhões no Metrô, R$ 2,5 bilhões mais ou menos por conta da queda de arrecadação de pedágios durante a pandemia."
g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: Em dezembro de 2025, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) autorizou um reequilíbrio econômico-financeiro de R$ 3,7 bilhões à concessionária responsável pela construção da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo. A agência também aprovou reequilíbrios econômico-financeiros para 17 concessionárias de rodovias paulistas, totalizando R$ 2,5 bilhões.
Somados, os valores chegam a R$ 6,2 bilhões – próximo à cifra mencionada pelo candidato na entrevista desta segunda. No caso da Linha 6-Laranja, a decisão mencionou as "consequências da materialização do risco geotecnológico identificado na Estação Higienópolis-Mackenzie, que ocasionou o atraso do empreendimento em 1.096 dias".
Já no caso das concessionárias de rodovias, os reequilíbrios foram justificados pelos "impactos da pandemia de Covid-19 sobre a receita tarifária no período compreendido entre março de 2020 e dezembro de 2022". Os repasses às concessionárias das rodovias foram distribuídos entre empresas como Autoban, Ecovias, ViaOeste, SPVias, Renovias, Rota das Bandeiras, EcoPistas e outras. "Quando eu assumi o MEC [Ministério da Educação], tínhamos 5 milhões de brasileiros com diploma universitário.
Hoje, temos 25 milhões de brasileiros com diploma universitário."
g1 #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Fernando Haddad assumiu o Ministério da Educação em julho de 2005 e permaneceu no cargo até janeiro de 2012. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada no final de 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia na época 8 milhões dos brasileiros com 25 anos ou mais com diploma.
Ou seja: 3 milhões de pessoas a mais que o número citado por Haddad na entrevista desta terça. Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa do candidato respondeu: “As pessoas ocupadas no mercado de trabalho e com diploma eram em torno de 5 milhões em 2002 e foram cerca de 25 milhões em 2024”. Mas 2002 não marcou o início da trajetória de Haddad à frente do MEC.
Aquele, na verdade, foi o último ano antes de Lula (PT) assumir a Presidência da República. Dados de 2002, disponíveis para consulta pública no site do IBGE, confirmam que 5,8 milhões de brasileiros tinham diplomas universitários à época. Além disso, a comparação entre os números da PNAD é aproximada, uma vez que, até 2012, a pesquisa era divulgada anualmente.
Desde então, houve substituição pela PNAD Contínua, modelo que faz uma coleta trimestral. "Educação de São Paulo, que já foi o 1º lugar no ensino médio público, era a primeiro lugar em 2015, caiu para terceiro na gestão [João] Dória e caiu para 10º na gestão do Tarcísio."
g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: O Fato ou Fake consultou três relatórios técnicos com dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), disponíveis na página do Ministério da Educação, e confirmou os números apontados pelo candidato. Em 2015, considerando o ensino médio da rede estadual, São Paulo alcançou nota 3,9 e empatou com Pernambuco na 1ª colocação entre todas as unidades da federação.
O Ideb acompanha a qualidade da educação básica no Brasil a partir da combinação do desempenho dos alunos em avaliações de aprendizagem com dados de aprovação escolar – a escala vai de 0 a 10. O índice considera as médias de língua portuguesa e matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e as taxas de aprovação do Censo Escolar. Em 2021, quando João Dória era governador, São Paulo teve nota 4,4 e ficou na 3ª posição, atrás de Paraná (4,6) e Goiás (4,5).
No Ideb de 2025, o mais recente, São Paulo teve nota 4,3 no ensino médio da rede estadual e caiu para a 10ª colocação entre os estados. Tarcísio de Freitas (Republicanos) "Temos visto a redução dos indicadores criminais: menores indicadores de roubos e furtos, de roubo de carga, de roubo de veículos, de latrocínio e de homicídios da série histórica." Selo Fato (Horizontal) g1 A declaração é #FATO.
Veja por quê: Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) enviados ao Fato ou Fake, o estado registrou em 2025 os menores números da série histórica para roubos, homicídios, latrocínios, roubos de veículos e roubos de carga. Foram 2.438 homicídios dolosos em 2025, uma redução de 3% em relação a 2024, quando houve 2.517 registros. Segundo a pasta, trata-se do menor índice desde o início da série histórica, em 2001.
Dos 645 municípios paulistas, 289 não registraram nenhum homicídio doloso em 2025, o equivalente a 45% das cidades do estado. O governo afirma que foi o melhor resultado desde 2021. A SSP-SP aponta que 174 municípios não tiveram registro de roubo no ano passado.
Isso corresponde a 27% dos municípios, ou aproximadamente uma em cada quatro cidades do estado. Os roubos também atingiram o menor patamar da série histórica: 161.310 casos em 2025, queda de 16,7% em relação aos 193.658 de 2024. Segundo a SSP-SP, também foram registrados os menores números da série histórica para roubos de veículos e de carga e para latrocínios.
"Ampliamos em 500 unidades a quantidade de escolas em tempo integral." Selo Não é Bem Assim (Horizontal) g1 #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: De acordo com o Portal da Transparência da Educação, da Secretaria de Educação do Governo de São Paulo, o estado tem atualmente 2.487 escolas que oferecem ensino em tempo integral. No entanto, a previsão para o primeiro semestre de 2023, ainda referente à gestão anterior de Rodrigo Garcia (PSDB), já era de 2.331 escolas em tempo integral.
Como esse número já estava previsto antes do início da gestão de Tarcísio, ele não pode ser contabilizado como uma expansão realizada pelo atual governo. Tarcísio, portanto, já iniciou a gestão com esse patamar. Considerando as 2.487 escolas atualmente informadas, o aumento efetivamente registrado durante sua gestão foi de 176 unidades, e não 500.
"A gente [o estado de São Paulo] sai de uma média de 382 pontos [no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Pisa] para uma média de 427 pontos. A gente ajudou, inclusive, o Brasil a não perder posições [no ranking]. Nós tivemos o melhor resultado no Pisa na questão de ciências, matemática e também na fluência leitora, na parte de português.
[…] A gente conseguiu diminuir a nossa distância em relação às escolas particulares."
g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), avalia a capacidade de jovens de 15 anos aplicarem conhecimentos adquiridos na escola em situações do cotidiano. A edição mais recente, o Pisa 2025, foi divulgada em 8 de setembro.
No Brasil, a aplicação e a operação ficam a cargo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação. Em 2025, o estado São Paulo teve seu melhor resultado histórico, com 427 pontos na média de ciências, leitura e matemática. E ficou em segundo lugar entre os estados brasileiros, atrás do Paraná.
Em 2006, a média havia sido de 382, como também disse o candidato na entrevista desta terça. Os dados estão acessíveis para consulta no site do próprio Inep. Além disso, São Paulo teve a menor diferença entre as redes pública e privada entre os dez estados brasileiros de melhor desempenho no Pisa 2025.
Questionada pelo Fato ou Fake sobre alegação de que São Paulo “ajudou o Brasil a não perder posições” no ranking global, a assessoria de Tarcísio de Freitas afirmou que a Secretaria da Educação paulista fez uma simulação para medir o peso do estado no resultado nacional. Nessa conta, a pasta calculou qual seria média do país se fossem excluídos os estudantes de SP, cenário em que o Brasil teria pontuação inferior.
A simulação apontou perda de quatro posições em leitura e de duas em ciências e matemática, segundo a campanha de Tarcísio. "O estado, que fazia 750 mil cirurgias por ano, está fazendo 1,5 milhão."
g1 #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Entre 2015 e 2022, segundo dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), o estado de São Paulo registrou uma média anual de 757 mil cirurgias eletivas. Nos anos seguintes, o número aumentou, mas não chegou ao patamar de 1,5 milhão de operações.
Em 2023, o número ficou em cerca de 1 milhão de cirurgias eletivas. Em 2024, foram 1.191.177 procedimentos. O recorde da série histórica aconteceu em 2025, quando São Paulo registrou 1.249.053 cirurgias eletivas realizadas pelo SUS.
Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria do governador disse que, na verdade, o número de 1,5 milhão citado na entrevista desta terça não é um dado oficial, mas uma projeção para 2026. "Considerando os dados de janeiro a julho deste ano, e levando em conta que nestes meses ainda devem entrar dados no sistema — já que os hospitais têm até 90 dias para inseri-los, já chegamos a 746.192. Portanto, conforme afirmação do governador, chegaremos a cerca de 1,5 milhão de cirurgias", afirmou a campanha.
"Agora, como é que você vai fazer a despoluição do Tietê sabendo que Guarulhos, até bem pouco tempo atrás, até outro dia desse, tratava só 2% do esgoto? Hoje está tratando 45%."
g1 A declaração #É FATO. Veja por quê: Dados do antigo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam que, em 2016, o índice de tratamento do município de Guarulhos foi 2,12%. Procurada pelo Fato ou Fake por e-mail, a Sabesp enviou os dados de 2026 sobre o tratamento de esgoto em Guarulhos: "O índice atual de tratamento é de 45% e o de coleta, 94,1%".
Participaram da checagem: Gustavo Honório, João de Mari, Jorge Fofano e Letícia Dauer.
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