Edson Fachin na abertura dos trabalhos do segundo semestre no STF Gustavo Moreno/STF O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, convocou o plenário da Corte para discutir na próxima terça-feira (15) o relatório da Polícia Federal (PF) que apontou uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. Na sessão, os ministros vão discutir a validade do documento da PF feito a pedido do ministro André Mendonça.
O documento sofreu críticas de alguns ministros da Corte. Na avaliação deles, Mendonça pediu para investigar um colega sem autorização do plenário. Outras decisões de Fachin nesta quarta-feira (9): suspendeu a decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada; suspendeu a decisão de Flávio Dino que os reintegrou aos cargos; assumiu a relatoria do inquérito das Fake News, que estava sob comando de Moraes.
Na sessão do dia 15, os ministros também vão decidir sobre o pedido de nulidade da Procuradoria-Geral da República (PGR) e devem definir se será aberta ou arquivada investigação contra Moraes. A PGR argumentou que Mendonça não deveria ter solicitado apuração sobre o destinatário das mensagens do ex-banqueiro, sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF, e também que a competência para decidir sobre a eventual apuração envolvendo Moraes é do plenário do STF.
Na manifestação, a PGR não disse, entretanto, se as condutas apontadas pela PF poderiam representar indícios de crimes ou não. A crise no STF envolvendo Mendonça e Moraes começou a partir de decisões nas investigações sobre o Banco Master. Envolveu também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino.
🔎 Mendonça é relator de apurações relacionadas ao banco e de um inquérito sobre repasses para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Diálogos no celular de Vorcaro As conversas de Vorcaro com interlocutores ocorreram por meio do aplicativo WhatsApp entre março de 2024 e agosto de 2025. O celular do ex-banqueiro foi apreendido pela PF na Operação Compliance Zero.
O relatório da PF se tornou público na terça-feira (1º) após Mendonça retirar o sigilo do documento. Os registros estavam em um capítulo do relatório da PF dedicado a "outros encontros entre DANIEL VORCARO e ALEXANDRE DE MORAES", parte de um inquérito policial que investiga as relações e a atuação do banqueiro. O documento apresentava 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
Como o material foi produzido a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro, as respostas do ministro não apareciam no relatório.
