O candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), defendeu nesta quinta-feira (3), em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", que o ministro Alexandre de Moraes deixe o Supremo Tribunal Federal (STF) diante das suspeitas que recaem sobre o magistrado.
Nesta segunda-feira (01), uma troca de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro sinaliza que o ministro discutia com o ex-dono do Banco Master a possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo. Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD. Jornal Nacional/ Reprodução Os diálogos estão em um relatório enviado pela Polícia Federal (PF) ao STF, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça.
O material também foi enviado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Caiado defendeu que a permanência de Moraes na Corte poderia levar cidadãos a contestar a legitimidade de decisões tomadas pelo ministro, o que, na avaliação do governador, colocaria em risco a ordem democrática.
"Para você estar naquela condição de ministro do Supremo, qualquer posição que coloque em xeque, em dúvida, o comportamento dele [...] ele mesmo deveria fazer o seu próprio afastamento, ele mesmo renunciar àquela função, ao cargo", disse Caiado. Segundo o candidato, a não renúncia provoca tensão muito grande e desestabiliza a democracia brasileira.
"Se o ministro Alexandre Moraes renunciasse à condição de ministro Supremo e respondesse por esses atos fora da condição de ministro, você não teria essa crise instalada", afirmou. Questionado sobre uma declaração anterior na qual havia defendido o afastamento de Moraes sob o argumento de que o país poderia enfrentar uma "insurgência" contra decisões do Supremo, Caiado disse que a contestação poderia ocorrer caso uma pessoa submetida a uma decisão do ministro passasse a questionar sua legitimidade para julgá-la.
"Se amanhã alguém vem, diante de uma decisão dele, o cidadão diz: 'Não, mas ele não está capaz para me julgar, ele não tem essas credenciais para me julgar', aí você coloca em risco esta ordem democrática que você tem no país", disse Caiado Caiado afirmou que ministros do STF têm responsabilidades adicionais por integrarem a última instância do Judiciário e por caber à Corte a defesa da Constituição.
"Quando sobre aquela pessoa [ministro do STF] recaem tantas suspeitas, denúncias, quanto essas que vieram à tona, ele não tem mais as condições mínimas necessárias para poder estar ali respondendo pelo cargo. Isso é independente de quem quer que seja", declarou. Caiado também citou as investigações relacionadas ao filme "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo investigado por também ter recebido dinheiro de Vorcaro.
O candidato afirmou que o episódio não poderia ser considerado encerrado enquanto houvesse fatos sob investigação. "Não existe essa história de 'página virada' como querem colocar", disse, em referência ao que tem dito o candidato Flávio Bolsonaro (PL). Caiado ainda defendeu que o STF retire o sigilo de todas as investigações relacionadas ao Banco Master e a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Nesse caso, as investigações implicam Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT), candidato à reeleição.
