Grandes tendas montadas em um novo acampamento para migrantes, estabelecido pelo governo espanhol na área portuária de Ceuta Antonio Sempere / AFP A polícia da Espanha iniciou, nesta sexta-feira (18), a transferência de imigrantes instalados precariamente nas praias de Ceuta para barracas temporárias em um alojamento montado no porto do enclave espanhol no norte da África, informou a delegação do governo.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O novo centro de acolhimento temporário tem capacidade para 1.700 imigrantes. Imagens exibidas pela emissora estatal espanhola TVE mostram que a polícia precisou atuar para conter aglomerações de pessoas que queriam garantir um lugar no local. Os migrantes que passaram a noite na praia à espera de um lugar num abrigo temporário aplaudiram inicialmente o início da marcha, mas mais tarde surgiram confrontos devido à disputa pelas vagas limitadas disponíveis.
A polícia disparou balas de borracha para o ar e atingiu vários migrantes com cassetetes antes que a situação se acalmasse e a operação fosse retomada. Há uma semana, mais de 800 pessoas já haviam sido levadas para outro alojamento improvisado, Los Rosales, próximo ao centro de acolhimento local, e houve tumulto (veja abaixo).
Polícia controlando transferência de imigrantes que estavam dormindo nas ruas de Ceuta para alojamento temporário REUTERS/Ana Beltran O translado dos imigrantes para o novo alojamento no porto começou algumas horas após um tribunal rejeitar o pedido de um sindicato policial para interrompê-lo.
A autoridade portuária de Ceuta também se recusou a cumprir a decisão de transferência e o governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez - muito criticado pela direita e pela extrema direita por esta crise - decidiu tirar o controle da instalação da administração regional de Ceuta, que é governada pelo partido de oposição.
Os imigrantes que estão sendo acolhidos nas barracas temporárias montadas pelo governo espanhol fazem parte das mais de 70 mil pessoas que chegaram a Ceuta em uma imensa migração em massa no fim de julho. Ainda se desconhece quantas pessoas ainda permanecem nas praias da cidade, mas as autoridades acreditam que o número é superior às vagas oferecidas na nova estrutura do porto, onde os migrantes terão acesso a "chuveiros, banheiros, alimentação e camas novas", segundo o governo.
Imigrantes estão precariamente instalados em barracas nas praias de Ceuta Antonio Sempere / AFP Embora a maioria das pessoas que entrou em Ceuta no fim de julho tenha retornado quase imediatamente ao Marrocos, autoridades locais calculam que 13 mil imigrantes permanecem em Ceuta. O governo central da Espanha, no entanto, cita um número menor, em torno de 5 mil pessoas. No domingo (13), um ministro afirmou que, no último mês, mais 5.300 migrantes retornaram ao país vizinho ao enclave.
Ceuta, que é um território espanhol no norte africano, tem apenas 18,5 km² e cerca de 80 mil habitantes. A população local exige um retorno à normalidade e manifestações ocorrem quase diariamente. O governo central busca agilizar a devolução dos migrantes, mas, segundo a legislação, deve identificar cada um para determinar se a pessoa tem direito a asilo ou pode ser devolvida, enquanto milhares de menores de idade devem receber proteção especial.
