Datafolha: Desconfiança no STF sobe a 48% e bate recorde Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) mostra que 48% dos eleitores brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal (STF), o maior índice de desconfiança da Corte desde o início da série histórica, em 2012. Com o resultado, o STF aparece, numericamente, como a instituição com maior índice de desconfiança entre as avaliadas pelo instituto.
A taxa subiu cinco pontos percentuais desde março, quando 43% diziam não confiar no Supremo — até então, o recorde da série. Na pesquisa atual, 35% afirmam confiar um pouco no STF e 14% dizem confiar muito. Veja os números: Supremo Confia muito: 14% Confia um pouco: 35% Não confia: 48% Segundo o Datafolha, é a primeira vez que o STF aparece numericamente no topo da lista de desconfiança.
Em outros momentos da série, essa posição já foi ocupada por partidos políticos, Congresso Nacional e Presidência da República. Estátua da Justiça, em frente à sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília Antonio Augusto/STF A desconfiança no Supremo subiu cinco pontos desde março, quando 43% afirmavam não confiar na instituição. Até então, era o maior índice da série.
Congresso O Congresso Nacional aparece em patamar próximo. Segundo o Datafolha, 45% dos eleitores dizem não confiar nos deputados e senadores, mesmo percentual registrado em março. Outros 43% afirmam confiar um pouco no Congresso, enquanto 11% dizem confiar muito.
A desconfiança no Supremo subiu cinco pontos desde março, quando 43% afirmavam não confiar na instituição — até então, o maior índice da série. Agora, além dos 48% que não confiam, 35% dizem confiar um pouco no STF e 14%, confiar muito. Veja os números: Confia muito: 11% Confia um pouco: 43% Não confia: 45% Presidência da República A Presidência da República registra 42% de desconfiança, ante 43% em março.
Ao mesmo tempo, 25% dos entrevistados dizem confiar muito na Presidência e 32%, confiar um pouco. Em março, esses percentuais eram de 22% e 34%, respectivamente. Veja os números: Confia muito: 25% Confia um pouco: 32% Não confia: 42% O maior índice de desconfiança na Presidência registrado pelo Datafolha foi de 65%, em junho de 2017.
Partidos políticos Os partidos políticos são alvo de desconfiança de 45% dos eleitores brasileiros, segundo o Datafolha. O índice caiu sete pontos em relação a março, quando estava em 52%, e está distante do recorde de 69%, registrado em junho de 2017. Veja os números: Confia muito: 9% Confia um pouco: 44% Não confia: 45% O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo.
O Datafolha ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-04029/2026.
Os entrevistados também foram questionados sobre o nível de confiança em outras instituições, como a imprensa, as grandes empresas brasileiras, o Poder Judiciário e as Forças Armadas.
Veja abaixo: Imprensa Confia muito: 22% Confia um pouco: 44% Não confia: 33% Grandes empresas brasileiras Confia muito: 29% Confia um pouco: 46% Não confia: 23% Poder Judiciário Confia muito: 17% Confia um pouco: 43% Não confia: 38% Forças Armadas Confia muito: 34% Confia um pouco: 39% Não confia: 25% Crise no STF e embates entre ministros A pesquisa foi realizada em meio à crise no STF, intensificada nas últimas semanas depois que o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Desde então, vieram a público outros documentos e mensagens — parte deles ainda sob sigilo — com citações a outros integrantes da Corte e a seus familiares. Moraes e Gilmar Mendes criticam a condução de Mendonça no caso Master. Moraes o acusa de ter cometido irregularidades e de atropelar procedimentos aplicáveis a investigações que envolvem autoridades com foro.
Gilmar afirma que a atuação do colega teve motivação político-eleitoral. Mendonça nega as acusações. Na última terça-feira (15), terminou sem decisão a sessão extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para discutir o relatório da PF que atribui a Moraes mensagens trocadas com Vorcaro.
A sessão foi marcada por embates e trocas de acusações entre os integrantes do tribunal. Flávio Dino pediu vista — ou seja, mais tempo para analisar o caso — e tem até 90 dias para devolver o processo ao plenário. O prazo termina em dezembro, após as eleições.
Se ele não os devolver nesse período, o assunto fica automaticamente liberado para nova inclusão em pauta.
