Perfil Saúde Corporativa Divulgação A saúde mental ganhou espaço nas discussões sobre qualidade de vida e, cada vez mais, também nas conversas sobre o ambiente de trabalho. Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental e à prevenção da automutilação e do suicídio, o tema ganha ainda mais visibilidade.

No ambiente corporativo, porém, a discussão não deve se limitar a campanhas ou ações pontuais: também passa pelas condições em que o trabalho é realizado e pela forma como as relações profissionais são construídas. Essa mudança acompanha uma evolução na própria área de Saúde e Segurança no Trabalho.

O olhar sobre a saúde corporativa, antes muito concentrado na prevenção de acidentes e no controle dos riscos tradicionais, passou a considerar também aspectos relacionados à organização do trabalho e aos fatores psicossociais. Neste ano de 2026, a discussão ganhou ainda mais relevância.

O Ministério do Trabalho e Emprego colocou a prevenção dos fatores de riscos psicossociais no ambiente de trabalho como tema da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT), enquanto a atualização da nova NR-01 passou a incluir esses fatores no gerenciamento de riscos ocupacionais. Para a Perfil Saúde Corporativa, que atua há 30 anos na área, essa transformação acompanha uma mudança na própria maneira de compreender o cuidado com os trabalhadores. Segundo o Dr.

Charles Dias, médico responsável pela Perfil Saúde Corporativa, a relação entre profissionais e trabalho mudou profundamente nas últimas décadas. Flexibilidade, propósito, cultura e desenvolvimento passaram a ter maior peso, enquanto as fronteiras entre vida profissional e pessoal se tornaram mais tênues. Na saúde corporativa, essa evolução também é percebida.

“O conceito saiu da saúde ocupacional reativa, exames admissionais, normas regulamentadoras, prevenção de acidentes, para o bem-estar integral (físico, mental e social)”, explica o profissional. Bem-estar não é só benefício Programas de qualidade de vida, atividades de integração, ginástica laboral e benefícios podem contribuir para uma experiência profissional mais positiva. Mas essas iniciativas, isoladamente, não são suficientes para definir um ambiente de trabalho saudável.

A experiência do trabalhador também é influenciada pela maneira como as atividades são organizadas, pela relação com as lideranças, pela possibilidade de diálogo, pelo nível de autonomia e pelas condições oferecidas para a realização das tarefas. Excesso de demandas, pressão constante, falta de clareza sobre responsabilidades ou dificuldades nas relações profissionais também podem afetar esse cenário. Na avaliação do Dr.

Charles Dias, a carga de trabalho e a pressão por resultados merecem atenção especial. “O problema não é a meta em si, mas a pressão sem contrapartida”, ressalta. A autonomia é outro elemento relevante.

Ter maior controle sobre como e em que ritmo executar as atividades pode ajudar a reduzir o estresse, enquanto a combinação entre alta demanda e baixo controle tende a aumentar a pressão sobre o trabalhador. Nesse contexto, o gestor ocupa uma posição estratégica, influenciando diretamente a forma como cobranças, mudanças, conflitos e dificuldades são conduzidos no dia a dia. “A liderança funciona como o filtro de todos esses fatores”, resume o médico.

Perfil Saúde Corporativa Divulgação Setembro Amarelo: da campanha à prevenção O Setembro Amarelo amplia a visibilidade sobre a importância de falar de saúde mental, combater estigmas e estimular o cuidado. No ambiente corporativo, porém, o tema pode ultrapassar as ações realizadas durante o mês. A saúde mental não deve ser tratada apenas como uma questão individual.

As condições em que o trabalho é realizado também fazem parte desse contexto. Isso não significa atribuir ao ambiente profissional a origem de todo sofrimento psíquico, que pode estar relacionado a diferentes fatores individuais, sociais e ambientais, mas reconhecer que determinadas condições de trabalho podem representar riscos que precisam ser identificados e gerenciados.

“A campanha do Setembro Amarelo deve funcionar como um ponto de partida, e não como um único momento do ano em que a saúde mental é pauta”, explica o doutor. Isso envolve incorporar o tema à estrutura já existente de Saúde e Segurança no Trabalho, ampliar os espaços de diálogo e preparar as lideranças para lidar com situações que exigem atenção. O papel dos gestores ganha destaque nesse processo.

Mais próximos da rotina das equipes, eles podem perceber mudanças de comportamento e sinais precoces de sofrimento. Para o médico, capacitar essas lideranças é fundamental para que saibam acolher, evitar julgamentos e encaminhar adequadamente cada situação.

Fatores de riscos psicossociais ampliam o olhar da Saúde e Segurança no Trabalho A inclusão dos fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais reforça a necessidade de as empresas ampliarem a forma como observam seus ambientes de trabalho. Esses fatores estão relacionados à maneira como o trabalho é planejado, organizado e gerenciado.

Entre os aspectos que podem ser avaliados estão carga e ritmo de trabalho, autonomia, jornadas, comunicação, reconhecimento, relações profissionais, assédio e apoio das equipes. A proposta não é transformar qualquer dificuldade do cotidiano profissional em um problema de saúde, mas identificar condições de trabalho que possam representar riscos e atuar de maneira preventiva.

“O primeiro entendimento que as empresas precisam ter é que os riscos psicossociais no ambiente de trabalho são riscos ocupacionais legítimos, tão objetivos e gerenciáveis quanto os físicos, químicos e biológicos”, destaca o Dr. Charles Dias. Segundo ele, esses riscos não devem ser associados à ideia de fragilidade individual.

Eles também podem estar relacionados à própria organização do trabalho, o que exige medidas que atuem sobre as causas. O diagnóstico pode começar pela análise de indicadores já disponíveis na empresa, como absenteísmo, rotatividade, afastamentos, queixas e pesquisas de clima. A escuta dos trabalhadores também contribui para identificar áreas e situações que merecem maior atenção.

A partir desse levantamento, a empresa pode definir medidas preventivas, acompanhar resultados e ajustar suas estratégias de acordo com a realidade de cada organização. Prevenção começa antes do adoecimento Ampliar o olhar sobre saúde mental não significa substituir os cuidados tradicionais de SST. A prevenção de acidentes, o controle dos riscos ocupacionais, os exames e o acompanhamento da saúde dos trabalhadores continuam sendo fundamentais.

O desafio está em integrar essas frentes a uma compreensão mais ampla das condições de trabalho. Para empresas que desejam começar, o primeiro passo é conhecer a própria realidade. Isso significa ouvir os profissionais, analisar indicadores e verificar como a saúde e a segurança estão estruturadas.

“Eu começaria ouvindo quem vive o trabalho no dia a dia”, destaca o Dr. Charles Dias. Pesquisas de clima, grupos focais e entrevistas podem ajudar a compreender como os profissionais percebem carga de trabalho, pressão, liderança e relações dentro da organização.

Também é importante avaliar a atuação das lideranças e verificar se o discurso de cuidado encontra respaldo nas práticas da organização, como jornadas razoáveis, metas possíveis, comunicação clara e canais adequados de acolhimento. Mais do que criar ações isoladas, a proposta é incorporar a prevenção à gestão cotidiana.

Perfil Saúde Corporativa Divulgação Um olhar mais amplo sobre a saúde As discussões impulsionadas pelo Setembro Amarelo e pela crescente atenção aos fatores de riscos psicossociais mostram que cuidar da saúde dos trabalhadores exige uma atenção cada vez mais ampla. Campanhas de conscientização são importantes para dar visibilidade ao tema, mas o cuidado precisa continuar durante todo o ano.

Isso significa observar as condições em que as pessoas trabalham, reconhecer possíveis riscos, fortalecer a prevenção e criar ambientes em que exista espaço para diálogo e cuidado. A evolução da SST acompanha essa transformação. Se a prevenção de acidentes e o controle dos riscos ocupacionais continuam essenciais, o desafio atual também envolve compreender como a organização e as relações de trabalho podem influenciar a saúde.

Para as empresas, isso significa transformar o cuidado em uma prática contínua, integrada à gestão e às estratégias de prevenção. A Perfil Saúde Corporativa oferece soluções integradas para apoiar empresas na gestão da saúde corporativa e na construção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, com atendimento em todo o território nacional. Saiba mais em www.perfilsst.com.br ou fale com a equipe pelos telefones (13) 3223-7772 e (11) 3336-6557.

Médico responsável: Dr. Charles Dias CRM 79552 RQE 43410