Estado de SP tomba fábrica Boyes, palacete Luiz de Queiroz e Museu da Água em Piracicaba O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), órgão do Governo do Estado de São Paulo, aprovou nesta segunda-feira (14) o tombamento da Companhia Industrial e Agrícola Boyes (Fábrica Boyes), do Palacete Luiz de Queiroz (Palacete Boyes) e do Museu da Água, localizados no Complexo Beira Rio, em Piracicaba (SP).
📱Clique para o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp A decisão estadual recebeu 20 votos favoráveis e dois contrários, sem abstenções. Segundo o conselho, a Praça Dona Ermelinda Ottoni (Praça da Boyes) permanecerá como área envoltória do conjunto protegido. A partir de agora, o Estado cumprirá os trâmites legais até que a Resolução de Tombamento seja publicada no Diário Oficial e os proprietários dos imóveis serão notificados da decisão, informou o Codephaat.
Complexo Beira Rio visto de cima Reprodução Itens tombados e área envoltória Condephaat Comemoração e 'lacunas graves' O Movimento Salve a Boyes, que foi atrás do tombamento dos itens em nível estadual, emitiu nota classificando o tombamento como uma 'vitória e um reconhecimento da luta da sociedade civil', destacando a relevância histórica e cultural do espaço para a memória fabril de Piracicaba e do Brasil.
Contudo, o grupo fez ressalvas à decisão aprovada nesta segunda-feira, apontando o que chamou de "lacunas graves" que podem comprometer as relações visuais e a leitura histórica da 'Rua do Porto'. Segundo o movimento, a medida do Condephaat não contemplou: A proteção do Canal de Água que atravessa a Fábrica; O Edifício 8, estrutura onde se lê o letreiro "BOYES", possibilitando que ambos sejam demolidos; A definição de um limite de altura para novas edificações no terreno da fábrica e no entorno do conjunto.
Museu da Água Prefeitura de Piracicaba Palacete Luiz de Queiroz Prefeitura de Piracicaba/Divulgação Canal dentro da Fábrica Boyes e que deságua no Rio Piracicaba Yasmin Moscoski/g1 O g1 contatou o Condephaat para entender o porquê esses itens não foram protegidos pelo tombamento, mas o órgão não resposdeu até a última atualização desta reportagem. Apesar das exclusões, o coletivo esclarece que a não inclusão destes elementos não significa liberação automática para demolições.
"A não inclusão desses três elementos não significa que estejam liberados para demolição ou que quaisquer empreendimento possam ser realizados livremente. Cada proposta de intervenção sobre os bens protegidos e sua área deverá ser submetida à análise e aprovação do Condephaat", escreve o grupo.
Canal de água dentro da antiga Fábrica Boyes em Piracicaba Yasmin Moscoski/g1 Entenda o caso O processo que culminou na decisão desta segunda-feira teve início em fevereiro de 2026, quando o Condephaat abriu o estudo de tombamento, garantindo proteção provisória ao complexo. No centro do impasse está o projeto imobiliário que prevê a demolição de seis dos 13 prédios da antiga fábrica para a construção de quatro torres residenciais de aproximadamente 90 metros de altura às margens do rio Piracicaba.
A demolição chegou a ser aprovada pelo conselho municipal (Codepac) em junho de 2023. Porém, em 2025, uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) acolheu um recurso de associações ambientais e suspendeu o projeto imobiliário. Na época, o relator apontou que as torres poderiam causar danos irreversíveis ao espaço.
A suspensão na Justiça valia até a conclusão do processo estadual de tombamento, finalizado nesta segunda.
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