Na reta final da campanha presidencial, os candidatos concentraram esforços em temas que dominaram o debate público ao longo dos últimos meses. Da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ao avanço da Inteligência Artificial (IA), passando pelo fim das apostas esportivas on-line e por temas como economia e segurança pública, a eleição foi marcada por assuntos que extrapolaram a disputa partidária e refletiram desafios enfrentados pelo país.
🔎 O primeiro turno das eleições acontece no dia 4 de outubro, neste domingo. Caso haja a necessidade de segundo turno para presidente ou governador, a nova votação será realizada em 25 de outubro. Neste pleito, eleitores vão votar para deputado distrital ou estadual, deputado federal, dois senadores, governador e presidente.
Agora no g1 A poucos dias da votação, a campanha presidencial chegou ao fim marcada por uma combinação de temas políticos, econômicos e sociais.
Veja abaixo os principais temas tratados na campanha presidencial: Caso Nossa Senhora Aparecida Crise no STF Uso de IA nas campanhas Reajuste Bolsa Família Fim das bets Economia Segurança Pública Registro de candidatura de Flávio Caso Nossa Senhora A controvérsia começou após a circulação, nas redes sociais, de publicações que associavam Flávio Bolsonaro e setores da direita a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
O candidato negou a existência de qualquer proposta nesse sentido. Na sexta-feira (25), Mendonça determinou a remoção de publicações relacionadas ao tema, entendendo que a narrativa não encontrava suporte na realidade e já havia sido corrigida publicamente. A decisão também autorizou que plataformas removessem réplicas do mesmo conteúdo considerado desinformativo.
No domingo (27), Dino derrubou essa ordem ao atender a um pedido apresentado por Tabet. Nesta segunda (28), a defesa de Flávio Bolsonaro recorreu ao STF e pediu a suspensão da decisão. Horas depois, Fux acolheu o pedido e restabeleceu os efeitos das determinações do TSE até que o plenário do Supremo analise o tema.
O tema foi a debate no plenário virtual do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (30). Os ministros decidiram manter a retirada de posts falsos que ligavam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) a um suposto movimento de retirada de Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil. Apesar dos sete ministros concordarem que houve disseminação de informação falsa, houve divergência sobre o alcance das medidas de remoção dos conteúdos.
Mendonça comunica às plataformas novos critérios para exclusão de posts associando Flávio Bolsonaro à retirada do posto de padroeira de Nossa Senhora Entre as postagens suspensas estava a de Antonio Tabet, que escreveu, sem citar Flávio Bolsonaro, que "a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida". Os ministros decidiram ainda liberar uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida. Flávio Bolsonaro nega as acusações.
O senador tratou da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e comparou a fake news com a facada sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na campanha de 2018, em Juiz de Fora (MG). Sobre o assunto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, disse nesta que "ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida" enquanto ele for presidente da República. Lula deu a declaração durante um evento de campanha em Belém, no Pará.
Crise no STF A crise envolvendo ministros do STF se transformou em um dos principais temas da campanha.
Crise no STF se arrasta por quase um mês e chega ao TSE às vésperas do 1º turno A crise começou no início de setembro, quando vieram à tona relatórios da Polícia Federal indicando trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes sobre operações policiais, além de registros sobre a atuação do ministro na edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa e o ex-banqueiro.
A crise que surgiu com o embate direto entre André Mendonça e Alexandre de Moraes suplantou as investigações do Caso Master, as mensagens de Daniel Vorcaro e envolveu outros ministros da Corte para uma “guerra” de decisões sobre temas com impacto eleitoral. A divisão interna ficou clara em meio ao levantamento do sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que revelou a troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro, dono do Banco Master.
Pedido de vista trava julgamento no STF antes de analisar se Moraes deve ser investigado; entenda Luiz Fux, Dias Toffoli e Nunes Marques se alinharam a Mendonça. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino ficaram com Moraes. Cármen Lúcia e Fachin são considerados mais independentes, mas nos cálculos internos estariam mais próximos da ala de Mendonça.
Nos dias seguintes à sessão que começou a analisar o relatório da PF, os ministros começaram a divergir em outros temas, chegando a contrariar as decisões tomadas individualmente por colegas. Sobre o tema, o presidente Lula afirmou que não pode ser responsabilizado pelas indicações dos ministros Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que não estava na Presidência da República quando eles foram nomeados.
Lula também declarou que a Justiça deve apurar os fatos e identificar os responsáveis por eventuais irregularidades. "A Corte vai descobrir quem está metido nisso", disse. Ao comentar o julgamento do STF, o Flávio afirmou que uma parte do Supremo "descumpriu a lei" e, junto ao atual governo federal, faz parte de um "sistema apodrecido".
O candidato afirmou que o Brasil precisa de mudanças, criticou a reeleição e reforçou propostas de governo ligadas ao combate à corrupção, economia e soberania. Lula, Flávio, Augusto Cury, Renan e Caiado Globo Uso de IA nas campanhas A campanha de 2026 foi a primeira em que a inteligência artificial apareceu de forma constante no debate eleitoral. Vídeos, imagens e conteúdos produzidos com ferramentas de IA levaram autoridades eleitorais, campanhas e especialistas a discutir limites para o uso da tecnologia.
O tema ganhou grande destaque após a convenção nacional do Partido Liberal, que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência da República. A convenção realizada em São Paulo exibiu um vídeo produzido por IA para simular um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
Na gravação, o ex-presidente afirma estar "preso e calado por uma decisão arbitrária", diz que "nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança" despertado por seu movimento e pede que os apoiadores recebam Flávio Bolsonaro "de braços abertos" como candidato à Presidência. TSE rejeita multa a Flávio por vídeo de Jair Bolsonaro por IA em convenção do PL Ao longo da campanha, candidatos defenderam abordagens diferentes para regulamentação das plataformas e uso de ferramentas digitais.
O assunto também mobilizou a Justiça Eleitoral e passou a integrar debates sobre segurança da informação e proteção do processo democrático. Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram por manter a proibição do uso de deepfakes em campanhas eleitorais, mas exigem grau de realismo no conteúdo para caracterizar ilícito. 🔎 Deepfake é uma tecnologia de inteligência artificial (IA) usada para criar ou alterar vídeos, áudios e imagens de maneira realista.
Pelo entendimento dos ministros, o veto ao uso de vídeos gerados por IA será quando o conteúdo apresentar grau de realismo capaz de enganar o eleitor, seja criando pessoas reais, fictícias ou mortas. A tese foi aprovada pela maioria dos ministros. Reajuste Bolsa Família O Bolsa Família voltou a ocupar posição central na disputa presidencial.
O programa foi utilizado pelos candidatos para apresentar visões distintas sobre o papel do Estado no combate à pobreza e na distribuição de renda. Além disso, o tema foi bastante discutido após o presidente Lula anunciar o reajuste no valor do benefício. Com isso, o piso do programa passa de R$ 600 para R$ 691.
O reajuste foi alvo de críticas dos presidenciáveis. O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste do Bolsa Família. O candidato à Presidência pediu a concessão de liminar para sustar os efeitos do decreto que prevê o reajuste, até a posse dos candidatos eleitos neste ano, "para resguardar a isonomia e a paridade entre os candidatos".
Já Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o presidente Lula tentou comprar o voto dos mais pobres ao assinar o decreto que reajustou em 15% o Bolsa Família. Em discurso feito em Joinville (SC), o político também prometeu um 'tesouraço' na economia. O candidato do PSD, Ronaldo Caiado, associou o reajuste do Bolsa Família, anunciado nessa quinta-feira (17) pelo governo Lula, a uma tentativa de "comprar voto por R$ 90".
Fim das bets O crescimento das plataformas de apostas esportivas também entrou na disputa presidencial. As chamadas bets passaram a ser citadas por candidatos de diferentes campos políticos, especialmente em discussões sobre regulação do mercado, arrecadação de impostos e impactos sociais das apostas. O assunto ganhou ainda mais força após o governo federal anunciar proibição de bets no Brasil.
O presidente Lula editou uma Medida Provisória com a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o "Jogo do Tigrinho". 🔎As medidas provisórias são editadas pelo governo federal e enviadas ao Congresso Nacional.
Para se tornarem leis definitivamente precisam ser votadas em até 120 dias na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. A medida repercutiu em todas as candidaturas. O candidato Flávio Bolsonaro, cujo plano de governo falava em impedir o uso de recursos de programas sociais em apostas e promover campanhas educativas, disse que, se eleito, não vai permitir "cassino online, nem Tigrinho" durante seu mandato.
Nos documentos de Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), o g1 não encontrou menções específicas a bets, apostas on-line ou jogos de azar. Durante um ato de campanha, Cury afirmou que as plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, deveriam ser eliminadas ou submetidas a uma taxação maior. Renan Santos afirmou que é favorável a proibição de bets no Brasil e que pretende criar um modelo de recuperação para as pessoas que estão endividadas e viciadas nos jogos de apostas on-line, caso seja eleito.
Caiado disse que decisão do governo sobre o fim das bets é "oportunista" e defende restrição gradual. Economia Apesar do destaque de temas institucionais, a economia permaneceu no centro da campanha. Inflação, emprego, renda, juros e poder de compra estiveram entre os assuntos mais presentes nas agendas dos candidatos.
As campanhas buscaram associar seus projetos a promessas de crescimento econômico e melhora das condições de vida da população. Pesquisas de opinião divulgadas durante o período eleitoral mostraram que questões econômicas continuaram entre as principais preocupações dos eleitores.
Selic, juros e endividamento: veja o que os candidatos à Presidência propõem sobre economia e controle fiscal No plano de governo, o presidente e candidato à reeleição reconhece que a Selic elevada “desorganiza a economia e concentra renda". Para reduzi-la, Lula compromete-se a controlar a inflação e ter responsabilidade fiscal, com a manutenção da regra do arcabouço fiscal. Para reduzir a Selic, o candidato do PL propõe um “tesouraço” nos gastos públicos.
Flávio Bolsonaro também propõe a revisão da reforma tributária, com a diminuição de impostos e desoneração das exportações e investimentos. Se eleito, o presidenciável quer mudar a regra do arcabouço fiscal. Na economia, o candidato do Avante propõe revisar as matrizes de risco bancárias com as instituições financeiras para conter a alta da Selic.
Se eleito, o escritor promete que criará o "Banco do Empreendedor", com juros fixados entre 5% e 6% ao ano numa oferta de crédito de até R$ 20 mil. O ex-governador de Goiás e candidato do PSD defende que a Selic só vai cair diante da estabilização fiscal, ou seja, do controle das contas públicas. Para isso, propõe uma estratégia fiscal plurianual para estabilizar e reduzir a dívida em relação ao PIB, recuperar superávits primários e a despesa de juros, com metas anuais e outros indicadores.
O candidato do Missão diz que, se for eleito, vai propor a "PEC do Equilíbrio Fiscal", com um ajuste de R$ 212 bilhões anuais para conter o crescimento da dívida. O presidenciável ainda prometeu uma economia projetada de R$ 1,1 trilhão até 2031. Segurança pública A segurança pública também esteve entre os temas mais discutidos.
Propostas relacionadas ao combate ao crime organizado, ao endurecimento de penas, ao fortalecimento das forças policiais e ao controle das fronteiras apareceram em programas de governo e debates. O tema foi especialmente explorado por candidatos que buscaram dialogar com o eleitorado que tem como prioridade a segurança pública.
Veja o que os candidatos à Presidência propõem para a segurança pública O presidente, que tenta a reeleição, defende a aprovação da PEC da Segurança Pública e, com ela, a recriação do Ministério da Segurança. Segundo o plano de governo, a medida -- que está no Congresso Nacional para ser votada -- será utilizada como base para ações de integração do combate ao crime organizado junto aos estados.
Flávio defende classificar facções criminosas como "narcoterroristas" e usa o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como exemplo para o plano de governo. As medidas aparecem junto a promessas de reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e ampliar em 500 mil as vagas em presídios. Cury propõe incluir inteligência artificial e equipamentos tecnológicos na segurança pública, seja com câmeras inteligentes em áreas sensíveis nos registros criminais, seja na proteção de mulheres vítimas de violência.
Renan defende o lema "prendeu, matou" no plano de governo e em entrevistas. Se eleito, o candidato quer que sejam criadas leis para tratar de forma diferenciada e mais rígida os integrantes de grupos criminosos -- o chamado Direito Penal do Inimigo, como aparece no documento. Caiado pretende recriar o Ministério da Segurança Pública, caso seja eleito.
O ministério contaria com uma secretaria específica para proteção das mulheres, crianças e minorias, segundo o plano de governo. Registro de candidatura de Flávio Outro episódio que marcou a campanha foi a discussão em torno do registro da candidatura de Flávio Bolsonaro. Ao tentar regitstrar sua candidatura à Presidência da República, Flávio apareceu filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral e não conseguiu fazer o registro de primeira.
O Missão informou em nota que "foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro". O partido diz que tentou no mesmo dia cancelar a filiação de Flávio, mas a ação foi rejeitada pelo TSE. Pouco depois, a filiação ao PL foi restabelecida e o registro foi realizado.
O caso gerou manifestações de aliados e adversários e acabou se tornando um dos assuntos mais acompanhados do início da campanha.
