A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorização para usar um imóvel de luxo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro como base de trabalho. A demanda foi rejeitada pelo magistrado. As informações constam no relatório da Polícia Federal tornado público a partir da quebra de sigilo das investigações relacionadas com o caso Master determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na sexta-feira (11).
Mansão de Daniel Vorcaro avaliada em R$ 30 milhões localizada em Minas Gerais Reprodução Localizada em um bairro nobre de Belo Horizonte, a mansão tem piscina, spa, quadras esportivas, academia e elevador, e estaria avaliada em R$ 30 milhões, segundo a própria corporação. Fotos anexadas ao processo pela PF mostram que o imóvel também abriga sala de cinema e piscina nas dependências internas.
Em sua justificativa, a corporação disse que seu recém-criado "Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro" em Minas Gerais ainda não tinha um espaço físico próprio para trabalhar — e que o imóvel de luxo de Vorcaro poderia atender as suas necessidades. O pedido da Polícia Federal foi feito em 18 de março deste ano.
A Mendonça, a corporação ainda afirmou que haveria "forte interesse público na medida considerando os indícios de lavagem de dinheiro cometido pelo investigado proprietário de fato do imóvel". A Procuradoria-Geral da República deu parecer favorável ao uso da mansão pelos agentes, mas Mendonça barrou a proposta.
"Muito embora ninguém resida atualmente no imóvel, o relatório de diligência revela que se trata de casa luxuosa, com móveis de alto padrão, áreas de lazer, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras de jogos.
As fotografias juntadas aos autos corroboram a natureza eminentemente residencial e recreativa do bem, demonstrando ambientes amplos e sofisticados, voltados ao lazer, ao descanso e ao uso privado, e não ao funcionamento ordinário de unidade policial ou estrutura administrativa de investigação", decidiu o ministro do STF.
Mansão de Daniel Vorcaro em Minas Gerais avaliada em R$ 30 milhões Reprodução Mendonça acrescentou que a adaptação da casa para uso institucional pela PF exigiria "intervenções relevantes", e que as mudanças poderiam gerar despesas elevadas. Na manifestação, que veio a público após a quebra de sigilo determinada pelo presidente do STF, Edson Fachin, a defesa do ex-banqueiro classificou o pedido da PF como "absurdo".
Leilão da mansão de Vorcaro Por outro lado, o ministro André Mendonça concordou em disponibilizar a mansão de Vorcaro em Belo Horizonte para leilão. "O uso administrativo de imóvel de alto padrão, com áreas de lazer, bares, spa e quadra de jogos, mostra-se menos adequado à finalidade pública pretendida do que a sua conversão em valor, mediante alienação antecipada", concluiu o ministro. A medida é contestada pelos advogados do fundador do Banco Master.
Eles argumentam que a investigação ainda está em curso e não há ação penal instaurada para que se tome uma medida como essa. "Considerando o que se tem de concreto e divulgado pelas investigações, não há efetivamente nenhuma dívida apurada fora da Liquidação, isto é, não há nenhuma questão financeira definitivamente estabelecida e levantada", afirmou a defesa de Vorcaro. Na última movimentação do processo, em 26 de agosto, a PGR se manifestou contra o pedido da defesa para suspender o leilão.
O ministro André Mendonça não voltou a tomar novas decisões sobre o caso do imóvel. Mansão de Vorcaro em Minas Gerais avaliada em R$ 30 milhões Reprodução
