Os candidatos Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD), William Siri (PSOL), André Marinho (NOVO) e Garotinho (Republicanos) no estúdio da TV Globo para participar do debate entre candidatos ao governo do Rio de Janeiro Globo/Manoella Mello Ao término do debate da Globo nesta terça-feira (29), os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro concederam entrevistas coletivas. Veja o que disseram abaixo, na ordem em que ocorreram as entrevistas, definidas por sorteio.

Eduardo Paes (PSD) Eduardo Paes, candidato do PSD ao governo do Rio, fala após debate da Globo Eduardo Paes (PSD) afirmou que apoia Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse que não usa o presidente como apoio político. Paes foi questionado sobre os ataques de Douglas Ruas (PL), que tentou associá-lo ao presidente durante o debate. "Não fico usando o Lula de bengala, como o Douglas Ruas faz com o Flávio Bolsonaro.

Eu tenho vida própria, tenho o apoio do Lula e o apoio dele ao meu projeto. Essa gente fica tentando nacionalizar a eleição, mas não será o Flávio Bolsonaro nem o Lula que vão governar o Estado do Rio de Janeiro. Quem vai governar será o governador eleito." Sobre segurança e investimentos, Paes disse que sua candidatura tem como objetivo melhorar as condições para que famílias vivam em segurança e empresas voltem a investir no estado.

"Eu estou lidando com pessoas que enfrentamos ao longo da vida pública. Fui prefeito do Rio de Janeiro em quatro oportunidades e continuo aqui.

Na eleição de 2018, enfrentei alguns desses mesmos personagens e muitos acabaram presos, enquanto eu sigo firme." "Essa é exatamente uma das razões da minha candidatura: devolver ao Estado do Rio de Janeiro as condições para que as famílias vivam em paz, com o direito de ir e vir garantido, e para que as empresas voltem a investir em um estado com enorme potencial econômico e atrativos extraordinários. Infelizmente, a violência tem atrapalhado esse avanço", acrescentou.

Eduardo Paes (PSD) participa de coletiva após o debate na Globo Globo/Manoella Mello Sobre as citações a Pedro Paulo durante o debate, Paes afirmou que não pretende se envolver em eventual ação judicial e disse que o deputado já venceu processos relacionados a acusações que considerou falsas. "Não tenho nada a ver com isso. O Pedro Paulo já processou e venceu diversas ações contra pessoas que fizeram acusações falsas e levianas contra ele.

Foi uma atitude irresponsável. Quem faz acusações sem provas deveria saber melhor que ninguém que isso não pode ser feito. É tudo mentira." Paes também negou ter se encontrado com Rodrigo Bacellar após a prisão do deputado e afirmou que houve articulações políticas envolvendo integrantes do PSD e o deputado Chico Machado, que apoia Douglas Ruas.

"De maneira nenhuma. Eu fiz articulações políticas o tempo todo, mas ele estava preso e não poderia receber ninguém. Houve uma ligação do deputado Chico Machado, que apoia Douglas Ruas, com vários companheiros do PSD para tratar de articulações na Alerj.

Antes disso, conversei diversas vezes com Rodrigo Bacellar quando ele estava solto, assim como conversei várias vezes com Cláudio Castro. Política se faz conversando. Infelizmente, às vezes somos obrigados a conversar até com pessoas das quais discordamos profundamente." O candidato negou ainda que tenha havido combinação entre os adversários para atacar Ruas durante o debate.

"O debate foi aberto. O Garotinho falou de mim e falou do Douglas Ruas. O outro candidato também falou de mim e dele.

O único que só falou de mim foi o André Marinho. Não houve nenhuma combinação." Paes disse, por fim, que não considera que tenha sido o debate em que mais sofreu ataques e avaliou o desempenho dos adversários. "Primeiro, este foi o único debate realizado nesta eleição e também o único para o qual fui convidado.

Eu sempre participei de 100% dos debates para os quais fui chamado. Segundo, não considero que tenha sido o debate em que mais fui atacado. Já participei de debates muito mais duros.

Confesso que até esperava um clima mais pesado." Garotinho (Republicanos) Anthony Garotinho, candidato do Republicanos ao governo do Rio, fala após debate da Globo Anthony Garotinho avaliou o desempenho dos adversários. Segundo ele, Paes teria assumido o papel de gestor, enquanto Douglas Ruas teria se colocado como candidato de oposição. Ele afirmou ainda que ele próprio e William Siri demonstraram conhecer melhor diferentes regiões do estado.

Garotinho afirmou que sua candidatura sofreu dificuldades desde o início da campanha. Segundo ele, a situação teria provocado dúvidas entre eleitores sobre a validade de sua candidatura. "O eleitor não quer perder o voto dele.

Mas eu tenho convicção de que serei candidato porque a primeira vez que eles tentaram — e hoje eles tentaram novamente — o Tribunal Superior Eleitoral, no ministro Floriano, deu uma resposta dura, disse que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro usurpou da sua competência ao proibir que eu fizesse campanha, que eu desse entrevista e participasse de debate, né?" Garotinho também questionou a demora, segundo ele, para o julgamento de um recurso apresentado por sua defesa: "E, estranhamente, o meu embargo de declaração, algo que se julga em dois dias, foi julgado hoje, 16 dias depois." Ao comentar sua atuação durante o debate, Garotinho afirmou que trabalha com jornalismo investigativo desde antes de entrar na disputa eleitoral e citou denúncias que fez durante o governo de Sérgio Cabral.

"Sempre fiz jornalismo investigativo, não é agora. Desde a época do governo Cabral, eu passei a acompanhar o estado, denunciei tudo aquilo que a imprensa não denunciava." Garotinho também afirmou ter sido responsável por obter imagens relacionadas ao ex-governador Sérgio Cabral. Na entrevista, Garotinho avaliou o desempenho dos adversários e disse que André Marinho é jovem e teria se confundido ao falar sobre a geografia do estado.

Garotinho disse ainda que ele e Siri foram os candidatos que demonstraram maior conhecimento sobre o estado. "O André Marinho, com todo respeito. Muito jovem e viveu muito pouco no Rio, se perdeu um pouco na geografia." Anthony Garotinho participa de coletiva após o debate na Globo Globo/Manoella Mello "E, assim, avaliando francamente o debate, se não fosse debatedor eu e o Siri, é que mostramos que conhecemos ali o Rio de Janeiro, andamos pela cidade, conhecemos a Baixada, né", comentou.

Em outro momento, afirmou que seu papel no debate foi confrontar o que classificou como uma encenação dos adversários. "Eu acho que eu servi para desmascarar dois candidatos que fingem fazer um papel. Quando eu disse: "Olha, isso aqui é jornalismo, não é teledramaturgia", né?" Garotinho também criticou o tempo de propaganda eleitoral destinado à sua candidatura.

"Então, o meu papel foi esse. Agora, infelizmente eu não tive tempo de televisão, 1 minuto. Tenho o apoio de um prefeito, nenhum deputado estadual e dois deputados federais".

Na avaliação do candidato, os demais postulantes ao governo, com exceção dele e de Siri, representam continuidade. "Ou o Rio rompe com esse sistema — que é apodreceu o Executivo, Legislativo, Judiciário, polícia — ou vai continuar na mesma coisa. Todos os candidatos ali, à exceção de mim e do Ciro, representam continuidade" Durante a coletiva, Garotinho também apresentou uma acusação contra Douglas Ruas.

Contudo, Garotinho não explicou qual seria a relação específica de Douglas Ruas com os supostos pagamentos além da referência feita ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. William Siri (PSOL) William Siri, candidato do PSOL ao governo do Rio, fala após debate da Globo William Siri (PSOL) afirmou que estará no segundo turno e, por isso, não apoiará nenhum outro candidato caso a disputa tenha dois adversários diferentes.

Ele também reafirmou seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse que seu objetivo é derrotar a extrema direita. "Primeiro, sobre a última pergunta: eu estarei no segundo turno, então não vou apoiar ninguém. Em relação ao presidente Lula, ele é o meu presidente e reafirmo isso mais uma vez.

Ao mesmo tempo, precisamos derrotar a extrema direita no estado do Rio de Janeiro e no país. Ninguém aguenta mais a possibilidade de ser governado pela extrema direita ou pela família Bolsonaro." Siri disse que não está preocupado, neste momento, com a relação entre PT e PSOL e afirmou que seu foco são os eleitores de esquerda e a construção de um projeto para o estado. "Quanto ao PT, neste momento eu não estou preocupado com a burocracia partidária.

O que me importa são os petistas e as pessoas de esquerda que entendem que estamos construindo um projeto capaz de transformar o estado do Rio de Janeiro.

Meu foco está nesse campo político e, principalmente, no povo de esquerda, que vai nos levar ao segundo turno e nos ajudar a governar o estado a partir de 2027." Questionado sobre uma possível estratégia para evitar ataques mais duros a Eduardo Paes (PSD), Siri negou e afirmou que apresentou divergências com o adversário, especialmente nas áreas de educação, meio ambiente e planejamento urbano.

William Siri (PSOL) participa de coletiva após o debate na Globo Globo/Manoella Mello "Nós defendemos o programa e o projeto do PSOL. Quando tratei do tema da educação com Eduardo Paes, fui bastante firme. Questionei sobre a minutagem, sobre a realização de concursos públicos e sobre a valorização salarial dos profissionais da educação.

Essas perguntas não foram respondidas. Também o questionei sobre questões ambientais, especialmente relacionadas à região litorânea. Falei sobre o modelo de planejamento urbano da cidade do Rio de Janeiro, que, na nossa visão, é orientado pela especulação imobiliária.

Nós temos uma posição totalmente diferente." Sobre a interação com Anthony Garotinho (Republicanos) durante o debate, Siri disse que não houve tentativa de aproximação e ressaltou as diferenças políticas entre os dois. "O Garotinho é uma figura conhecida da política fluminense e acabou ocorrendo alguma interação durante o debate. Mas deixei claro em todos os momentos quem eu sou e o que represento.

Eu sou um homem de esquerda, com um projeto de esquerda para o estado do Rio de Janeiro, algo muito diferente do que representa o Republicanos. Nós temos trajetórias e projetos completamente distintos. Garotinho representa uma política tradicional, da qual teve oportunidade de participar durante muitos anos.

Nós estamos apresentando uma renovação, uma nova proposta para o estado." Siri também avaliou positivamente sua participação no debate e afirmou que o encontro foi uma oportunidade para se apresentar a eleitores que ainda conhecem pouco sua candidatura. "Tenho certeza de que sim. Estou muito animado.

Ainda nem consegui olhar meu celular por causa da dificuldade de sinal, mas alguns assessores já me disseram que tivemos uma repercussão muito positiva nas redes sociais. Um debate desse porte é uma grande oportunidade para me apresentar à população. Nós temos uma rejeição muito baixa, mas também um nível de conhecimento ainda reduzido entre os eleitores.

Por isso, acredito que conseguimos nos conectar com as pessoas e mostrar uma outra realidade do PSOL." Douglas Ruas (PL) Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio, fala após debate da Globo Douglas Ruas disse que nunca respondeu a um processo criminal e negou acusações feitas durante o debate. Entre elas, a de que teria recebido pagamentos de R$ 150 mil mensais relacionados ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.

O candidato desafiou o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), autor da acusação, a apresentar provas. Ruas também criticou a participação de Paes no debate e afirmou que o adversário não apresentou propostas. Segundo Ruas, Paes estaria utilizando o debate para atacá-lo.

"Infelizmente, como eles não têm propostas, eles acabam utilizando esse espaço democrático onde a gente poderia utilizar apenas para discutir propostas, modelos de gestão, para a população conhecer o plano de cada candidato, com ataques." Ruas afirmou ainda que a Justiça Eleitoral já teria determinado a retirada de conteúdos publicados contra ele.

"Já foram 15 decisões na Justiça nesse período de campanha para retirar conteúdos do Eduardo Paes me atacando, utilizando de mentiras." Ruas também respondeu às acusações feitas durante o debate sobre investigações envolvendo sua atuação no serviço público. "Posso garantir com absoluta tranquilidade.

Olha, eu não tenho preocupação com esses ataques, porque eu nunca respondi a nenhum processo criminal na minha vida." Ele afirmou que está há mais de 12 anos no serviço público e que entrou na carreira por concurso para a Polícia Civil. Ruas também respondeu à acusação feita por Garotinho de que ele teria recebido R$ 150 mil por mês em um suposto esquema de pagamentos relacionado a Rodrigo Bacellar.

O candidato disse que soube da acusação durante a entrevista coletiva e negou ter qualquer relação desse tipo com o presidente da Alerj. "Nunca estive em relação de chantagem com ninguém, nem de Bacellar nem de ninguém (...) Desafio o Garotinho a provar essas acusações." Na sequência, criticou o ex-governador e mencionou processos e condenações relacionados à trajetória política de Garotinho.

"E o Garotinho é alguém que foi preso cinco vezes." Ruas então voltou a falar sobre Pedro Paulo, a quem acusou de ter admitido uma agressão contra a esposa. "E a reação dele, de dizer que o Pedro Paulo não (...) que é mentira, o Pedro Paulo, ele assumiu que bateu, e não foi uma só vez, não. E o fez na frente da filha." Douglas Ruas participa de coletiva após o debate na Globo Globo/Manoella Mello Ruas afirmou que o episódio deveria provocar uma discussão sobre as regras para candidaturas a cargos eletivos.

"É sobre isso que eu estou falando, que o Brasil precisa aperfeiçoar a sua legislação." "Alguém que agride mulher merece ter um registro deferido pela Justiça Eleitoral para concorrer a qualquer cargo eletivo?" O candidato reconheceu que a Justiça não condenou Pedro Paulo no caso mencionado.

"A Justiça não o condenou, mas a população pode o condenar no dia 4 de outubro e aposentar de uma vez por todas essa geração de políticos que teve todas as chances e fracassou." André Marinho (Novo) André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio, fala após debate da Globo André Marinho (Novo) afirmou que acredita ter conseguido apresentar suas propostas e disse estar otimista para a reta final da campanha. Segundo ele, o debate deixou clara a diferença entre sua candidatura e a dos demais concorrentes.

"O contraste entre mim e os demais candidatos ficou muito evidente. Vejo os outros concorrentes como representantes de uma velha política baseada em promessas repetidas, marketing e práticas que a população já conhece.

A realidade é que, a poucos dias do primeiro turno, muitos eleitores ainda não sabem em quem votar, apesar de terem sido expostos a inúmeras campanhas." André Marinho disse que ainda pode surpreender nas urnas e destacou que sua campanha apresenta propostas de renovação, principalmente nas áreas de segurança pública e economia. "As pesquisas mostram que venho crescendo proporcionalmente mais do que outros candidatos, e acredito que ainda posso surpreender.

Representamos uma proposta de renovação, com ideias diferentes para enfrentar problemas antigos. Meu objetivo no debate foi apresentar propostas concretas, e saio muito otimista desta reta final de campanha." Questionado sobre um eventual apoio a outro candidato caso não avance ao segundo turno, Marinho afirmou que considera prematuro discutir o assunto e disse que seu foco é chegar à segunda etapa da eleição. "Considero prematuro fazer qualquer declaração nesse sentido.

A história política do Rio de Janeiro mostra que reviravoltas são possíveis, e muitos candidatos considerados favoritos acabaram sendo surpreendidos ao longo dos anos." André Marinho participa de coletiva após o debate na Globo Globo/Manoella Mello Sobre a menção ao personagem conhecido como "Limão" durante uma crítica a Eduardo Paes (PSD), Marinho afirmou que teve acesso às informações sobre o caso apenas nos últimos dias e que decidiu levá-las ao debate para questionar a trajetória política do adversário.

"Tive acesso a informações sobre esse caso apenas nos últimos dias. Entendi que era importante apresentar esse assunto durante o debate para mostrar aquilo que considero contradições na trajetória política de Eduardo Paes." "Minha crítica é que ele representa a continuidade de alianças e práticas que, na minha avaliação, contribuíram para os problemas enfrentados pelo Rio de Janeiro.

Também defendo que a imprensa e os órgãos competentes investiguem todas as informações relacionadas a esse caso, para que a população tenha acesso aos fatos e possa formar sua própria opinião." Marinho também comemorou a decisão da Justiça que permitiu sua participação no debate. Ele havia sido inicialmente excluído e conseguiu autorização de última hora. "Recebi a decisão com satisfação porque considero que a Justiça fez prevalecer o direito de participação.

Houve um grande esforço jurídico para garantir nossa presença no debate, mas entendíamos que a legislação e os critérios aplicáveis asseguravam esse espaço." "Agradeço ao Tribunal Superior Eleitoral por ter analisado o caso e tomado a decisão que permitiu nossa participação. Foi importante estar presente em um debate dessa dimensão para apresentar nossas propostas e mostrar à população que existe uma alternativa aos grupos políticos tradicionais. Agora, seguimos concentrados nesta reta final de campanha."