O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversa com membros da imprensa no hotel Taj Mahal Palace, em Mumbai, Índia. Kylie Cooper/Reuters O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (21) que o governo americano não teve conhecimento prévio da redução na velocidade dos sistemas de comunicação via satélite da SpaceX usados pela Ucrânia na guerra contra a Rússia.
A declaração foi feita em Mumbai, na Índia, em meio à repercussão de denúncias de autoridades ucranianas de que as comunicações militares do país foram prejudicadas após uma desaceleração do serviço fornecido pela empresa de Elon Musk. "O presidente não tem nada a ver com as decisões tomadas pelo Starlink, pelo Starshield ou pelo sr. Musk", disse Rubio.
Segundo ele, a SpaceX é uma empresa privada e o governo americano não pode determinar suas ações. "Não houve nenhum conhecimento prévio sobre isso", acrescentou. Rubio também reiterou que Washington não restringiu o acesso da Ucrânia ao Starlink, sistema considerado fundamental para as operações militares de Kiev.
A declaração contradiz relatos de que o governo dos EUA teria desempenhado algum papel na desaceleração do serviço utilizado pelos militares ucranianos. Agora no g1 O secretário comentou ainda o encontro entre o enviado especial dos EUA para negociações sobre a guerra, Steve Witkoff, e o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. Segundo Rubio, a reunião foi positiva, e Witkoff compartilhará os resultados das conversas com a Rússia.
Zelensky se reuniu com Witkoff em Oslo, na Noruega, na terça-feira (20), em meio aos esforços da Ucrânia para recompor a relação com Washington, abalada por divergências sobre ajuda militar, compartilhamento de informações de inteligência e acesso à versão militar dos sistemas de satélite da SpaceX. Witkoff tem encontro previsto com o presidente russo, Vladimir Putin, nesta quarta-feira.
Reclamações da Ucrânia Na segunda-feira (19), Zelensky afirmou que tropas ucranianas estavam sendo prejudicadas por uma redução na velocidade dos sistemas de satélite americanos usados no campo de batalha para coordenar ataques de drones contra forças russas. Segundo o presidente ucraniano, unidades na linha de frente relataram que os equipamentos passaram a operar com velocidade reduzida em diversos setores do front.
Autoridades ucranianas acusaram na semana passada os Estados Unidos de terem reduzido a capacidade do sistema após críticas do presidente americano, Donald Trump, aos ataques lançados por Kiev contra refinarias russas. A Ucrânia utiliza o Starshield para comunicações militares, coordenação de ataques de médio alcance em áreas ocupadas pela Rússia e operação de drones interceptadores. Já o Starlink é empregado em atividades civis.
Em imagem de arquivo, soldado ucrnaiano prepara sistema de internet por satélite da Starlink em sua posição na frente de batalha na cidade de Avdiivka, na Ucrânia, em fevereiro de 2024. Inna Varenytsia/ Reuters Autoridades do país também afirmaram recentemente que dificuldades no sistema comprometeram alertas à população sobre ataques de mísseis e drones russos.
Além das críticas relacionadas às comunicações via satélite, Zelensky acusou os Estados Unidos de atrasar a entrega de mísseis interceptadores comprados por países europeus para a defesa aérea ucraniana. Segundo ele, os armamentos aguardam autorização do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. As declarações ocorrem enquanto Kiev tenta preservar o apoio americano e busca avançar em negociações sobre o conflito, que já dura mais de três anos.
*Com informações da Reuters, AFP e AP. LEIA TAMBÉM: Starlink tem uma 'irmã militar' controlada pelos EUA; entenda o que é a Starshield Zelensky diz que decisão de Trump de suspender sanções à Rússia 'ajuda apenas os russos'
