Empreendedores se preparam para aumento de demanda durante Círio de Nazaré Ainda faltam algumas semanas para o Círio de Nazaré, mas, para quem vive da venda de artigos religiosos e lembranças da festa, a preparação começa bem antes de outubro.

Em Belém, empreendedores já reforçam estoques e ampliam a produção de camisas, acessórios e peças artesanais diante da expectativa de aumento da procura nos próximos meses Para a empreendedora Claudia Ribeiro, agosto já marca o início de um dos períodos mais importantes do ano. Na loja online de artigos religiosos que mantém, os produtos relacionados ao Círio estão entre os mais procurados.

“Eu começo a divulgação e, a partir de agosto, já começo a fazer entregas, porque tem pessoas que fazem questão de muito cedo já ter os produtos em mãos, já começar a adquirir”, conta. Entre os campeões de venda estão as camisas, com preços entre R$ 80 e R$ 160 e tecidos adaptados ao clima quente de Belém. A aposta também inclui acessórios personalizados com referências à festa nazarena.

Os símbolos aparecem nos detalhes: a mão que segura a corda, barcos, motos e carros que remetem às diferentes romarias e até a bandeira do Pará. Segundo Claudia, parte dos acessórios é produzida por uma empresa do Paraná que veio a Belém em 2024 para conhecer o Círio antes de desenvolver uma nova coleção. “Eles vieram para Belém, viveram todas as experiências possíveis do Círio e, em 2025, lançaram uma coleção muito diferente de tudo que se viu já aqui em termos de produtos de Círio”, afirma.

A procura não vem apenas de quem mora no Pará. Em sua primeira viagem a Belém, a turista Ana Souza recebeu, por chamada de vídeo, uma encomenda da avó, que estava em Minas Gerais e queria uma lembrança da cidade e da festa. Ana ainda não conhece o Círio, mas a passagem pela capital paraense despertou a vontade de voltar em outubro, desta vez acompanhada dos avós.

“Confesso que deu [vontade]. Vou me programar para poder vir”, contou. Segundo ela, os dois avós são “muito devotos”.

Círio movimenta comércio de Belém O movimento ajuda a dimensionar o impacto da festa para além das ruas tomadas pelas procissões. Durante o Círio de 2025, empreendimentos ligados à economia criativa e à fé movimentaram R$ 210 milhões em diferentes setores. Ao todo, o período gerou R$ 1,2 bilhão para a economia de Belém.

Entre quem se prepara para a demanda deste ano está Patrícia Andrade. Com tecidos e a técnica do macramê, ela produz artesanalmente peças de decoração com imagens de Nossa Senhora de Nazaré. No ano passado, foram cerca de 400 peças vendidas, com preços entre R$ 15 e R$ 150.

Agora, a expectativa é ampliar a produção para acompanhar a procura que antecede a festa. “São muitas pessoas que vêm e buscam produtos do Círio, principalmente do Círio. Existe uma compra de produtos regionais, mas a temática do Círio é muito maior.

Então essa expectativa é grande de vendas. Vou realmente correr atrás para produzir bastante”, diz. Para Patrícia, a comparação que melhor traduz o período é com outra data capaz de transformar o calendário do comércio.

“É como se fosse o Natal, o Natal antecipado”, resume. A produção também carrega uma dimensão afetiva para a artesã. Patrícia conta que acompanha de perto a reação de quem encontra as peças e reconhece nelas símbolos da própria devoção.

“Quando eu faço uma peça do Círio, eu coloco todo o meu amor, todo o meu carinho pela mãe do nosso Salvador, e eu sei que vai impactar de uma forma maravilhosa o coração daquela pessoa quando ela vê a peça”, afirma. Na loja de Claudia, a relação com os produtos também ultrapassa a expectativa pelas vendas de outubro. “Eu digo que o meu trabalho não é um trabalho só de venda, é um trabalho de evangelização.

Então, eu evangelizo por meio dos produtos que eu vendo”, diz.

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