Protestos tomam conta de várias cidades na Europa A polícia de Milão entrou em confronto neste domingo (18) com manifestantes que atiraram pedras e saquearam lojas durante um protesto contra a piora nos serviços públicos e o aumento do custo de vida. O episódio ocorre um dia após distúrbios semelhantes atingirem outras cidades na Itália, França e Albânia. Policiais da tropa de choque usaram gás lacrimogêneo e canhões de água para conter o tumulto.
Segundo fontes ligadas à investigação relataram à agência Reuters, centenas de manifestantes encapuzados quebraram vitrines e incendiaram lixeiras na região central, perto da famosa Piazza Duomo. Mais de 60 pessoas foram levadas à delegacia para averiguação. No sábado, confrontos parecidos já haviam resultado na prisão de 28 manifestantes em cidades do norte do país, como Bolonha, Bréscia, Bérgamo, Turim e a própria Milão, de acordo com um relatório divulgado pela polícia.
Os confrontos na Itália ecoam a onda de violência registrada na vizinha França. No sábado, centenas de milhares de franceses, também indignados com a inflação e o declínio dos serviços públicos, foram às ruas naqueles que já são considerados alguns dos protestos mais violentos do país nos últimos anos. Novos protestos foram registrados em Paris na tarde de domingo.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, que enfrentará eleições no ano que vem, condenou os atos de vandalismo. Ela anunciou uma reunião do governo para esta segunda-feira (19) com o objetivo de discutir medidas para conter a situação. Protestos na Albânia Protesto em Tirana, na Albânia, contra o governo Florion Goga/Reuters Estudantes lideram manifestações contra a corrupção na Albânia há seis dias; confrontos com a polícia deixaram feridos e quase 400 pessoas foram denunciadas.
O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, rejeitou neste domingo (18) os pedidos para que renuncie ao cargo. Segundo ele, os protestos que chegam ao sexto dia no país não são uma ameaça ao seu governo, mas sim às esperanças da Albânia de ingressar na União Europeia (UE). Lideradas por estudantes, as manifestações tomaram o centro da capital, Tirana, e se espalharam por outras cidades na última semana.
Os atos são motivados pela indignação com a corrupção no governo, a falta de empregos e a baixa qualidade da educação. Manifestantes que exigem a saída de Rama incendiaram prédios públicos e bancos, destruíram vitrines e arrancaram pedras do calçamento para atirar contra os agentes de segurança.
Homem atira lata de gás lacrimogêneo em protesto estudantil em Tirana, na Albânia, neste domingo (18) Florion Goga/Reuters A violência voltou a eclodir neste domingo, quando milhares de pessoas se reuniram em frente ao Ministério da Educação. A tropa de choque respondeu às pedradas com gás lacrimogêneo, canhões de água e balas de borracha.
A atual onda de insatisfação sucede meses de protestos pacíficos ocorridos no meio do ano contra um projeto imobiliário de luxo na costa do país — empreendimento apoiado por Jared Kushner, genro do presidente eleito dos EUA, Donald Trump. O cenário representa o maior desafio político para Rama, que governa desde 2013 e conquistou um quarto mandato no ano passado. "Não sou eu que estou sendo desafiado, nem o governo ou a maioria vencedora nas eleições.
O que está sendo desafiado é um caminho, uma missão", disse o premiê em transmissão ao vivo no Facebook. "Os albaneses precisam pensar com muita clareza: eles querem isso [os protestos] ou querem a UE?" Antes do início dos atos de domingo, escavadeiras removeram o calçamento em frente ao gabinete do primeiro-ministro para evitar que as pedras fossem usadas como armas. "Isso não vai parar os manifestantes.
Foi feito apenas para remover qualquer forma de proteção contra a polícia", criticou Elton Prendi, morador de Tirana. A Comissão Europeia condenou o uso da violência, mas elogiou o compromisso das autoridades locais em proteger o direito de protesto. Devido à crise, Rama cancelou uma reunião com o chanceler austríaco, Christian Stocker, que aconteceria nesta segunda (19) em Viena.
Escândalos de corrupção têm manchado a imagem da Albânia nos últimos anos. Analistas apontam o país como um centro para quadrilhas que buscam lavar dinheiro do tráfico de drogas e armas. Rama, no entanto, afirma que seu governo está combatendo o crime "como nunca antes".
Ao lado de Montenegro, a Albânia lidera o grupo de países dos Bálcãs que tentam ingressar na União Europeia, com meta de adesão até 2030. O primeiro-ministro culpou interesses estrangeiros não especificados pela atual crise e por uma suposta tentativa de ataque com drone ao seu escritório nesta semana. "Deus sabe quais serão as consequências.
Não há jovens, estudantes ou menores que sequer pensariam em implementar esse plano. Isso é [obra de] uma mão estrangeira", declarou. Segundo a polícia, 388 pessoas foram denunciadas por crimes durante as manifestações.
Dezenas de policiais e manifestantes ficaram feridos nos confrontos.
