Número de mortos na tragédia nos Himalaias passa de 780 A cidade de Trichuli, no Nepal, foi devastada pela força da água e da lama na última semana. Casas, lojas, uma ponte e parte do centro da cidade foram destruídos. Em meio aos escombros, moradores enfrentam uma corrida contra o tempo para encontrar parentes desaparecidos e recuperar o que ainda pode ser salvo.

📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No centro da cidade, um morador contou que uma loja estava sendo saqueada, enquanto outro apontou para o local onde estaria o cofre de um banco e disse acreditar que o dinheiro estava intacto. O homem afirmou que tinha a chave e tentava acessar o cofre para retirar o dinheiro.

A cena dá uma dimensão da situação enfrentada pelos moradores: enquanto equipes procuram sobreviventes e famílias buscam notícias de parentes, há também quem tente recuperar bens em uma cidade praticamente destruída. “Isso aqui era uma cidade inteira que foi pelo rio”, descreve o repórter Felipe Pessanha ao mostrar a área atingida. LEIA TAMBÉM: ‘Seria impossível fugir’: como rio levou cidade inteira no Nepal após avalanche de lama Moradores veem a destruição causada por lamaçal no banco da cidade.

Reprodução/TV Globo/Fantástico Ponte destruída separa famílias O rio Trichuli transbordou de forma violenta e arrastou estruturas inteiras. No centro da cidade, o bazar, onde havia muitas pessoas no momento da enchurrada, foi destruído. Casas ficaram cobertas de lama.

A água chegou a uma altura próxima do terceiro andar do banco da cidade. Uma das principais ligações da cidade foi perdida. Um morador contou que atravessou a ponte cerca de 15 minutos antes de ela ser levada pela enchurrada.

A família dele ficou do outro lado. Sem a ponte, ele não conseguia encontrar os parentes nem voltar para casa. Por isso, permaneceu no centro da cidade em busca de notícias.

Enchente no Nepal. Reprodução/TV Globo Famílias procuram desaparecidos A falta de eletricidade, telefone e internet dificultou a comunicação sobre as pessoas desaparecidas. Na base do Exército do Nepal, familiares foram procurar informações.

Uma lista com os nomes dos resgatados era consultada por quem tentava localizar parentes. Um homem, que levou uma fotografia do irmão para tentar encontrá-lo, disse ter visto em um vídeo o carro do familiar, e buscava informações sobre o que havia acontecido. Em um hospital, familiares também aguardavam notícias.

Uma mulher contou que o tio estava desaparecido. Ele era motorista e estava em uma das áreas mais afetadas quando a tragédia aconteceu. Ela disse manter a esperança de encontrá-lo vivo porque ainda não havia comunicação com a região.

Felipe Pessanha mostra prédio de banco em cidade devastada por mar de lama. Água chegou ao terceiro andar. Reprodução/TV Globo/Fantástico Sobreviventes são retirados de áreas atingidas Equipes de resgate encontraram pessoas em regiões remotas e em túneis em construção.

Uma mãe com um bebê pequeno foi retirada de uma das áreas próximas à fronteira com o Tibete. Um jovem aparentemente ferido também foi levado para atendimento médico. Um motorista que trabalhava em uma hidrelétrica contou que dirigia um caminhão que transportava 15 funcionários quando ficou preso dentro de um túnel.

Ele conseguiu sair do veículo e nadar até uma área coberta pela lama. Segundo seu relato, acredita que os demais trabalhadores da hidrelétrica tenham morrido por causa da força dos rios. Outro sobrevivente, de 84 anos, contou que teve a casa completamente destruída.

Ele e outras pessoas conseguiram correr para uma montanha e passaram a noite no local até serem resgatados. Entre os sobreviventes também estão uma menina de 6 anos, retirada dos escombros dois dias depois da avalanche, e uma mulher de 97 anos, que ficou coberta de lama e foi resgatada após nove horas. O bisneto da idosa acompanhou o resgate.

“Eu fiquei muito emocionado quando tiraram ela de lá. Não sabia o que fazer, nem sei pôr em palavras”, contou. A tragédia aconteceu durante um grande feriado sagrado para os hindus, período em que havia muitas pessoas em peregrinação nas montanhas.

Um jornalista nepalês que chegou às áreas atingidas antes mesmo do resgate disse nunca ter visto uma destruição daquela proporção. “Eu cubro desastres desse tipo há uns 10 anos, mas nunca vi uma devastação tão grande. Não consigo colocar em palavras o que ouvi esses dias”, afirmou.

GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.