Acusados foram julgados pelo Tribunal do Júri pela morte do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá Josi Dias/TJMT Os três réus julgados pela morte do advogado Roberto Zampieri foram condenados pelo Tribunal do Júri de Cuiabá. Somadas, as penas chegam a 68 anos e 9 meses de prisão. O julgamento começou na terça-feira (29) e terminou às 0h40 desta sexta-feira (2), após mais de 38 horas de trabalhos.

Foram condenados Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Os três foram considerados culpados por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e uso de arma de fogo de uso restrito ou proibido.

No primeiro dia do julgamento, foram ouvidos Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá Nilson André Farias, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, além de Mariana Costa Pinto, secretária do escritório de Zampieri, e José Marcos Marini, amigo da vítima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp No segundo dia, as partes desistiram das oitivas das demais testemunhas. Com isso, foram realizados apenas os interrogatórios dos três réus.

No terceiro dia de julgamento, foram realizados os debates entre acusação e defesa. Por acordo entre as partes, o Ministério Público teve três horas e 10 minutos para apresentar os argumentos, enquanto a defesa teve o mesmo tempo, dividido entre os advogados dos três réus. Após os debates, os sete jurados — quatro homens e três mulheres — votaram, em sala reservada, sobre as acusações.

Em seguida, o juiz José Mauro Nagib Jorge anunciou a sentença. A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva Martins, com o advogado Giovani Santin como assistente de acusação. Penas Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa.

TJMT Antônio e Etevaldo foram condenados, cada um, a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. Já Hedilerson recebeu pena de 25 anos de reclusão. Na sentença, o juiz reconheceu uma atenuante para Antônio Gomes por ele ter confessado o crime.

No caso de Etevaldo, a pena foi reduzida em razão da idade, já que ele tem mais de 70 anos. Para Hedilerson, nenhuma circunstância atenuante foi reconhecida durante a definição da pena. Os três réus podem recorrer da decisão, já que a condenação foi proferida em julgamento de primeira instância.

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Uma câmera de segurança registrou o momento em que um homem de boné se aproximou do veículo e atirou pelo vidro do passageiro. Zampieri foi atingido por cerca de 10 disparos.

Segundo a Polícia Civil, a investigação apontou cinco envolvidos no crime: Aníbal Manoel Laurindo, apontado como mandante; o coronel do Exército Luiz Caçadini, suspeito de financiar a execução; Antônio Gomes da Silva, apontado como atirador; Hedilerson Barbosa, acusado de intermediar o crime e fornecer a arma usada no assassinato; Gilberto Louzada da Silva, cuja participação ainda não havia sido esclarecida.

De acordo com a investigação, Antônio Gomes teria recebido R$ 40 mil para matar o advogado e vigiado Zampieri por cerca de 30 dias antes do crime. Hedilerson teria enviado para Cuiabá uma pistola de calibre 9 milímetros registrada em seu nome e se encontrado com o atirador em um hotel para entregar a arma. A polícia apontou como possível motivação uma disputa judicial envolvendo duas fazendas em Paranatinga, avaliadas em cerca de R$ 100 milhões.

Segundo o delegado Nilson Farias, Aníbal teria perdido as propriedades na Justiça e atribuído a Zampieri responsabilidade pelo resultado. A investigação também apontou que ele desconfiava de uma suposta proximidade entre o advogado e o desembargador responsável pelo processo. O caso também passou a ser investigado pela Polícia Federal após dados encontrados no celular de Zampieri indicarem possíveis negociações relacionadas à venda de decisões judiciais.

As investigações ainda apontaram a atuação de um grupo suspeito de espionagem e de assassinatos sob encomenda, com participação de militares da ativa e da reserva. De acordo com a Polícia Federal, os cinco envolvidos no assassinato faziam parte de um grupo criminoso que se autodenominava “Comando C4”, sigla para “Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”.

Segundo a investigação, o grupo estaria envolvido em ações de espionagem e assassinatos sob encomenda, com participação de militares da ativa e da reserva. Ainda segundo a PF, o grupo mantinha tabelas com valores cobrados pelos serviços de espionagem, conforme o perfil dos alvos. Entre os valores identificados estavam R$ 250 mil para espionar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), R$ 150 mil para senadores e R$ 100 mil para deputados.

Roberto Zampieri, de 57 anos, foi assassinado no dia 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá Reprodução