Uma nota técnica elaborada pelo Ministério da Defesa afirma que uma eventual retaliação comercial do Brasil contra os Estados Unidos por meio da Lei da Reciprocidade trará impactos negativos para a indústria nacional de defesa e segurança. Entre as consequências previstas, estão a perda de contratos, encarecimento de projetos, perda de competitividade no mercado internacional, retração de investimentos americano e o risco para o acesso a tecnologias.
"É possível inferir que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica trará impactos negativos para a Base Industrial de Defesa e Segurança. O setor poderá sofrer a perda de contratos com empresas norte-americanas e perda na competitividade internacional, pelo fato de ter em seu processo de produção insumos norte-americanos relevantes", diz trecho do documento.
"A retração de investimentos oriundos dos Estados Unidos também poderá ocorrer, o que demandará reconfiguração de cadeias de suprimento", completa a nota técnica. Agora no g1 O parecer foi produzido após solicitação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para avaliar o enquadramento de medidas de retaliação às recentes sobretaxas impostas por Washington a produtos brasileiros.
As tensões comerciais se intensificaram após o governo de Donald Trump aplicar duas rodadas de tarifas adicionais a produtos do Brasil. O governo brasileiro chegou a apresentar documentos ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), mas as alegações não surtiram efeito prático. Apesar de o setor de defesa também já estar sofrendo com as sobretaxas americanas, a Defesa avalia que responder com tarifas retaliatórias não beneficiará o setor nacional.
Entre as principais exportadoras nacionais listadas estão empresas como CBC, Taurus, Nitroquímica, Embraer, CSD e RJC, que enviam aos EUA itens como peças de aeronaves, munições, compostos químicos e detonadores. Nesta segunda-feira, integrantes do governo Lula e representantes do USTR vão se reunir por videoconferência para tratar das tarifas de Trump.
Dependência de insumos Outra preocupação do Ministério da Defesa é a alta dependência de componentes e insumos americanos na linha de montagem da indústria brasileira.
A aplicação de tarifas pelo Brasil encareceria esses insumos, inviabilizando custos de produção e afetando grandes programas das Forças Armadas: a fabricação de aeronaves KC-390, por exemplo, utiliza peças e subsistemas de fornecedores dos EUA embarcações desenvolvidas pela Marinha também contam com peças e componentes norte-americanos Via diplomática Diante do cenário, a equipe técnica do Ministério da Defesa recomenda cautela e prioridade ao diálogo diplomático e empresarial.
O Ministério da Defesa conclui que a retaliação tarifária forçaria uma "reconfiguração intempestiva" das cadeias globais de suprimento brasileiras, comprometendo a inserção internacional do país. KC-390 Millennium da Embraer Divulgação/Embraer
