Para quem está em tratamento contra o câncer, a rotina pode envolver uma sequência de consultas, exames, procedimentos e retornos ao serviço de saúde. Quando cada uma dessas etapas exige uma viagem para outra cidade, o tratamento pode representar também horas de deslocamento para o paciente e seus familiares. Foi a partir dessa realidade que a Liga Paranaense de Combate ao Câncer (LPCC) passou a ampliar sua presença para além de Curitiba.

Por meio de unidades em diferentes regiões, parte da assistência oncológica pode ser realizada mais perto de onde os pacientes vivem, de acordo com a estrutura disponível em cada local e com as necessidades de cada caso. A proposta não é reproduzir um hospital de alta complexidade em cada cidade.

O objetivo é organizar diferentes pontos de atendimento para que cada unidade ofereça os serviços compatíveis com sua estrutura, mantendo a integração com os centros de referência quando procedimentos ou tratamentos específicos forem necessários. Por que a distância importa durante o tratamento? O tratamento oncológico pode exigir acompanhamento por períodos prolongados.

Dependendo do diagnóstico e da estratégia definida pela equipe médica, o paciente pode precisar retornar diversas vezes ao serviço de saúde para consultas, exames, infusões, procedimentos e acompanhamento. Quando esse serviço está distante da residência, cada retorno pode significar uma nova viagem. Para algumas famílias, isso envolve horas na estrada, organização de transporte, mudanças na rotina de trabalho e escola e afastamento temporário de casa.

A descentralização busca reduzir parte desses deslocamentos quando o atendimento necessário está disponível em uma unidade regional. Isso não significa que todos os procedimentos possam ser realizados fora dos grandes centros. A definição do local de atendimento depende do diagnóstico, do tratamento indicado e da estrutura necessária para cada situação.

O que significa descentralizar a assistência? Descentralizar o atendimento significa distribuir determinadas etapas do cuidado entre diferentes pontos da rede. Na prática, uma pessoa pode realizar consultas, exames ou outros procedimentos disponíveis em uma unidade mais próxima de sua residência, enquanto situações que exigem recursos específicos continuam sendo encaminhadas para centros de maior complexidade.

Esse modelo permite que as unidades tenham funções diferentes e complementares. Em vez de concentrar todas as etapas do atendimento em um único endereço, a rede organiza os serviços de acordo com a capacidade de cada estrutura. Para o paciente, isso pode representar menos deslocamentos em determinadas fases do tratamento e maior proximidade entre o serviço de saúde e sua rotina.

Irati: atendimento para a região Centro-Sul No Paraná, a Unidade Erasto Gaertner em Irati foi criada com o objetivo de ampliar a assistência especializada aos pacientes da 4ª Regional de Saúde. A unidade recebe pacientes oncológicos da região, incluindo pessoas em avaliação inicial e pacientes que já realizam acompanhamento pelo Hospital Erasto Gaertner. Entre os serviços disponíveis está uma área própria para a manipulação de medicamentos quimioterápicos.

A presença da unidade permite que parte dos atendimentos seja realizada em Irati, evitando que o paciente precise se deslocar até Curitiba sempre que o serviço necessário estiver disponível na própria região. Paranaguá: atendimento mais próximo do Litoral Unidade Avançada Marcos Vinicius dos Santos Costa, da Liga Paranaense de Combate ao Câncer. Divulgação/Liga Paranaense de Combate ao Câncer.

No Litoral do Paraná, a Unidade Erasto Gaertner em Paranaguá segue a mesma lógica de aproximar determinadas etapas da assistência dos pacientes. Inaugurada em 2020, a unidade oferece serviços como primeira avaliação, consultas médicas e multiprofissionais, procedimentos, exames preventivos ginecológicos, coleta de sangue, dispensação de medicamentos e quimioterapia.

Um balanço institucional divulgado no primeiro ano de funcionamento apontou que cerca de 65% dos pacientes que anteriormente realizavam tratamento em Curitiba passaram a ser atendidos em Paranaguá. O número é referente ao período inicial de funcionamento da unidade e ajuda a ilustrar como a descentralização pode alterar a rotina de pacientes que precisam de acompanhamento frequente. Joinville amplia a presença da rede A atuação da Liga Paranaense de Combate ao Câncer também chega a Santa Catarina.

Em Joinville, o Centro de Saúde Erasto Gaertner atende pacientes de planos de saúde e particulares e reúne serviços de oncologia e hematologia, cuidados paliativos, consultas, centro de infusão, quimioterapia, exames laboratoriais, nutrição e psicologia. A unidade amplia a presença da instituição na região e oferece diferentes serviços relacionados à assistência oncológica em um mesmo espaço.

Assim como nas unidades do Paraná, os atendimentos disponíveis são definidos de acordo com a estrutura local e com as características da assistência oferecida. Mais perto, sem perder a conexão com a rede A proximidade entre o paciente e o serviço de saúde é um dos aspectos considerados na organização de uma rede de assistência. Quando parte do acompanhamento pode acontecer perto de casa, o paciente e seus familiares podem evitar determinados deslocamentos e manter mais próxima a rotina cotidiana.

Ao mesmo tempo, a descentralização precisa funcionar em conjunto com os centros de maior complexidade, que continuam sendo necessários para situações que exigem estruturas e recursos específicos. Por isso, o modelo não significa simplesmente levar o atendimento para outras cidades. Envolve definir quais serviços podem ser oferecidos em cada unidade, estabelecer fluxos entre os diferentes pontos da rede e manter a comunicação com os centros especializados.

É dessa forma que a Liga Paranaense de Combate ao Câncer estrutura sua presença regional: com unidades que possuem diferentes capacidades, mas fazem parte de uma mesma rede de assistência. Uma rede que acompanha diferentes momentos do cuidado A descentralização faz parte de uma estratégia mais ampla da Liga Paranaense de Combate ao Câncer para ampliar sua presença regional. A rede reúne o Hospital Erasto Gaertner, o Hospital Erastinho, o Hospice Erasto Gaertner e unidades de atendimento em outras cidades.

As estruturas atuam em diferentes frentes, incluindo prevenção, diagnóstico, tratamento, cuidados paliativos, ensino e pesquisa. Em cada região, a oferta de serviços considera a estrutura disponível e as necessidades da população atendida.

Assim, aproximar o tratamento não significa substituir os grandes centros, mas criar caminhos para que o paciente possa realizar, quando possível, determinadas etapas do cuidado mais perto de casa, mantendo o acesso às estruturas de maior complexidade quando elas forem necessárias.

Sobre a Liga Paranaense de Combate ao Câncer A Liga Paranaense de Combate ao Câncer mantém uma rede de assistência formada pelo Hospital Erasto Gaertner, Hospital Erastinho, Hospice Erasto Gaertner e unidades de atendimento em diferentes cidades. A atuação da instituição reúne prevenção, diagnóstico, tratamento, cuidados paliativos, ensino e pesquisa, com estruturas organizadas para diferentes necessidades ao longo da jornada de cuidado.