Ex-policial brasileiro vira traficante internacional e forja a própria morte para fugir Ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS), foragido internacional e dado como morto sob uma identidade falsa, Sérgio Roberto de Carvalho, conhecido como “Escobar brasileiro”, voltou aos tribunais da Bélgica nesta segunda-feira (7). O brasileiro é julgado por tráfico internacional de drogas.
O Tribunal de Apelação de Ghent, em Bruxelas, reservou pelo menos quatro semanas para o julgamento, com audiências em todos os dias úteis, das 10h às 17h30. O prazo ainda pode aumentar, conforme a duração das sustentações e eventuais imprevistos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp 🔎Major Carvalho é julgado sob acusação de chefiar uma rede independente de tráfico internacional que teria enviado pelo menos 67 toneladas de cocaína para a Europa entre 2017 e 2020.
Segundo as investigações, o volume é considerado o maior já registrado na chamada Rota do Atlântico, superando a atuação de grandes organizações criminosas. Carvalho é apontado como uma das figuras centrais de um esquema responsável pela entrada de toneladas de cocaína na Europa. Ele nega participação no esquema.
Além do ex-major, outros 30 réus são julgados no processo. O julgamento ocorre no complexo judicial de Ghent sob forte esquema de segurança. A estrutura montada para manter os acusados separados dos policiais inclui uma espécie de caixa de vidro, que voltou a ser questionada pelas defesas na retomada das audiências.
Em decisão divulgada em maio, o Tribunal de Primeira Instância da Flandres Ocidental determinou que as medidas de segurança deveriam permitir que os acusados conversassem reservadamente com os advogados. O tribunal também determinou que eles pudessem fazer anotações e entregá-las à defesa. Sérgio Roberto de Carvalho em imagem sem data Reprodução/Fantástico Primeiro dia de julgamento Além de Sérgio Roberto de Carvalho, o suíço Flor Bressers também é julgado pelo caso de tráfico de drogas.
Ele é descrito pela acusação como alguém que acompanhava todas as movimentações e controlava os subordinados por meio de mensagens ao longo do dia. Conforme a imprensa belga, o primeiro dia de julgamento foi marcado por discussões processuais. O advogado de defesa de Flor Bressers, Hans Rieder, argumentou que o Ministério Público da Bélgica apresentou petições fora do prazo e de forma irregular ao tribunal.
O juiz decidiu que vai se pronunciar sobre a questão na sentença e não suspendeu o processo. Outro ponto de discussão foi como Carvalho, Bressers e os demais acusados estavam presentes no julgamento. A sessão ocorre em um tribunal maior e, por isso, os réus estão sentados em uma cela de vidro.
Ainda segundo a imprensa internacional, os advogados argumentaram que a separação por vidro dificulta a comunicação com os réus. Mesmo diante das reclamações, o tribunal decidiu prosseguir conforme o planejado Julgamento recomeçou com novos juízes O processo precisou ser reorganizado depois que o Tribunal de Apelação de Gante acolheu pedidos de afastamento dos magistrados que conduziam o caso.
A crise ocorreu depois que, em janeiro, o tribunal encerrou os debates sem ouvir as alegações finais do Ministério Público, das defesas e dos próprios acusados. A corte de apelação considerou que a situação criou dúvidas justificáveis sobre a imparcialidade dos magistrados. Com isso, três novos juízes assumiram o processo.
O julgamento foi formalmente retomado em março e teve novas audiências em abril. Em maio, o tribunal definiu novos prazos para as partes e marcou a continuidade do processo para 7 de setembro. Sérgio Roberto de Carvalho, conhecido como “Escobar Brasileiro” Reprodução Quem é o 'Escobar brasileiro'?
Carvalho foi major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e passou para a reserva em 1997. No ano seguinte, foi condenado no Brasil a mais de 15 anos de prisão pelo tráfico de cerca de 230 quilos de cocaína. Ele foi demitido da corporação em 2018.
Anos depois, passou a ser apontado pela Polícia Federal como chefe de uma organização criminosa internacional responsável pelo envio de grandes carregamentos de cocaína para outros continentes. Durante o período em que esteve foragido, Carvalho viveu na Espanha usando a identidade falsa de Paul Wouter, um suposto empresário do Suriname. Ele chegou a ser preso pelas autoridades espanholas em 2020, mas pagou fiança e foi solto.
Para evitar comparecer novamente à Justiça, um atestado de óbito falso foi apresentado para informar que Paul Wouter havia morrido de Covid-19. A farsa foi descoberta depois que autoridades brasileiras alertaram os investigadores europeus sobre a verdadeira identidade do homem. Em buscas relacionadas ao ex-major em Portugal, policiais encontraram 12 milhões de euros.
Carvalho permaneceu foragido até junho de 2022, quando foi preso em Budapeste, na Hungria. Posteriormente, foi extraditado para a Bélgica, onde permanece detido. Agora, o ex-major volta ao centro de um dos maiores processos de tráfico internacional de cocaína em andamento no país europeu.
Pela programação definida pela Justiça belga, as audiências devem ocupar pelo menos as próximas quatro semanas. Veja mais vídeos do Mato Grosso do Sul
