Quem é Christa Pike Tennesse Department of Corrections/BBC A execução de Christa Gail Pike, no Tennessee, nos Estados Unidos, foi suspensa nesta quarta-feira (30) cerca de uma hora antes do horário previsto para ocorrer. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp De acordo com a agência de notícias Associated Press, a suspensão foi determinada depois de um pedido da Justiça por mais tempo para analisar alegações apresentadas por sua defesa.

Um tribunal federal de apelações vai revisar se as alegações de abuso sexual e estupro que teriam ocorrido com Christa na infância foram totalmente consideradas na aplicação da sentença. Essa teria sido a primeira execução de uma mulher no estado em pelo menos 200 anos. As testemunhas da execução já estavam reunidas na Instituição de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville, quando a ordem foi emitida por volta das 9h da manhã, horário central.

Ainda não está claro se o procurador-geral do Tennessee vai recorrer da decisão. A AP buscou um porta-voz do gabinete dele em busca de comentários, mas ainda não obteve resposta. Como foi o crime que levou à condenação Christa, que atualmente tem 50 anos, e seu namorado foram condenados por esfaquear e espancar Colleen Slemmer, de 19 anos, colega dos dois em uma instituição de treinamento profissional em Knoxville, em 1995.

Ela tinha 18 anos na época. O caso ganhou ampla repercussão na época, em parte porque um pentagrama esculpido no corpo de Slemmer e outros elementos do crime alimentaram temores de culto satânico durante o chamado “pânico satânico” das décadas de 1980 e 1990. Pike não nega ter cometido o assassinato, mas seus apoiadores argumentam que o Estado deveria levar em consideração a idade dela na época, sua doença mental e um histórico de graves abusos sexuais, que incluíam estupros desde quando ela era bebê.

O defensor público federal adjunto Stephen Ferrell disse que a sentença de morte de Pike é uma exceção, porque as sentenças de outros jovens de 18 anos condenados à morte no Tennessee foram anuladas. O governador do Tennessee, Bill Lee, negou o pedido de clemência de Pike na segunda-feira (28). “Eu era uma jovem de 18 anos com doença mental.

Levei muitos anos até mesmo para compreender a gravidade do que havia feito”, disse Pike em uma declaração incluída em seu pedido de clemência. “Levei ainda mais tempo para aceitar quantas vidas eu havia afetado. Tirei a vida do filho, da irmã e da amiga de alguém.

Hoje me enoja pensar que eu fui capaz de cometer um crime desses.” A mãe de Slemmer quer que a injeção letal seja realizada, dizendo que esperou décadas para ver a sentença de Pike ser cumprida. “Toda vez que penso nisso, penso em Colleen sentindo aquela dor e tentando se levantar e correr”, disse May Martinez em uma entrevista por telefone. Martinez disse que um grupo ajudou a arrecadar dinheiro para que ela e o marido pudessem viajar da Flórida para testemunhar a execução.

O assassinato de 1995 abalou a cidade de Knoxville. Os promotores disseram que Pike, temendo que Slemmer estivesse tentando roubar seu namorado, a atraiu para uma área de mata em 12 de janeiro de 1995. Pike cortou Slemmer com um estilete e a espancou com um grande pedaço de asfalto.

Shipp, namorado de Pike, admitiu que foi ele quem esculpiu no corpo dela um pentagrama, um símbolo em forma de estrela associado ao satanismo. Shipp tinha 17 anos quando o crime ocorreu e recebeu uma sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Pike foi a única a ser condenada à morte.

O Tennessee não executa uma mulher há pelo menos 200 anos, segundo Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center. Registros mais antigos, porém, podem ser incompletos, o que dificulta saber os detalhes precisos sobre a última mulher executada no estado.

É algo raro nos Estados Unidos. Desde 1976, 18 mulheres foram executadas no país, o que representa cerca de 1% de todas as execuções, segundo o centro. Mais recentemente, o Missouri executou Amber McLaughlin em 2023 pelo assassinato cometido em 2003, naquela que se acredita ter sido a primeira execução de uma mulher transgênero nos EUA.

Em 2021, o governo federal executou Lisa Montgomery, marcando a primeira vez em quase sete décadas que o governo dos EUA executou uma mulher.