Maria Albina vive com Doença de Creutzfeldt-Jakob em MS Arquivo pessoal Lito Sousa, de 59 anos, foi diagnosticado com a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) enquanto ainda conseguia falar, lembrar e tomar decisões. Do outro lado, Maria Albina da Rosa, de 33 anos, saiu do Paraguai para receber o diagnóstico em Ponta Porã, quando já havia perdido a fala e os movimentos.

Em poucos meses, Maria passou de uma mulher que trabalhava, cuidava de uma criança e procurava uma massagista para aliviar dores na nuca e nas costas a uma paciente que não consegue mais andar, falar ou se alimentar pela boca. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp O marido dela, Joel Brás Duarte, de 41 anos, relata que a transformação aconteceu rápido demais para que a família pudesse entender o que estava acontecendo. “Vem igual uma avalanche, não dá mais tempo porque a pessoa esquece tudo.

De uma hora para a outra, a pessoa esquece tudo, não sabe mais nada, nem a idade”, resume. Joel conta que os primeiros sintomas apareceram em setembro de 2025, quando o casal ainda morava no Paraguai. Na época, Maria sentia dores na nuca e nas costas e fazia massagens a cada 15 dias, mas o alívio era temporário.

Em novembro, segundo o marido, começaram os esquecimentos e as alterações de comportamento. Maria trabalhava como doméstica e também cuidava de uma criança. Um episódio no trabalho chamou a atenção da família.

O patrão reclamou que algumas tarefas não haviam sido feitas. Maria, porém, dizia ao marido que havia realizado o serviço e que o patrão estava enganado. Agora no g1 Com a piora dos sintomas, ela foi levada a psicólogos e, depois, a um psiquiatra.

“Do psiquiatra ela já não sabia mais quem era, não estava dando resultado nenhum tipo de remédio. Aí fizeram ressonância magnética e eletroencefalograma e nada”, conta Joel. Em janeiro de 2026, o quadro havia se agravado.

Maria já apresentava dificuldade para falar, não conseguia mais se alimentar sozinha, tinha dificuldade para se movimentar e, segundo o marido, já não se lembrava das coisas. “Ela comia pela boca, mas não conseguia comer sozinha porque a mão dela já não obedecia mais”, relata. Após uma série de exames em Ponta Porã, na região de fronteira com o Paraguai, Maria foi encaminhada para um neurologista em Dourados.

Segundo Joel, foi em abril de 2026 que o médico informou à família que se tratava da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). “Lá ela já não conseguia mais comer também, nem tomar água pela boca. Aí já colocaram nela uma sonda.

Aí falaram para mim que era essa doença aí que não tinha cura nem tratamento”, diz. Desde então, Joel e Maria vivem em Ponta Porã. Com a progressão da doença, ele precisou deixar o emprego para se dedicar integralmente aos cuidados da mulher.

Também deu entrada em um pedido no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em busca de auxílio. “Para poder pegar alguma ajuda, para poder cuidar dela. Eu sou o único cuidador, todo mundo abandonou nós, então eu estou aqui, todo dia estou aqui com ela, cuidando dela”, afirma.

Duas experiências com a mesma doença No caso de Lito, o piloto conseguiu descobrir a doença enquanto ainda falava e conseguia se comunicar. Para o marido de Maria, essa diferença foi decisiva. “A gente não teve essa oportunidade que ele tem.

Ele ainda está com essa janela de tempo que pode fazer o que quiser e falar o que quiser”, diz. A evolução da doença fez com que essa janela de comunicação desaparecesse rapidamente no caso de Maria. Cerca de dois meses depois do agravamento dos sintomas, segundo o marido, ela já estava acamada.

Atualmente, Maria não anda, não fala, alimenta-se por sonda e, segundo Joel, não consegue enxergar. Ele acredita que ela ainda consiga ouvir alguns sons e perceber a presença das pessoas, embora não consiga confirmar se ela ainda enxerga. O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma doença neurodegenerativa rara provocada pelo acúmulo de proteínas anormais chamadas príons no cérebro.

A proteína príon está naturalmente presente no organismo. Por razões ainda não totalmente esclarecidas na maioria dos casos, ela pode sofrer uma alteração em sua estrutura e induzir outras proteínas a assumirem a mesma forma anormal. Esse processo provoca danos progressivos aos neurônios e uma rápida degeneração cerebral.

De acordo com o neurologista Adalberto Studart, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e da Academia Brasileira de Neurologia, a sobrevida média após o início dos sintomas é de cerca de seis meses e raramente ultrapassa oito meses. Atualmente, não existe tratamento capaz de curar a doença ou aumentar a sobrevida dos pacientes. O atendimento é baseado em cuidados de suporte, com o objetivo de controlar os sintomas e proporcionar qualidade de vida.

Cerca de 15% dos casos têm origem hereditária. As formas adquiridas são ainda mais raras e podem estar relacionadas à contaminação por procedimentos médicos ou ao consumo de carne contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como “mal da vaca louca”. O Brasil nunca registrou casos de transmissão da DCJ por consumo de carne bovina.

Atualmente, o teste diagnóstico de alta precisão conhecido como RT-QuIC é realizado de forma acadêmica no laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas ainda não integra o fluxo regular de exames do Sistema Único de Saúde (SUS). O diagnóstico de Lito Lito, de 59 anos, é criador de conteúdo, empresário, piloto e mecânico de avião. Ele ficou conhecido nas redes sociais pelos vídeos sobre aviação.

Lito havia sido diagnosticado com câncer de próstata quando começou a perder os movimentos do braço esquerdo, o que já eram sintomas da DCJ. O diagnóstico do influenciador ganhou repercussão nacional após matéria exibida pelo Fantástico. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: