Caderno de resposta, prova, exame, concurso, Enem Eduardo Ribeiro Jr./g1 "Chutar" as respostas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode não ser uma boa estratégia para tentar garantir uma nota alta: há o risco de o desempenho final do candidato ser prejudicado. No entanto, deixar de responder uma questão é uma opção ainda pior. Mas por quê?

É que a nota final não é simplesmente a soma do número absoluto de acertos. O método de correção usado na prova, chamado de Teoria de Resposta ao Item (TRI), prioriza o desempenho que for coerente. “A TRI não faz uma simples contagem de acertos.

Ela observa o conjunto das respostas para estimar o nível de conhecimento que o estudante demonstrou. É esperado, por exemplo, que quem consegue resolver questões mais difíceis também acerte boa parte das mais fáceis”, explica Vanessa Santos, gerente de Projetos Educativos e Avaliação Educacional do Poliedro Educação. Dois alunos que acertarem exatamente o mesmo número de perguntas podem tirar notas diferentes.

O raciocínio por trás disso é que, se alguém acerta as questões mais difíceis, mas erra aquelas consideradas fáceis, provavelmente "chutou" as respostas. Por isso, terá uma nota inferior à de um estudante que acertou as fáceis, mas errou as mais complexas (veja ilustração abaixo). Dois participantes acertaram 5 respostas.

Veja só como aquele que errou justamente as mais fáceis tirou uma nota menor do que o outro, que errou as difíceis. Reprodução/Inep 🤔 Para que existe a TRI? A TRI apresenta as seguintes vantagens em relação ao método clássico de correção: ao detectar os famosos "chutes", ela premia o aluno que, de fato, se preparou para a prova; possibilita a comparação entre candidatos que tenham feito diferentes edições do exame; torna mais improvável que dois concorrentes tirem exatamente a mesma nota.

✅ Qual estratégia usar para se dar bem na TRI?

Gastar energia, logo de cara, com aquela pergunta muito longa e complexa pode cansar o aluno e fazer com que ele erre, depois, uma questão considerada simples. No contexto de TRI, a nota será prejudicada. Dicas de resolução: Na 1ª leitura: resolver todas as questões que considerar fáceis.

Na 2ª leitura: responder às perguntas em que tiver ficado entre duas alternativas, consideradas médias. Na 3ª leitura: fazer as questões mais longas ou sobre assuntos não tão comuns no Enem, consideradas difíceis. 👉🏽Fazer a prova nessa ordem pode ajudar a aumentar a nota em relação ao sistema TRI.

Neste caso, se o aluno deixar para responder por último as questões que achar difíceis, e se precisar chutar, a nota não vai ser tão comprometida caso ele erre a resposta. Apesar de priorizar um desempenho coerente, a TRI não anula a nota caso um aluno acerte as questões difíceis e erre as fáceis. Neste caso, o padrão de respostas vai identificar uma variação e vai atribuir uma nota menor a este acerto, do que atribuiria caso os itens mais fáceis também estivessem corretos.

“A TRI não é detetive de chute. Acertar uma questão nunca faz a nota cair. O que pode acontecer é aquele acerto ter uma contribuição menor no resultado quando analisado dentro do padrão de respostas daquele estudante”, afirma Vanessa.

📈 Por que a nota da prova não vai de 0 a 1.000? No Enem 2025, a nota máxima na prova de Linguagens, por exemplo, foi 794,5 e a mínima, 309,2. Ou seja: quem acertou todas não tirou 1.000, e quem errou 100% das perguntas não ficou com zero.

Por quê? Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que organiza e aplica o Enem, o que determina os "extremos" da nota é o grau de dificuldade das perguntas daquela edição. "Quando a prova for composta por muitos itens fáceis, o máximo tenderá a ser mais baixo, e quando for formada por itens difíceis, o mínimo tenderá a ser mais alto", diz o órgão, em documento de orientação aos participantes.

🚨 Mas, atenção: deixar uma questão em branco nunca é a melhor opção. O ideal é se preparar para o exame, para que, mesmo sem saber responder tudo, o a candidato apresente um desempenho "coerente".