Meta remove 756 mil contas de menores na Austrália O governo australiano propôs nesta terça-feira (8) uma mudança nas regras das redes sociais que permitirá aos usuários escolher quais conteúdos aparecem em seus feeds. A medida faz parte de uma iniciativa do governo para aumentar a segurança online e dar aos usuários mais controle sobre o conteúdo que aparece nas plataformas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem?

Envie para o g1 Pela proposta, as redes sociais terão de informar os usuários sobre o funcionamento do feed padrão e oferecer duas opções. Uma das opções mantém o sistema usado atualmente por muitas plataformas: um algoritmo analisa o comportamento do usuário e recomenda conteúdos com base no que ele costuma assistir, ler ou curtir. A outra opção desativa as recomendações feitas por algoritmos e mostra apenas publicações de amigos, criadores e outras contas que o usuário segue..

“Esta é uma reforma sensata, pragmática e prática”, disse o primeiro-ministro Anthony Albanese a jornalistas. Segundo ele, a mudança dará mais controle aos usuários e responsabilizará as grandes empresas de tecnologia pelo cumprimento das novas regras. Batizada de “My Feed, My Way” (“Meu feed, do meu jeito”, em português), a iniciativa também prevê que as plataformas registrem as medidas adotadas para reduzir riscos aos usuários e mostrem que essas medidas continuam funcionando ao longo do tempo.

A proposta ocorre em meio à crescente pressão sobre a forma como as redes sociais selecionam e recomendam conteúdos aos usuários. 📱 Os algoritmos podem analisar as interações de cada usuário para identificar seus interesses e sugerir publicações semelhantes. Críticos afirmam que esse modelo pode estimular o uso prolongado das plataformas ao manter as pessoas expostas continuamente a conteúdos que chamam sua atenção.

Órgão de segurança online ganha mais poderes A proposta também amplia os poderes da eSafety, órgão australiano responsável pela segurança na internet. A agência poderá exigir que grandes empresas de tecnologia removam rapidamente materiais nocivos ou ilegais, incluindo conteúdos relacionados à nudez. Defensores da liberdade de expressão, porém, afirmam que os novos poderes podem abrir espaço para censura.

Albanese rejeitou a crítica. "Não se trata de dar controle ao governo. É sobre dar controle às pessoas", afirmou.

Austrália endureceu regras para crianças O projeto foi apresentada depois na esteira em que a Austrália adotou uma das medidas mais rígidas do mundo para restringir o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais. Desde o fim de 2025, plataformas como Instagram, Facebook, TikTok, YouTube e Snapchat passaram a ter de impedir que menores de 16 anos mantenham contas.

➡️ A regra responsabiliza as próprias empresas por verificar a idade dos usuários e prevê multas caso elas não adotem medidas consideradas suficientes para cumprir a restrição. Segundo a ministra das Comunicações, Anika Wells, a proposta cria novas obrigações para as plataformas digitais, que terão de adotar medidas para reduzir os riscos aos usuários.

“O projeto garantirá que os provedores de serviços online, incluindo algumas das empresas mais poderosas do mundo, assumam a responsabilidade e façam mais para manter os australianos seguros de danos em suas plataformas”, afirmou. Projeto "My feed my way" ainda será discutido Antes de levar a proposta ao Parlamento, o governo pretende ouvir empresas de tecnologia, representantes do setor, organizações da sociedade civil e grupos de defesa dos usuários.

A previsão é que o projeto de lei seja apresentado ao Parlamento australiano ainda neste ano. A Austrália segue uma medida semelhante adotada pela União Europeia. Desde 2024, a Lei de Serviços Digitais do bloco exige que as plataformas ofereçam aos usuários uma opção para desativar o perfilamento usado nas recomendações.

A implementação da regra europeia, porém, enfrentou dificuldades. Reguladores reclamaram que algumas plataformas não facilitavam o acesso dos usuários à opção de deixar de receber recomendações baseadas em seu perfil. *Com informações da Agência Reuters