Drone mostra reflorestamento da Amazônia na Fazenda Turmalina, em Mãe do Rio, no Pará, no dia 29 de setembro de 2025. Wagner Santana/Reuters O desmatamento na Amazônia e no Cerrado caiu ao menor nível de suas respectivas séries históricas entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira (16). Na Amazônia, a área desmatada foi de 3.335 km², o menor valor desde o início do monitoramento, em 1988.

O resultado representa uma redução de aproximadamente 41,8% em relação ao ciclo anterior, quando foram registrados 5.731 km². No Cerrado, a destruição da vegetação nativa também atingiu um recorde de baixa: 5.516,69 km², o menor patamar da série histórica iniciada em 2001. A queda foi de aproximadamente 23,8% em comparação com os 7.235,27 km² registrados no período anterior.

Os números foram apresentados pelo governo federal durante uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), e fazem parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Inpe. O sistema é responsável por calcular a taxa oficial de desmatamento a partir da análise de imagens de satélite. ➡️ ENTENDA: O Prodes é o sistema que calcula a taxa oficial de desmatamento no Brasil.

Feito pelo Inpe com uma análise mais detalhada das imagens de satélite, ele mede a área efetivamente desmatada a cada ano, de agosto a julho. Já o Deter, também do Inpe, funciona como uma ferramenta de alerta rápido para orientar a fiscalização (entenda mais ABAIXO). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A queda nos dois biomas também aparece quando os resultados são comparados aos de quatro anos atrás.

Segundo o levantamento do Inpe, o desmatamento na Amazônia diminuiu 71,2% nesse período, enquanto no Cerrado a redução chegou a 48,4%. Na Amazônia, a área desmatada havia chegado a 11.594 km² em 2022. Desde então, foram registradas quedas sucessivas, até atingir os 3.335 km² estimados para 2026.

No Cerrado, a área desmatada chegou a 11.012 km² em 2023 e também passou a apresentar reduções nos anos seguintes. O novo resultado representa menos da metade da área destruída quatro anos antes. Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Agora no g1 O que explica a queda?

Essa redução acompanha o endurecimento da fiscalização e do controle sobre o desmatamento ilegal nos últimos anos. Um dos marcos desse movimento foi a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Criado em 2004, o plano reúne ações de diferentes ministérios e esteve por trás da forte queda do desmatamento registrada entre 2004 e 2014.

Planos semelhantes também foram elaborados para os demais biomas, entre eles o Cerrado. Na prática, essas medidas buscam aumentar o risco de punição para quem desmata ilegalmente. Um dos instrumentos usados são os embargos remotos: áreas desmatadas sem autorização são identificadas por imagens de satélite e bloqueadas sem a necessidade de uma operação em campo.

Com o embargo, o proprietário fica impedido de usar a área e de comercializar o que for produzido nela. Somam-se a isso a atuação dos estados nas ações de controle, o aumento de autuações do Ibama e a maior atenção dos bancos aos dados de desmatamento na concessão de crédito rural. Assim, propriedades com desmatamento irregular passam a ter mais dificuldade para conseguir financiamento.

No Cerrado, porém, a queda vem sendo mais lenta, e parte da explicação está na própria legislação. O Código Florestal permite desmatar uma parcela das propriedades rurais, desde que haja autorização do órgão ambiental estadual. Na Amazônia, essa parcela é pequena.

No Cerrado, é bem maior. Por isso, grande parte da perda no Cerrado acontece em propriedades privadas regularizadas, dentro do limite permitido. Como esse tipo de desmatamento não é alcançado por embargos e multas, que miram a derrubada ilegal, reduzir o ritmo no bioma depende de outros caminhos, como incentivos econômicos para que o produtor mantenha a vegetação nativa e regras mais rígidas para as autorizações concedidas pelos estados.

LEIA TAMBÉM Por que o Sul é a região mais propensa a tornados no Brasil? Veja como se cadastrar para receber alerta detalhado da Defesa Civil Uma visão de drone mostra a devastação de um incêndio florestal em meio à fumaça na Amazônia, em Lábrea (AM) e 6 de setembro de 2024. Bruno Kelly/Reuters Pará lidera desmatamento na Amazônia Na Amazônia, o Pará continuou registrando a maior área desmatada entre os estados, com 1.130 km², o equivalente a 33,9% do total estimado para o bioma.

Apesar de permanecer na liderança, o estado teve uma redução de 45,3% em relação ao ciclo anterior, quando a área desmatada havia sido de 2.064 km². Em seguida aparecem Mato Grosso, com 849 km², e Amazonas, com 525 km². Os dois estados também tiveram quedas expressivas, de 46,7% e 46,4%, respectivamente.

Juntos, Pará, Mato Grosso e Amazonas concentraram aproximadamente 75% de toda a área desmatada na Amazônia no último ciclo. Roraima, por outro lado, apresentou um pequeno aumento. A área desmatada passou de 285 km² para 286 km², uma alta de 0,4%.

Os demais estados tiveram as seguintes estimativas de área desmatada: Acre, com 252 km²; Rondônia, com 149 km²; Maranhão, com 128 km²; Amapá e Tocantins, ambos com 8 km². Deter x Prodes 🚨 O Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é o sistema responsável pela taxa oficial de desmatamento no Brasil. Ele calcula, a cada ano, a área de vegetação nativa efetivamente suprimida, sempre considerando o período de agosto a julho.

Para isso, o sistema usa imagens de satélite de maior resolução e passa por uma análise mais detalhada, o que leva mais tempo. O Prodes mapeia o chamado corte raso, ou seja, a remoção completa da vegetação, em áreas a partir de 6,25 hectares (0,0625 km²). Na Amazônia, a série histórica começa em 1988.

Já o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), também do Inpe, funciona como uma ferramenta de alerta. Ele emite sinais diários sobre mudanças na cobertura vegetal e serve principalmente para orientar a fiscalização. Por isso, os números dos dois sistemas não são diretamente comparáveis.

A taxa do Prodes costuma, inclusive, ser superior à área apontada pelos alertas do Deter.