Renan Santos com Milton Jung, Malu Gaspar, Maria Cristina Fernandes e Lauro Jardim na sabatina 'O Globo'/CBN e 'Valor' Ana Branco/Agência O Globo O candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, foi entrevistado nesta quinta-feira (27) por "O Globo", "Valor "e CBN. Conduzida pelos jornalistas Milton Jung, Lauro Jardim, Malu Gaspar e Maria Cristina Fernandes, a entrevista começou às 10h30 e teve 1h30 de duração.
A série de entrevistas com presidenciáveis de 2026 foi aberta por Romeu Zema (Novo) na terça-feira (25). Na quarta-feira (26), foi a vez de Ronaldo Caiado (PSD). Já na sexta-feira (28), Augusto Cury (Avante) será recebido, sempre no mesmo horário e com a duração de uma hora e meia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também foram convidados para as sabatinas, mas não confirmaram presença até o momento.
Foram chamados os candidatos melhor colocados na pesquisa divulgada pela Quaest na semana passada, o primeiro levantamento contratado pela TV Globo e pelo "Globo" nesta corrida eleitoral Confira a agenda: Terça-feira (25) - Romeu Zema (Novo) – leia a checagem Quarta-feira (26) - Ronaldo Caiado (PSD) – leia a checagem Quinta-feira (27) - Renan Santos (Missão) Sexta-feira (28) - Augusto Cury (Avante) A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Renan Santos (Missão).
Leia: "Tem que discutir junto com o Congresso [proposta de escala trabalhista], mas eu defendo a principal manutenção do modelo atual das 44 horas de trabalho."
g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: A Constituição Federal estabelece, no artigo 7º, inciso XIII, que a duração normal do trabalho não pode ser superior a oito horas diárias e 44 horas semanais, permitindo compensação de horários e redução da jornada mediante acordo ou convenção coletiva. A regra também consta da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O artigo 58 estabelece como regra geral jornada normal de até oito horas diárias, ressalvadas outras disposições legais. "Precisamos de um regime trabalhista que vá além do MEI. [Hoje] De 13 a 16 milhões são MEI."
g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: O Microempreendedor Individual (MEI) é um regime simplificado criado para formalizar pequenos empreendedores e trabalhadores autônomos. O MEI possui CNPJ próprio, pode emitir notas fiscais e tem acesso a benefícios previdenciários mediante o pagamento mensal de uma contribuição simplificada.
Dados do Governo Federal apontam 16,9 milhões de MEIs em maio de 2026, 756,5 mil registros a mais que no ano anterior. "O SUS não tem prontuário único. O SUS está caminhando para ter prontuário único há mais de uma década.
[...] Não é que o SUS está parado nisso. Existem investimentos que vêm sendo feitos. Um prontuário único, aliado à incrível capacidade de processamento de informações das inteligências artificiais do machine learning vai permitir uma capacidade preditiva de acompanhamento de doenças e, por consequência, alocação de recursos como estoque de remédios e médicos ímpar.
Que para um sistema centralizado como o SUS [...] tenha ganhos em escalas."
g1 A declaração é #FAKE. Veja por quê: O Sistema Único de Saúde (SUS) já possui uma estrutura nacional para integrar informações de saúde dos cidadãos. A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), do Ministério da Saúde, é a plataforma oficial de interoperabilidade do sistema e permite o compartilhamento de dados clínicos entre diferentes estabelecimentos e níveis de atenção.
O cidadão pode acessar informações reunidas pela rede por meio do aplicativo "Meu SUS Digital". O SUS é organizado a partir de três princípios básicos: universalidade, integralidade e equidade. A universalidade garante acesso à saúde a todos; a integralidade prevê que o atendimento considere desde a prevenção até o tratamento e a reabilitação; e a equidade busca reduzir desigualdades, direcionando mais recursos e atenção a quem mais precisa.
Também é incorreto definir o SUS como "um sistema centralizado". A Constituição determina justamente o contrário: o artigo 198 estabelece que as ações e serviços públicos de saúde formam uma rede regionalizada e hierarquizada organizada segundo a diretriz da “descentralização, com direção única em cada esfera de governo”. União, estados e municípios dividem responsabilidades pela gestão e execução do sistema.
A Lei nº 8.080/1990, que regulamenta o SUS, também estabelece entre seus princípios a descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo e ênfase na descentralização dos serviços para os municípios. Portanto, embora existam políticas, bases de dados e sistemas nacionais, a estrutura administrativa do SUS não é centralizada. "A única diferença é que os lugares mais modernizados estão abandonando a CLT.
Então, os setores mais modernos da economia já abandonam a CLT."
g1 A declaração é #FAKE. Veja por quê: Nos setores brasileiros associados à economia moderna, o número de empregos celetistas aumentou. Entre junho de 2025 a junho de 2026, passou de 1,23 milhão para 1,25 milhão em informação e comunicação; de 1,67 milhão para 1,73 milhão nas atividades profissionais, científicas e técnicas; e de 1,085 milhão para 1,089 milhão nas atividades financeiras.
No mesmo período, a queda mais acentuada ocorreu na agropecuária, que perdeu 18,7 mil vínculos, um recuo de 1%. No conjunto do mercado de trabalho brasileiro, no trimestre encerrado em julho de 2026, havia 39,4 milhões de empregados do setor privado com carteira assinada e 38,8 milhões de trabalhadores informais. A CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) foi criada em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas.
Já os outros países não "abandonaram a CLT", porque nunca tiveram essa legislação, mas adotam regras próprias para empregados e trabalhadores autônomos. Na França, por exemplo, o micro-entrepreneur é o modelo mais próximo do MEI: o trabalhador registra a atividade e paga contribuições sociais vinculadas ao faturamento. Atualmente, o principal modelo é o emprego assalariado por tempo indeterminado.
Em 2025, 86,5% dos ocupados eram assalariados e 72,8%, cerca de 21,4 milhões de pessoas, tinham contrato por tempo indeterminado, chamado CDI, ou eram funcionários públicos. Desde 2008, o Código de Trabalho francês estabelece expressamente que o CDI é a forma "normal e geral" da relação de trabalho. O marco atual vigora, portanto, há 18 anos.
Em Portugal, o principal modelo também é o emprego assalariado permanente. Em 2025, dos 5,27 milhões de ocupados, 4,47 milhões trabalhavam por conta de outra pessoa e 3,8 milhões tinham contrato permanente ou “sem termo”. O modelo reunia, assim, 72% de todos os ocupados.
O atual Código do Trabalho vigora desde 2009, há 17 anos, e permite contratos com prazo determinado somente em situações previstas na legislação. Nos Estados Unidos, 157,2 milhões de pessoas eram trabalhadores assalariados em 2025, contra 10,1 milhões de autônomos com negócios não incorporados. Portanto, o emprego assalariado também é amplamente predominante.
O país não possui um código trabalhista único nem uma modalidade nacional de contrato equivalente à CLT. A legislação combina normas federais e estaduais. A principal lei federal sobre salário mínimo, horas extras e trabalho infantil, a FLSA, vigora desde 1938, há quase 88 anos.
"O único setor brasileiro que cresce a produtividade em níveis compatíveis com a China e o Vale do Silício é o agro."
g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: O agronegócio é, de fato, o grande destaque da produtividade brasileira. Segundo a FGV Ibre, a produtividade por hora trabalhada da agropecuária cresceu, em média, 5,8% ao ano entre 1996 e 2024.
Mas não foi o único setor com aumento no período. A produtividade também avançou na indústria extrativa, 2,3% ao ano; nos serviços industriais de utilidade pública, 3,3%; na intermediação financeira, 1,1%; e no conjunto dos serviços, 0,2%. Uma base internacional do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostra que a produtividade total dos fatores da agropecuária cresceu mais de 2% ao ano tanto no Brasil quanto na China entre 1991 e 2020.
Não há base para a referência ao Vale do Silício. Trata-se de uma região que reúne atividades diferentes, e não de um setor econômico comparável à agropecuária. Dados do Conference Board mostram que a produtividade da economia chinesa, medida pelo PIB por hora trabalhada, cresceu em média 10,6% ao ano entre 2000 e 2007 e 7,4% entre 2011 e 2019.
Em 2024, o avanço foi de 5%. Portanto, o crescimento de 5,8% registrado pelo agro brasileiro está em uma ordem de grandeza próxima à observada na economia chinesa, embora os períodos comparados sejam diferentes. "O estado de defesa permite que você faça prisões, acho que por um período de dez dias, ao longo dessas operações [...].
Eventualmente, você tem uma pessoa que é suspeita, que ela não estava trocando tiro com a polícia, mas ela é uma suspeita e a força policial pode fazer aquela prisão por 10 dias [...]. Vou dar um exemplo, e conversando com especialistas, assim com gente das forças policiais, eventualmente você precisava de uma prorrogação de +60 dias nessas prisões que são feitas no estado de defesa."
g1 #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê: Durante o estado de defesa, o executor da medida pode determinar a prisão por crime contra o Estado. A prisão deve ser comunicada imediatamente ao juiz, que poderá relaxá-la se for ilegal.
A Constituição estabelece que a prisão ou detenção não pode ultrapassar dez dias, salvo quando houver autorização do Poder Judiciário. Não existe uma prorrogação automática de mais de 60 dias para essas prisões. O prazo de até 60 dias se refere à duração do próprio estado de defesa: até 30 dias, prorrogáveis uma única vez por mais 30.
De acordo com o artigo 136, "o Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza".
Quando decretado ou para sua prorrogação, o presidente deve, dentro de vinte e quatro horas, submeter o ato ao Congresso Nacional, que decidirá por maioria absoluta, e, quando rejeitado o decreto, "cessa imediatamente o estado de defesa". "A educação está por volta de R$ 230 bilhões neste orçamento, e a saúde está por volta de R$ 250 bilhões."
g1 A declaração é #FATO. Veja por quê: A afirmação é correta como aproximação em relação ao orçamento federal de 2026 e aos recursos destinados aos respectivos ministérios. O Ministério da Educação tinha previsão de cerca de R$ 233 bilhões, enquanto o Ministério da Saúde ficou na casa de R$ 270 bilhões, dependendo da etapa da elaboração orçamentária considerada.
Participaram da checagem: Anna Julia Steckelberg, Camila da Silva, Fernanda Gonçalves e Lucas Guimarães. VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Agora no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito) GloboPop: clique para ver vídeos do palco de Fato ou Fake
