O veículo foi abandonado às margens da estrada após o motorista fugir de uma abordagem da Polícia Civil. PJC-MT Cerca de 500 litros de óleo diesel que seriam usados para abastecer máquinas de um garimpo ilegal foram apreendidos em uma caminhonete, na noite desta sexta-feira (28), na estrada de acesso à Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá.
O veículo foi abandonado às margens da estrada após o motorista fugir de uma abordagem da Polícia Civil A apreensão ocorreu depois que os policiais receberam informações de que veículos estariam transportando combustível e outros materiais para o garimpo ilegal, principalmente durante a noite. Durante as buscas, a equipe encontrou uma caminhonete branca com uma carga coberta por lona e tambores parcialmente visíveis na carroceria. O motorista não obedeceu à ordem de parada e fugiu.
Os policiais perderam o veículo de vista por causa da poeira na estrada. Alguns quilômetros depois, a caminhonete foi encontrada abandonada, com um dos pneus danificado. Os ocupantes haviam fugido a pé em direção a uma área de pastagem.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Com o auxílio de um drone equipado com câmera térmica, os policiais localizaram um dos suspeitos. Ele foi acompanhado por cerca de um quilômetro, mas entrou em uma área de mata densa e não foi localizado. Na caminhonete, foram encontrados 10 tambores com cerca de 50 litros de diesel S500 cada, totalizando aproximadamente 500 litros de combustível.
Também foram apreendidos objetos pessoais. O veículo foi retirado por um guincho porque estava com o pneu danificado e a chave havia sido levada pelo motorista durante a fuga. A caminhonete, o combustível e os demais materiais foram encaminhados à Delegacia de Pontes e Lacerda.
O caso será investigado pela Polícia Civil. LEIA TAMBÉM Operação destrói 150 escavadeiras e causa prejuízo de mais de R$ 226 milhões ao garimpo na Terra Indígena Sararé em MT VÍDEO: garimpeiros que trocaram tiros com Ibama se escondiam em bunkers recheados de cerveja e cachaça em MT Histórico de exploração Facção entra em garimpo ilegal, que não para de avançar sobre terra indígena em Mato Grosso A Terra Indígena Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias.
O território possui cerca de 67 mil hectares, dos quais 4,2 mil hectares foram impactados pelo garimpo ilegal. Homologada em 1985, a área enfrenta, nos últimos anos, conflitos relacionados à exploração clandestina de ouro. Segundo o governo federal, a operação de desintrusão busca garantir a segurança dos indígenas, proteger o território e conter o avanço da atividade ilegal.
Segundo a Opan, das 74 áreas registradas na base geográfica da Funai, 69 possuem processos minerários em seu entorno imediato, considerando um raio de até 10 quilômetros. De acordo com o levantamento, o número de processos minerários em Mato Grosso saltou de 5.926, em 2018, para 13.627, em 2025, um crescimento de quase 130%. Ao todo, esses processos abrangem cerca de 22.539.135,89 hectares.
Considerando que o estado possui aproximadamente 90.320.699 hectares (903.207 km²), a área já sob incidência minerária corresponde a 24,9% do território, uma extensão comparável à área do Reino Unido. A maior concentração ocorre na fase de Autorização de Pesquisa, que representa 29% do total, com 3.918 processos distribuídos em aproximadamente 9.308.819,47 hectares.
Além dos danos ambientais, o levantamento registra o aumento da violência na região, com a presença de facções criminosas e relatos de tiros, ameaças de morte e ataques a aldeias. Segundo o boletim, o cenário expõe a comunidade a risco de danos irreparáveis, caracterizando uma violência estrutural e sistemática. Pressão no entorno de Terras indígenas Terra Indígena Sararé, o território ocupa a quarta posição entre as TIs com maior número de requerimentos minerários próximos, somando 72 processos ativos.
O principal minério de interesse nessas solicitações é o ouro, presente em 58 processos, que, juntos, abrangem cerca de 143.383,9 hectares. Em primeiro lugar está a Terra Indígena Vale do Guaporé, que concentra a maior área sob influência de processos minerários em seu entorno, com aproximadamente 237.061,77 hectares. Na sequência aparece a Terra Indígena Escondido, com 195.355,32 hectares, seguida pela Terra Indígena Piripkura, de povos indígenas isolados, com 157.620,48 hectares.
