Família de mulher esquartejada em Rio Preto fala sobre costumes e rotina da vítima O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Marciel Dias dos Santos, 29 anos, pelo feminicídio de Amanda da Silva, de 36 anos, morta e esquartejada em São José do Rio Preto (SP). A Promotoria afirma que o crime ocorreu na madrugada de 22 de julho, dentro da casa onde o suspeito morava, no Parque Estoril, e que a vítima foi atacada enquanto estava deitada e coberta na cama.
Além do feminicídio, Marciel foi denunciado por destruição e ocultação de cadáver. Na denúncia, o MP sustenta que, depois da morte, ele teria cortado o corpo da vítima em diversas partes e espalhado os segmentos por diferentes pontos da cidade, incluindo lixeiras, uma boca de lobo e uma galeria pluvial. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp O documento foi assinado pelo promotor de Justiça Evandro Ornelas Leal e protocolado na quarta-feira (9).
A Promotoria também se manifestou favoravelmente à conversão da prisão temporária de Marciel em preventiva e pediu que ele seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Promotoria denuncia Marciel Dias dos Santos (à direita) por matar e esquartejar Amanda da Silva, em julho, em São José do Rio Preto (SP) Fotos: Arquivo pessoal Segundo a denúncia, Marciel levou Amanda, que estava em situação de vulnerabilidade, para a residência e, durante a madrugada, teria desferido golpes com um instrumento perfurocortante na região das mamas e do tórax.
O MP afirma que foram pelo menos seis golpes e considera que a maneira como a vítima foi atacada — enquanto estava deitada e coberta — reduziu a possibilidade de ela perceber a agressão, reagir ou se defender. A acusação enquadra o caso como feminicídio cometido em contexto de menosprezo à condição de mulher, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O MP também acusa Marciel de destruir e ocultar o cadáver.
Câmera flagra açougueiro jogando sacos com corpo de mulher esquartejada em Rio Preto Corpo foi espalhado pela cidade Após a morte, de acordo com a denúncia, Marciel teria permanecido com o corpo de Amanda no imóvel e, entre 22 e 27 de julho, cortado o cadáver em diversas partes. Os segmentos foram acondicionados em sacos e em uma mochila e posteriormente abandonados em diferentes locais.
Partes do corpo foram encontradas em lixeiras em frente a uma marmitaria no Parque Estoril, enquanto outros segmentos foram localizados posteriormente em pontos da região. A investigação apontou ainda que o suspeito teria usado cloro, água sanitária e outros produtos para limpar o imóvel e reduzir o odor, além de retirar partes do colchão, pintar uma parede e descartar roupas, panos e outros objetos que poderiam conter vestígios do crime.
A perícia realizada na residência identificou o dormitório como o local onde teria ocorrido a agressão. Segundo o MP, foram encontrados vestígios de sangue concentrados sobre a cama, além de uma coberta com pelo menos 12 perfurações compatíveis com instrumento perfurocortante. Também havia marcas de sangue no colchão, na estrutura da cama e na parede.
O laudo citado na manifestação da Promotoria concluiu que Amanda provavelmente estava deitada e coberta pela peça quando recebeu os golpes.
Vestígios de sangue foram encontrados na casa de Marciel e levaram à identificação da mulher morta e esquartejada em Rio Preto (SP) Arquivo pessoal Investigação apontou sangue e faca Para sustentar a acusação, o Ministério Público cita o laudo necroscópico, o exame necropapiloscópico, perícias realizadas na residência e nos locais onde partes do corpo foram encontradas, além de uma perícia feita em uma faca apreendida durante a investigação. Segundo o documento, a faca apresentou vestígios de sangue humano.
A Promotoria afirma ainda que Marciel admitiu ter mantido o cadáver na residência, cortado o corpo, acondicionado as partes em sacos e em uma mochila e feito o descarte em diferentes locais. As informações fornecidas por ele teriam ajudado os investigadores a encontrar outros segmentos do cadáver. O caso foi investigado pela Polícia Civil depois que partes do corpo de mulher foram encontradas em duas lixeiras, em 27 de julho, em frente a uma marmitaria no Parque Estoril.
Inicialmente, a identidade da vítima era desconhecida. Amanda estava desaparecida desde 19 de julho e foi identificada oficialmente depois que antebraços e mãos foram encontrados em um piscinão do Parque Estoril, em 5 de agosto. Ela era mãe de três filhos.
Como o corpo estava em avançado estado de decomposição, o Instituto de Criminalística utilizou técnicas de reconstrução facial em 3D a partir do crânio. O laudo necroscópico divulgado anteriormente apontou cerca de 20 perfurações no peito da vítima, além do desmembramento do corpo.
Corpo é encontrado esquartejado em lixeiras de marmitaria em Rio Preto (SP) Rodrigo Carraro/TV TEM Versão apresentada pelo suspeito Em depoimento à polícia, Marciel afirmou que conheceu Amanda em uma praça em 21 de julho e a levou para sua residência. Segundo a versão apresentada por ele, os dois teriam discutido e Amanda teria batido a cabeça após ser empurrada, morrendo em seguida. A versão é questionada pelos elementos reunidos na investigação e apresentados pelo Ministério Público na denúncia.
A Promotoria, inclusive, pediu que o médico legista esclareça se havia algum ferimento na nuca de Amanda que pudesse ter provocado perda de consciência e morte e se os ferimentos encontrados nas mamas chegaram a penetrar a caixa torácica. Marciel admitiu, contudo, ter esquartejado o corpo e realizado o descarte de partes da vítima. À época da prisão, a investigação apontou que ele fez diferentes deslocamentos para abandonar os restos mortais em lixeiras e outros locais.
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Para a Promotoria, a forma como o crime teria sido executado e as ações realizadas depois da morte demonstram risco concreto à ordem pública. O MP cita a sequência de procedimentos para ocultar os vestígios, como a limpeza do imóvel com produtos químicos, a retirada de parte do colchão, o descarte de roupas e panos e a distribuição dos restos mortais em diferentes locais.
O Ministério Público também afirma que dados extraídos do celular do investigado mostraram pesquisas relacionadas à saída de São José do Rio Preto com destino a Brasília feitas pouco antes da captura. Para a Promotoria, a informação, associada aos vínculos de Marciel com outro estado e às medidas adotadas para eliminar vestígios, indicaria uma tentativa concreta de deixar a cidade.
Mulher que foi morta e esquartejada por açougueiro em São José do Rio Preto (SP) é identificada como Amanda da Silva Reprodução/Instagram Pedido de indenização aos filhos Na denúncia, a Promotoria também pediu que seja fixado um valor mínimo de reparação pelos danos causados à família de Amanda. O MP requer o pagamento de valor correspondente a 500 salários mínimos, além de uma quantia equivalente a um salário mínimo por mês para cada um dos três filhos da vítima, até que eles completem 21 anos.
Mulher morta e esquartejada por açougueiro é identificada; reportagem dá detalhes de crime Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM
